Impetuoso, o teu corpo é como um rio onde o meu se perde. Se escuto, só oiço o teu rumor. De mim, nem o sinal mais breve. Imagem dos gestos que tracei, irrompe puro e completo. Por isso, rio foi o nome que lhe dei. E nele o céu fica mais perto. E.A.
quinta-feira, novembro 03, 2011
Foi há pouco mais de oito horas que nos despedimos, já sem o forte abraço. O abraço que liga a antiga e a velha relação. Do prazer e da culpa. Do carinho e da angústia.
Que liga o doce e o amargo. O bom e o mau. E um beijo. Um beijo triste de consolação. E de falsa resignação de uma sombra que nos rodeia. Sempre.
Dormi sobre as nossas conversas. De ontem, de anteontem, de há muito tempo. Demais. Ou melhor, sobre as tuas suposições e desconfianças e dormi, acordei, uma vez mais sobressaltado, pensando nas minhas e nas tuas palavras, nos meus medos, nos teus, nas minhas divagações perante a o que fomos e o que somos.
Volto à carga, agora, com um raciocínio mais estruturado.
Há muito que tento evitar as conversas penosas e me recuso a cavar ainda mais o buraco em que, em tempos a nossa relação entrou.
Preferi antes de tudo, aproveitar o resto de memória límpida, feliz e tranquila que resta do que nós fomos e transportar essa energia para o presente, tirando partido, para nos proporcionar alguns momentos de felicidade, ainda que por muito instantânea que seja.
A verdade é que, como conversava há dias com um amigo divorciado, não há segundas oportunidades. Nem terceiras. Muitas mais existiram. Umas verdadeiras. Outras impulsionadas por um momento frágil e por um abraço forte ou um beijo que sempre tem o dom de nos unir. Por pouco tempo, é certo. Mas bom.
Hoje escrevo com um nó na alma, mas com uma certeza inolvidável de que jamais voltaremos a ser o que nos uniu. Certamente também não seremos melhores. Se a tua tolerância permitisse, a tua ânsia se resignasse, os teus impulsos parassem… quando muito… poderíamos ser… normais. Vulgares. Acomodaríamos os corpos (como em tempos já fizemos tão bem), apagaríamos pequenas fogueiras que os queimam por dentro e seríamos apenas um produto do tempo e do conforto fácil que já tantas vezes criticaste e que pessoalmente também discordo ao confrontar esses olhos amargurados.
Não vou pedir-te desculpa uma vez mais, não pretendo justificar erros que em tempo pretérito vincaram e moldaram o que (não) somos hoje.
Não vou justificar este abandono que pretendo levar em frente, porque a resposta está à vista. Não rimos, sorrimos de quando em vez. Não vivemos, fugimos da realidade quase sempre. Não construímos. Remendamos um pouco todos os dias, mas abrimos mais fendas simultaneamente. O futuro é hoje e agora, porque logo pode ser tarde… e cinzento. E doloroso.
Ontem disse-te ADEUS. Não cumpri. Mas devo. É obrigatório. Por isso vou fugir. Porque não posso mais dizer-te até já. Não posso pensar que amanhã vai ser melhor. Não posso olhar-te, sabendo que esperas por algo que não te posso dar. Por algo que não sei dar-te. Por te sentir mal amada, frustrada, apagada. Não sinto mais a chama que nos aquecia e que eu tanto ajudei a apagar.
Não és mulher para viver contrariada, para não seguires os teus instintos.
E eu, infelizmente, não sou o homem para te fazer feliz.
Talvez um dia me possas encarar. Com outro ar. Com outro olhar. Talvez um dia me possas tolerar, porque perdoar sei bem que é impossível.
Talvez um dia possas esquecer. O mal que te causei. Talvez também eu possa ocultar o amor e o carinho que guardo para sempre. Para castrar os impulsos que, de outras vezes que nos despedimos, me fizeram implorar por mais uma oportunidade.
Hoje, é hora de realmente dar. Uma oportunidade. Aos dois. De seres verdadeiramente feliz. De seres autêntica e sonhadora. E exigente. E carente e sensível e lutadora. Tudo o que já exibiste em tempos. Quando o amor era fácil. E natural. Nosso! E bom!
Hoje dou um pequeno contributo para o teu desejo de 2010. Um pequeno passo para a mudança que tanto reclamas e sei que, no fundo, é o melhor para os dois. Hoje sou sincero. Também estou contrariado. Mas honesto. Em sintonia com os teus olhos. Com os teus gestos.
Hoje despeço-me. DEFINITIVAMENTE. Sem o teu odor na almofada. Sem a peça de vestuário para me agarrar. E sem rancor. E sem amargura. E sem orgulho. Por não te ter conseguido embalar na minha canção.
Te peço sinceramente que sejas feliz. Fiel ao teu coração. E que desistas. De mim. De Nós. Amanhã será melhor. Depois de amanhã. E depois.
Que apostes nos teus sentimentos, na tua felicidade.
E que respeites. A atitude. Por favor. Porque a decisão era inevitável e foi mútua. Apenas a iniciativa partiu deste lado. Antes que doa. Ainda mais.
Um BEIJO. Mas bem melhor. Um ABRAÇO. Forte.
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