Começo pelas conclusões mais uma
vez, já que às vezes, as argumentações dão lugar a más interpretações e o resto
da história já conhecemos.
Retiro este pedaço da nossa
história, para FAZER MINHAS AS TUAS PALAVRAS. Não podes fugir, não me podes abandonar
porque és a alegria da minha vida. Fui sucinto e resumido o suficiente? Espero
que sim, até porque a mensagem é clara e tu sabes disso.
Não consigo compreender. Mas
percebo bem a diferença entre nós.
Durante muito tempo, mesmo sem
acreditar que algum dia mais iríamos conversar, comunicar e rir a dois, no
fundo não deixei de ter alguma esperança. Procurei todos os dias na memória,
uma recordação, um momento, um forma de estares viva no meu peito. Fiz todos os
dias isso. Ainda o faço. Nas ruas, na música, nas fotos, nos lugares comuns.
Todos os dias tenho um bom pretexto para pensar em ti.
A nossa diferença é que continuas
a procurar todos os dias algo para nos magoarmos. Alguma sombra. Para que me
possas atirar ou acusar. Para que possas suspeitar.
E até posso perceber todos os
teus receios, os teus medos. O passado tem sempre um bom motivo. Mas agora?
Porquê? O que aconteceu? E porquê a desilusão? A angústia?
Mas hoje não. Desculpa. Não
compreendo.
Bem sei que as coisas não estão
fáceis e que por vezes não recebemos imediatamente o retorno daquilo que somos
e que damos. A verdade é que te procuro para ri, para sonhar ou recordar,
quando nem sempre tens essa disposição de alma porque a vida não corre de
feição. Mas a diferença é que em ti vejo esperança. E não é por passear de descapotável
ou deambular pelos corredores que a vida é mais simpática para mim. Tem também
a tensão de uma relação mantida pela doença. Das visitas ao hospital quando
qualquer sinal te deixa em alerta. Tem os dias em que a família, como ontem,
festeja o aniversário do irmão mais novo e eu aguardava numa sala para perceber
se tinha sido mais um susto ou se algo pior se passava. Bem sabes que esta vida
triste que levo, a fugir, a escapar nos intervalos e a aguardar. A vida tem-me
colocado à prova, testado as resistências. Mas não estou a aguentar e nem
sempre consigo fazer as coisas da melhor maneira.
Só não esperava que, desta vez,
também tu me estivesses a julgar. Não precisavas.
Mas há outras coisas em que
concordo contigo. Não há necessidade nenhuma de mentir. Não há mesmo. Por isso
não percebo essas acusações.
E por favor não me digas que sou
indiferente quando, subtilmente ou nem por isso, reclamo sempre pela tua
atenção.
Desde que me concedeste o
privilégio da tua companhia, da tua voz, do teu ombro e do teu coração, que
tento fazer as coisas à tua maneira, porque à minha provou-se desastrosa.
Em casa, no carro, com ou sem
amigos, falo contigo mais ou menos tempo conforme a disponibilidade, mas não
digas que te ignoro pois se o que estou a implorar é que não fujas de mim.
Jamais tenho qualquer intenção de te magoar ou ignorar. NADA DISTO VALE PENA.
Hoje sinto as tuas palavras como nunca. E uso-as com total
fidelidade aos sentimentos expressos.
Nem sei. Tenho muita coisa para te dizer. Não agoira. Não
tudo de uma vez. Todos os dias.
Não estou muito bem hoje. Desculpa.
Fica também uma música, do mesmo autor.


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