sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Dormes na minha insónia.

Tu és o nó de sangue que me sufoca.

Dormes na minha insónia
como o aroma entre os tendões da madeira fria.

És uma faca cravada na minha vida secreta.


quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Parece que o destino nos quebrou.

Parece que o destino nos quebrou
Mas não mais a tristeza voltará a mim
Parece que o teu sono nos largou
Mas não mais a tristeza voltará a mim
Veio a tempestade sem nos ver
Veio o vento forte e fez chover
Eu pensei que era tão bom
O amor dentro de nós era tão bom
Eu pensei e tu também
Que ninguém entrava em nós
Parece que este fumo nos mentiu
Levou-nos pela mão depois fugiu

E vem que não queres ver
Quem veio atrás sentir-me a pele
P'ra me entreter
P'ra me entreter
P'ra me entreter
P'ra te esquecer

Parece que o veneno envenenou
Mas não mais a tristeza voltará a mim
Parece que esta curva nos virou
Mas não mais a tristeza voltará a mim
Depois de toda a festa não te vi
Larguei o que pesava e corri
Eu pensei que era tão bom
O amor dentro de nós era tão bom
Eu pensei e tu também
Que ninguém entrava em nós
Parece que o veneno nos mentiu
Perdeu-nos no caminho e fugiu

E vem que não queres ver
Quem veio atrás sentir-me a pele
P'ra me entreter
P'ra me entreter
P'ra me entreter
P'ra te esquecer

Vem que não queres ver
Quem veio atrás sentir-me a pele
P'ra me entreter
P'ra me entreter
P'ra me entreter

P'ra te esquecer


Não me reconheço em lugar nenhum.

Agora não há razão que me acorrente
à terra. Bebo a manhã por um copo sujo,
acreditando talvez que ninguém envelhece
em vão, que todas as batalhas me hão-de servir
no futuro. Mas dentro de mim eu sei que quero
desperdiçar-me, gastar-me nos gumes, nos arcos
que me fundam. Não me pareço com nada,
não me reconheço em lugar nenhum da casa.





quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Para ser grande, sê inteiro.


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive


terça-feira, fevereiro 25, 2014

Between the dark and the light.

We know there's a fight
But not between the dark and the light
Cause it's not my intention to make it sound right
So let me start again...
Yes, there's a fight
(And now notice)
Happening in plain sight
Look at me, searching for words that end up in "ight"
Like fight, and light...what else?
Oh, yes, right and sight
And now that you're asking: hhmm... only four?
Couldn't this guy think of some more?
The answer, my friends: yes, I might...
But then the fight could turn into a war...
Damn it... I have to admit
There are some fights very hard to resist
So, there you have it
It's not very bright
But the fight taking place
Is between the dark and the light.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

A tua ausência.

Pedir para me afastar de ti é fugir de mim e daquilo que sou também.
Hoje encontrei um par de amigas tuas, bem próximas num tempo e lugar que para ti também já passou.
Uma terceira que as acompanhava, também tua conhecida por sinal, comentou os quilos a mais com que me apresento.
Justifiquei a abstinência e corte com alguns (maus) vícios. 
Mas este estado de corpo e alma deve-se exactamente à tua ausência. Sem culpas. Mas consequências.
Este não sou eu. Só quem me conheceu no pretérito e convive no presente consegue perceber tal transformação.
Essencialmente, não sou o mesmo a viver a vida em cada minuto que ela passa.
Pedir para navegares para longe é esquecer a forma como adoro viver.

Que me pertença.

(...)
O sorriso que devassou brevemente o meu rosto não
me pertenceu; porque ninguém o viu antes de ti,
nem o espelho se convenceu a devolver-mo.

Todas as coisas que a casa guardou quando partiste não
me pertenceram; porque, ao tocar-lhe nos dias mais
cinzentos, sinto que é pelo calor dos teus dedos que ainda
gritam; e mesmo a cama onde só teu corpo era bem-vindo
nunca chegou a ser inteiramente minha, pois, de contrário,
encontraria nela o meu lugar, e não o teu vazio.

Tu não me pertenceste - e, se uma vez acreditei que
acontecias dentro do meu corpo, das outras vi-te abraçar a
solidão com tanto ardor que concluí ser a memória quem
te mantinha viva. O meu coração, contudo, sempre

te pertenceu - e a mão desesperada que o procura não
sente bater longe do teu peito. E mesmo os poemas todos
que escrevi não me pertenceram, porque essa vida
que pulsava no papel levaste-a tu contigo na hora
em que te foste - e a que tenho agora é mais
branca e vazia do que a morte, não é vida nem nada

que eu queira alguma vez que me pertença.

domingo, fevereiro 23, 2014

Gritos surdos.

De tantos vícios auto-destrutivos e idiotas a que me agarrei depois de te perder, hoje posso garantidamente afirmar que deixar de roer as unhas, chupar cigarros ou consumir quantidades absurdas de álcool, drogas para adormecer, são brincadeira.
Conheces aqueles adesivos que usei para as dores crónicas musculares?

A escrita de e para ti, funciona um pouco nesse sentido. Não estou a curar nada. Apenas a transferir momentaneamente um pouco de calor para o coração.Uma acto puramente invejoso. Exactamente para sentir. Ou não sentir esta dor. Um apaziguante nesta dor crónica que me acompanha.

Mas não perturbarei a tua paz. De tantas promessas violadas, prometi cumprir esta. Por muito que custe.
Desculpa se por momentos, numa mensagem de Natal ou aniversário, quebrei o silêncio.

Tenho tantos gritos surdos que quero calar.

Torço todos os dias pela tua felicidade.


Oh... Cxxxxxxa....

Alegria e aperto no coração, invadem-me, como sempre, na resposta à tua missiva.
Fica desde já o sincero agradecimento pela atitude, pelas tuas palavras.
Pela forma tão única como as usas.
É teu. Genético.
Por isso simples. Fácil. De gostar. Amar. . Reclamar por mais.À minha maneira. Que guardes essa informação bem no fundo do baú.
Não podia esperar outra coisa do teu coração bom. 
Quando as palavras choram, este poema é um pranto de lágrimas para mim. Li. Reli. Difícil.
Agradeço e suplico em surdina uma vez mais o teu perdão e que a mágoa desapareça. 
Se vem da tua Alma, aceitarei todos os termos e condições. Só assim fica mais fácil viver com a minha. Ou o pouco que dela resta.
Só tu me ensinaste o significado de altruísmo. Torço todos os dias pela tua felicidade.
O teu gesto tem um enorme significado. Passariam horas para explicá-lo.
Mas não perturbarei a tua paz.



Obrigado.
Deixo apenas um abraço.
Dos bons.À nossa maneira.

sábado, fevereiro 22, 2014

Direcções opostas.



"Primeiramente, quero agradecer a mensagem enviada no meu aniversário.
Envio-te um texto que melhor expressa o que me vai na alma, relativamente a nós.
Posso afirmar com certeza que já não te guardo mágoa, nem rancor. Não sou pessoa de ódios!
Aprendi a aceitar o que me aconteceu e a responsabilizar-me por isso, como tal, não faz qualquer sentido culpabilizar-te ou estar zangada. No entanto, considero que os nossos caminhos se fazem em direções opostas, que deves procurar a tua própria felicidade e lutar por ela."

"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."


"Um beijo, um abraço também para si."

Preciso aprender a ser só.

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
Que sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu amor
E ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Ah o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Ela ... ela és tu!

"Ela é louca, ri-se de tudo e faz palhaçadas. Ela sabe ser séria e fria. Ela é romântica, sentimental e apega-se muito facilmente. Ela apaixona-se por sorrisos, gosta de abraços apertados e de andar de mão dada. Ela gosta de gente que a valoriza, gosta de se sentir importante e mais ainda quando é mimada. Ela ama acarinhar, mexer no cabelo dos outros e de "morder" as pessoas que gosta. Ela é uma rapariga difícil de lidar, está a cada hora de um jeito diferente e é péssima a mostrar o que sente. Ela importasse, tem medo de perder e sente muitos ciúmes. Ela é um doce de menina, mas não a magoes, pois pode ficar amarga. 

Ela ... ela sou eu!"

Se me abraçares, não partas.

Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.


Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –


o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.



quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Amar-te é tão bom.

Tenho que fazer o mais difícil.
Tenho mesmo que começar o odiar-te.
Amar-te é tão bom, que a tua ausência torna quase tudo insuportável.

Adormecer


Vai vida na madrugada fria.

O teu amante fica,
na posse deste momento que foi teu,
amorfo e sem limites como um anjo;
a cabeça cheia de estrelas...
Fica abraçado a esta poeira que teu pé levantou.
Fica inútil e hirto como um deus,
desfalecendo na raiva de não poder seguir-te!


quarta-feira, fevereiro 19, 2014

O Amor fica sempre.


(In)felizmente.
Que assim seja.
Ou não.
O Amor fica sempre.


"Amar-te é aceitar que já não és a mesma, que todos os dias te afastas por caminhos que não conheço mas que não acabas nunca."


Se não chegares.

Conto até cem e, se não chegares antes dos cem, vou-me embora. Não chegaste antes dos cem. Conto de cem a um e, se não chegares antes do um, vou-me embora. Não chegaste antes do um. Conto dez automóveis pretos e, se não chegares antes dos dez automóveis pretos, vou-me embora. Não chegaste antes dos dez automóveis pretos. Nem antes dos quinze táxis vazios. Nem antes dos sete homens carecas. Nem antes das nove mulheres loiras. Nem antes das quatro ambulâncias. Nem sequer antes dos três corcundas e, entretanto, começou a chover.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Parabéns. Por seres esta mulher.

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma.

Amar-te sempre.

Não tenho outra forma de te presentear senão esta.
Elogiar-te. Mimar-te.
Ao longe.
Mas bem perto desse coração que amo e que tantas outras vezes recebi tanto Amor.
Não tenho sequer outra alternativa.
Entre aniversários, festas ou fins de semana. Nos dias mais comuns e banais.
Amar-te para sempre.

Parabéns Tinhosa.


"Eu nunca fui uma mulher bem comportada.
Pudera, nunca tive vocação para alegria tímida, para paixão sem orgasmos ou para o amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui para que gostem de mim. Estou aqui para aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E para seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, inconstante, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Eu sei chorar toda encolhida para lavar a alma.
Por isso, não me venha com meios termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.

Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de alturas, mas não evito os meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou."


segunda-feira, fevereiro 17, 2014

ABO-TE MUITO.

Bem sabes que estou sempre constipado ou com o nariz entupido.
"Uma flor de cheiro" era assim que me chamavas, mas tenho quase a certeza que a expressão correcta é "flor de estufa".
Calinadas da Tinhosa à parte, não pude deixar de reparar num outdoor, na cidade, com esta publicidade de gotas para o nariz, especial para os tipo que, como eu, passam mais tempo agarrado a um lenço de papel do que a coçar os órgãos genitais.
Esta tinha que partilhar contigo.

Tu e Eu Meu Amor.



Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

domingo, fevereiro 16, 2014

Apenas sonhei.

Passou tanto e tão pouco desde as últimas horas que escrevi para ti.
Agarrei, abracei, envolvi.
Discuti, argumentei.
Perdi.
Apenas sonhei.
Mas a verdade é que o teu tempo jamais passará.
Está todos os dias.
Aqui.
No coração.
Onde a felicidade e a agonia da saudade vivem em desesperada existência.
Te amo Tinhosa.

O teu tempo não passou.

Se a vires, diz-lhe que o tempo dela não passou;
que me sento na cama, distraído, a dobar demoras
e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.
Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por
causa dos outros laços que não desfaço, sei que o
amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se

a encontrares, diz-lhe que o tempo dela não passou;
que só me atraso outra vez, e ela sabe que me atraso
sempre, mas não de mais; e que os Invernos que ela
não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos
separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,
mas só para guardar os beijos que me deu. Se a vires,

diz-lhe que o tempo dela não passa, fica sempre.




Só assim.

Os dias só fazem sentido se tiverem o Sol a brilhar nos teus olhos.
As noites só são noites no calor da tua presença. 
Porque só assim consigo aquecer o coração.
Estou tão frio. Por favor volta.

sábado, fevereiro 15, 2014

Fica comigo. Daqui a nada é noite.


Fica comigo. Daqui a nada é noite e as noites custam, a mim custam, sobretudo quando os candeeiros da rua se acendem e as árvores e os prédios fronteiros logo diferentes, quase ninguém na rua, um miúdo com um cão lá ao fundo, uma tristeza parada na tonalidade do silêncio, estes móveis e estes retratos que não me ligam nenhuma, os teus passos na escada, tu no passeio: nem vou à janela olhar, não quero olhar. Fica comigo só mais um bocadinho, dez minutos, meia hora, sei lá, o tempo inteiro. Mesmo que não fales. Mesmo que leias a revista do jornal. Mesmo que não me toques. Mesmo como se eu não existisse.

O gato lembra. eu não consigo esquecer.

O gato lembra-se de ti nos intervalos. Espera
de olhos acesos as histórias que nos contas.
Passeia-se inquieto sobre o meu parapeito e eriça
o pêlo, cúmplice, quando pressente que regressas.


Chegas sempre de noite. Sei quem és e ao que vens
e ofereço-te o silêncio de um pequeno quarto recuado,
as sombras das traseiras na minha pele, o tempo
de repetir um gesto inevitável. Ouço-te contar
a mesma lenda com lábios sempre novos. Aprendo-a
e esqueço-a. Nunca a saberemos de cor, o gato ou eu.

Depois partes. Levas contigo a tua voz, mas a música
fica. Eu fecho as portadas devagar. O gato mia baixo
à janela. Ninguém acena: guardamos com os outros
o segredo das tuas visitas. Ambos. O gato e eu.


sexta-feira, fevereiro 14, 2014

O amor é uma verdade.

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". 

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."



Feliz dia de São Valentim.

T - "2:00 de la matina! Terminei o trabalho! Estou fartinha! Você deve estar em grandes tainadas, eu vou nanar! Tenho tanto soninho! Espero que tb durmas bem! Um beijinho envolvente e dotado de muito carinho!

S - "Um beijo bem longo como os seus Peis, salgado como o mar que nos separa, quente como o meu coração quando oiço a sua voz, fofo como o seu rabo bom e doce como esta poncha bem boua!"

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Estado (a)normal.

Como nem tudo são amarguras, estou lentamente a voltar ao meu estado (a)normal.
Preciso tanto fugir mas acabo por regressar ao banco de memórias, com menos ou mais relutância.
Com mais saudades, inquestionavelmente.
Te amo. Sempre.

A mais certa certeza que gosto de ti.


Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa.


A mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste.






quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Beijo, abraço, amasso.

"Não entendo. Não consigo entender porque conversámos tanto ao telefone e me ignoras perante uma revista velha. Não entendo as inúmeras saudades que fizeste referência e causaram até zangas, quando na hora do abraço ficas imóvel e fria. Não entendo porque me questionas dos meus planos para 6ª, quando os teus já estavam traçados. Não entendo porque indagas sobre ficarmos juntos uma noite para logo a seguir negares qualquer intimidade sob pena de nos fazer mal. Não entendo porque de um beijo consegues atribuir defeitos ao chamar-me mulherengo. Não entendo. Mas adorei ver-te. Beijo, abraço, amasso."

Zangado.

Zangado.
Só agora escrevo por/para ti porque estou zangado.
É a palavra do dia.
Sim.
Zangado contigo. Porque sim. Porque não. Porque não tens culpa nenhuma mas és a principal responsável por este estado de estar e não estar.
Desta ansiedade para encontrar um caminho, mas saber que a estrada está fechada e só poderei andar em círculos, gastar gasolina até parar. Esgotar Não pensar em mais nada.
recomeçar. Para onde. Para quê? Porquê?
Enganar os dias. Consumir. Ludibriar. Anestesiar.
Revoltado. Não. Contigo não.
Revoltado.
Por te amar tanto e não te ter amado mais.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Aguardando que me salves.

procura-me por todos os lados, procura-me às escuras por todos os lados, estarei
algures, fremindo, criando bichos entre
os braços e as pernas, aguardando que
me salves. só assim te amarei, se souberes
descortinar o caminho para o lugar onde
me escondo, com medo, com fantasmas,
feito para ser amado apenas por quem,
avistando-me no fundo do poço, me
puder querer sem garantia de outra condição.


Dos bons.

Hoje recuperei mais uma SMS, mas só porque era mesmo desse beijo que estava a precisar.

"Bom dia! Bem sei que hoje o dia não deve ser fácil para não variar, deixo só 1 ou 10 beijos para si. Dos bons!"

A arte de amar não me serve para nada.

Se o teu ouvido se fechou à minha boca
poderei escrever ainda poemas de amor?
A arte de amar não me serve para nada.

Um fogo em luz transformado.
Subitamente, a sombra.

Há dias em que morro de amor.
Nos outros, de tão desamado,
morro um pouco mais.








segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Profanação.

Podia escrever o teu nome num vidro embaciado ou segredá-lo a uma borboleta negra.

Podia cortar os pulsos e deixar o sangue correr até que o mar ficasse vermelho.

Ou beijar-te os pés. Mas esse gesto está reservado desde o princípio dos séculos e teria o sabor de uma profanação.


Pelo amor sem ironia.

Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia - por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta.


domingo, fevereiro 09, 2014

O caminho.

procura-me por todos os lados, procura-me às escuras por todos os lados, estarei
algures, fremindo, criando bichos entre
os braços e as pernas, aguardando que
me salves. só assim te amarei, se souberes
descortinar o caminho para o lugar onde
me escondo, com medo, com fantasmas,
feito para ser amado apenas por quem,
avistando-me no fundo do poço, me
puder querer sem garantia de outra condição.

Um amor imperativo.

"(...) Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e
fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterrâneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo (...)"

sábado, fevereiro 08, 2014

A tua raça.

"Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos. E conhecem o abismo pedra a pedra, anémona a anémona, flor a flor."

Não. Não te afastes.

e tu sussurras:- não, não afastes a boca da minha orelha.
derrama dentro dela aquilo que não consegues dizer em voz alta.
e eu digo:
- as tuas mãos queimam-me a fala.
tu sorris, dizes:
- vem , sem medo, pela aridez do meu corpo.
no fundo de mim existe um poço onde guardo a tua imagem. é tempo de ta devolver. é tempo de te reconheceres nela.




sexta-feira, fevereiro 07, 2014

O mundo inteiro depende dos teus olhos.

Por mim falo.
Não sei se o Mundo inteiro.
Mas devia.




"A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
é uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar."




Tenho-a comigo. Quando a quiseres.

Bom dia Tinhosa.
Espero que desse lado continues a sorrir.


"Se for preciso, irei buscar um sol
para falar de nós:
ao ponto mais longínquo
do verso mais remoto que te fiz

Devagar, meu amor, se for preciso,
cobrirei este chão
de estrelas mais brilhantes
que a mais constelação,
para que as mãos depois sejam tão
brandas
como as desta tarde

Na memória mais funda guardarei
em pequenas gavetas
palavras e olhares, se for preciso:
tão minúsculos centros
de cheiros e sabores

Só não trarei o resto
da ternura em resto esta tarde,
que nem nos foi preciso:
no fundo do amor, tenho-a comigo.
quando a quiseres."




quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Não basta a solidão.

Não basta estender as mãos vazias para o corpo mutilado, acariciar-lhe
os cabelos e dizer: Bom dia, meu Amor. Parto amanhã.
Não basta depor nos lábios inventados a frescura de um beijo doce e
leve e dizer: Fecharam-nos as portas. Mas espera.
Não basta amar a superfície cómoda, ritual, exacta nos contornos a
que a mão se afeiçoa e dizer: A morte é o caminho.
Não basta olhar a Amante como um crime ou uma injúria e apesar
disso murmurar: Somos dois e exigimos.
Não basta encher de sonhos a mala de viagem, colocar-lhe as
etiquetas e afirmar: Procuro o esquecimento.
Não basta escutar, no silêncio da noite, a estranha voz distante, entre
ruídos de música e interferências aladas.
Não basta ser feliz.
Não basta a Primavera.
Não basta a solidão.

Porque é meu.


Quero-te regar minha flor
quero cuidar de ti
deixa-me entrar no jardim
deixa-me voltar a dormir

quero-te regar minha flor
dar-te de novo a paz que perdi
quero desvendar a parte triste que há em ti
deixa-me existir no espaço novo, que acordaste em mim
não vês que é de nós o jardim
que se fez, não vês
que é que nos o jardim
que nos faz em olha
que este frio faz tremer em fica
e faz voltar o que tens e que é meu

não vês que é de nós o jardim
que se fez,não vês
que é que nos o jardim
que nos faz em olha
que este rio faz crescer em fica
e faz voltar o que tens e que é meu
porque é meu.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Escutar o silêncio.

Sim. Aos pares.
Porque o calendário assim o exige.
Afinal vão ser 34. E como este é o teu mês, nada mais adequado que te prestar essa homenagem, não uma mas, pelo menos 2 vezes por dia!
Como o teu Amor. Sempre o tive. pelo menos duas vezes. À saída. Na chegada. Nos encontros. E desencontros também. Na paz e na loucura. Na alegria e na tristeza. Enfim....
Estou cheio de saudades tuas, Tinhosa.
Como há bem pouco tempo "falaste" na autora, segue um texto dela bem velhinho, como o nosso Amor.
Beijo para si.


"Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. (...)

Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível."






Nas tuas mãos.




O tempo das estrelas

Um compasso de espera
tão longo e musical
por estrelas destas
a tocar-me o rosto

E aprender a aceitá-las,
e eu ser um céu imenso
onde elas se pudessem passear,
encontrar uma casa,
um pequeno silêncio
de folhas,
e poeiras, e cometas

Na desordem mais cósmica
das coisas,
organizar inteiro:
o coração

Porque, a tocar-me o rosto,
o tempo das estrelas
será sempre,
mesmo que tombem astros,
ou outras dimensões se lancem
em vazio,
ou raízes de luz se precipitem
no nada mais atónito

Terá valido tudo
a desordem do sol,
terá valido tudo
este lugar incandescente
e azul

Porque, a tocar-me o rosto,
agora,
e em silêncio tão terreno:
paraíso de fogo:
estas estrelas

Transportadas em luz
nas tuas mãos.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

O teu sorriso.

Tudo no teu sorriso diz
que só te falta um pretexto
para seres feliz.


E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Nem todos as noites ensombram o dias.
Os teus olhos são o milagre.
Hoje acordei com eles.
Bom dia Tinhosa.



"A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
é uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar."

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Dá-me só a mão.

Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. (…) Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo.

domingo, fevereiro 02, 2014

A invenção do amor

Bem sei que não devia quebrar a promessa de fim de semana sem a Tinhosa. No corpo, na alma. Estás em todo o lado. E fica difícil.
Fica um pouco das leituras de Sábado.
Só para nós.


Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor


Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
quotidiana


Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e
fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado


Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo


Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A polícia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta
fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia

(...)