quarta-feira, janeiro 07, 2015

Largar.

Cá estou eu, uma vez mais, a copiar o teu mural e fazer interpretações abusivas do que publicas e escreves. Mas não há motivo para alarme. Apesar de ser contra os dentistas em geral, particularmente aqueles que acham que a solução é simplesmente "arrancar", "tirar fora" ou "extrair", como forma de resolver as maleitas dos pacientes, neste caso até porque concordo com esse dentista, que te fez esconder  o sorriso durante alguns meses, mas que te trará em grande ao mundo das cremalheiras perfeitas e brilhantes!

Não me arrependo de ter forçado a nossa separação, mais que evidente, nos teus olhos ou no tom da tua voz. 
Mas sofro todos os dias as consequências, quer nos dentes do siso que mantenho e  que de quando em vez me alertam e me pesam na sua permanência, quer desse espaço que ficou entre dentes, tão grande como os quilómetros que nos separam. A diferença dos nossos dentistas é que o meu, quando lhe falei nestas dores que me consomem, preferiu apelar à capacidade de resistência (que não que não tenho), porque apesar das dores, são meus e devo mantê-los, tratá-los e conservá-los, já que na velhice, todos farão falta. Quando lhe pedi em "tapar" o buraco de outro dente que perdi por infeliz descuido (continuamos a falar de dentes), ou substitui-lo, logo me contrapôs com a violência de um corpo estranho nas gengivas. Rematou que o tempo iria aproximar os dentes restantes, que o espaço se estreitaria e que, dentro de algum tempo, quase o deixaria de sentir.
Quase.
Quase não o sinto.
Todos os dias.

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