sábado, setembro 24, 2016
sexta-feira, setembro 16, 2016
quinta-feira, setembro 01, 2016
Deixo-te partir permanecendo em mim.
Esqueci-te o sabor
Amor escuta.
Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo.
Amor escuta.
Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas.
O tempo não desvanece a memória da tua pele, poro a poro, dos caminhos que as tuas mãos, incendiárias como um vento veloz, gravaram em mim. Foste músculo, suor e sémen.
Vestida da tua pele fiquei ainda nua.
Amor escuta.
Não te conheço meridianos nem paralelos agora que largaste amarras como um veleiro silencioso. Mas não se silenciou em mim a tua voz serena, murmurando o meu nome como um nascer do dia.
Amor escuta.
São vãs as tentativas de te tirar da lembrança, deixo-te partir permanecendo em mim.
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