"O grau mais baixo numa relação que se julgou de amor, não é o instante em que as pessoas se começam a ferir. Porque as mágoas podem ser um ponto de partida para recomeçar. O mais fundo entre duas pessoas que partilharam cama e sonhos é o momento em que o outro já nem sequer nos consegue ferir. O momento em que olhamos através dele, como se não existisse.
Acredito no amor. Mais do que na felicidade. Porque o primeiro não é um estado absoluto. Porque se o fosse tantos de nós não o perseguíamos como se fosse atingível. Nele existem várias camadas, talvez na última esteja a utopia de uma fusão entre duas pessoas que, não perdendo nada do que são sozinhas, morrerão sendo a soma de uma com a outra. Pode amar-se alguém à primeira vista, claro. Mas aí, nesse lugar primeiro, nessa camada inicial de um caminho por ser feito, amamos o que projectamos no outro e não o outro - amamos em primeiro lugar o que imaginamos poder ser de nós na outra pessoa. "