sexta-feira, janeiro 05, 2007

Para matar um grande amor

Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza; a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. Arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. Os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. Falta-lhes exatamente o Dom da finitude, abrupta e intempestiva. Qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição. Não se vive o amor; sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão. Mas não se pense que esse é um gesto de covardia. O grande amor exige isso. O rompimento é sua parte complementar. Uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. Morrer um pouco para se continuar vivendo. E poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado. Há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema. O cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível. As nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. Os cabelos da amada, longos e escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. Há sutis crispações, um discreto arfar de seios. E os olhos, ah!, os olhos... A visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder. Uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. Que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...
Jamil Snege nasceu em Curitiba, em 1939. Graduou-se em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escritor e publicitário, dividia seu tempo entre os livros e sua agência publicitária. Publicou crônicas, quinzenalmente, no jornal Gazeta do Povo. Seus principais livros são “O jardim, a tempestade” (minicontos, 1989), “Como eu se fiz por si mesmo” (memórias, 1994) e “Os verões da grande leitoa branca” (contos, 2000). Morreu em Curitiba, em 2003

sexta-feira, dezembro 22, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, Aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer,
Despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas,
o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim,
olhar para mim,
escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim,
um final assim,
assim é mais fácil de entender
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender!

The gift

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Sei que...

É ténue a linha que separa a luz e a sombra, a Lua e o Sol, o mar e o céu
É curta a distância que mantemos um do outro
São irrelevantes as diferenças que nos separam
São mínimos os pontos de discórdia
Não é nenhum o espaço que separa as tuas mãos do meu corpo
É no extase que tenho a certeza que somos continuação um do outro

AMO-TE!

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes

terça-feira, novembro 21, 2006

Se for...

Escuridão

Não estou com grande disposição
p’ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal
e eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz e lá se vai o sol
dizes vermelho, respondo azul
se vou para norte, vais para sul
mas tenho de te convencer
que, às vezes, também posso…
ter razão!
também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão...

Jorge Palma

quinta-feira, novembro 16, 2006

Conselhos de um velho apaixonado

Quando encontrares alguém e esse alguém fizer o teu coração parar de funcionar por alguns segundos, presta atenção: pode ser a pessoa mais importante da tua vida.Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fica alerta: pode ser a pessoa que tu estás à espera desde o dia em que nasceste.Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem de água nesse momento, percebe: existe algo mágico entre vocês.Se o 1º e o último pensamento do teu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradece: Algo do céu te mandou um presente divino: O AMOR.Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receberes um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entrega-te: vocês foram feitos um para o outro.Se por algum motivo estiveres triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o teu sofrimento, chorar as tuas lágrimas e enxugá-las com ternura: poderás contar com ela em qualquer momento da tua vida.Se conseguires, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do teu lado... Se achares a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijama velho, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...Se não conseguires trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...Se não consegues imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao teu lado...Se tiveres a certeza que irás ver a outra envelhecendo...e, mesmo assim, tiveres a convicção que vais continuar sendo louco por ela...Se preferires fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o Amor que chegou na tua vida.Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, presta atenção aos sinais.Não deixes que as loucuras do dia-a-dia te deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR!!!
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, outubro 24, 2006

sonho de domingo

Ainda não sei se foi um sonho que sonhei sozinho, mas fizemos poesia.
Cada riso e alegria, os meus lábios nos teus, a responder em silêncio os meus pedidos... apenas vivendo, sentindo, aquecendo a solidão e rasgando a razão.
Sem palavras...
Ficam apenas os suspiros que o tempo escoou.
Durou tão pouco...
Mas lembrarei, todas as manhãs, de como gosto de escutar o teu coração pulsar junto ao meu... e sonhar!

sexta-feira, outubro 13, 2006

Odeio-te

Odeio-te

Odeio-te, odeio-te, odeio-te tanto...
Como podes ser tão bela e me fazeres apaixonar por ti?
Como me podes fazer amar-te tanto?
Odeio-te porque me fazes sofrer na tua ausência, porque me fazes venerar-te tanto na tua presença.
Odeio-te tanto. Odeio-te por te amar tanto...

quarta-feira, outubro 11, 2006

Não quero!

Não te quero perder

Apertado, perdido. Enfim, só...
O que eu escrevo não rima. Porquê?
De onde vêm estas palavras?
Do meu coração não são porque ele está contigo...
Dei-to para ter a certeza que voltavas e não me deixavas morrer....
Não, não te quero perder.
Mas se o vento te levar para outro lado, fica com ele pois não mais o vou precisar...
Apenas ficará o vazio. O vazio que um dia tu preencheste.
E um dia voltará a nascer um coração... Mas não será como o primeiro, porque esse será sempre teu...

Não sei...

Não sabia o que escrever... Portanto escrevi-te isto.
Não sei se é pouco ou muito, nem sei de onde me vem.
É algo que me consome lentamente, e eu sei... Sim eu sei...
Eu sei...
Ou não saberei coisa alguma?
Estou confuso!
Mas não te quero confundir a ti... Tu és inconfundível, única...pelo menos a meus olhos... A partir deles tenho a certeza que és só minha...
Não sabia o que escrever... Portanto escrevi-te isto... Tudo começou assim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Sem comentários

Escrevo no dia em que a tristeza me invade a alma...
Tentei afastar-te do coração (sem resultado), para evitar prender-me nas amarras do amor, suspeitando sempre da felicidade que me assustava sempre que partilhava da tua companhia. Bom demais, demasiado perfeito num mundo fechado só para nós e construído por nós. As horas são minutos ao teu lado, mas os dias transformam-se em anos quando separado de ti.
Não espero viver todos os dias no sonho, porque simplesmente não é possível, mas espero lutar contigo para construir um presente cheio de coisas boas, cheio de carinho e AMOR... e viver as turbulências sempre com uma certeza: AMO-TE

segunda-feira, outubro 02, 2006

terça-feira, setembro 12, 2006

Nunca estiveram tão perto...

Time is a jailer

No one can hear me, 'cause no one is around But I still hear your whisper in the dark I know I can go, I know I can leave when ever I please But time is a jailer for me A face in the window, looking inside But no one else sees it, I know And now that you've found that the years have changed What the ending will be Time's just a jailer for me I shut out the light Alone in the dark This time of night Is the hardest part I still hear the sound of your heels on the floor I wait for the sound of your key in the door But it's only the sound of nothing at all and so it must be

Aguardo-te

Aguardei-te,
Quando o sol se foi.
No primeiro abraço da noite.
Aguardei e guardei,
Junto do desejo essa ansiedade,
Que amarra as horas,
Pesando o momento que se arrasta,
Na expectativa dos teus lábios.
Aguardei-te.
Durante a queda da madrugada,
abraçado a um sentimento,
De esperança disfarçada.
O unguento certo
Para o espaço sem nada.
Que dói, sempre, no momento da certeza
Que não vens.
Mas, mesmo assim aguardo-te.
Porque esse vazio
Só faz dizer-me,
O quanto preciso de ti.
Então, e insistentemente;
Aguardo-te.

quinta-feira, junho 08, 2006

Vingo com versos
os dias em que a tristeza me não deixou fazer nada
e há sempre tanto por fazer…
escrever um livro, ouvir,
falarem desta poesia que me é sempre mais estranha do que qualquer outra
se dela falo a própria vida
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Vingo com versos
o vento que vai afastando o verão
e segue o tempo e o homem que nunca fui
senão a pensar que só vive nestas páginas
traz na mão um ceptro de palavras futuras
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Mas vingo primeiro
as vozes azuis junto à praia
onde sonhei poder ter-te
e sei que jamais saberei a verdade
que seria desconhecer teu rosto
primeiro moreno depois de todas as cores
onde te vi e te quis
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
E vingo esperar pelo teu amor
à porta deste coração que nunca viste
mesmo quando o mar me abraçava
e devorava de beijos e tinhas ciúmes
que hoje todas to retribuíram
pelo menos um beijo àquele que amam sem
que deixem de sentir ciúme
desse ciúme mais antigo
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Vingo quem hoje do belo não tenha um corpo
e abra este livro e me ajude
a cravar os versos no teu rosto
julgando esta vida mais estranha do que qualquer outra
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar.

Desconhecido

quinta-feira, junho 01, 2006

domingo, maio 14, 2006

CONFIDÊNCIAS

Liguei para Ele do telemóvel quando caminhava pelos locais que marcaram o nosso amor. Como não atendeu deixei uma mensagem no gravador. Sussurrei-lhe os meus desejos na esperança que Ele escute as minhas preces. Há muito que mendigo um rumo diferente na minha liberdade, para que a existência do "eu" inconstante que tenho dentro de mim seja premiado com um generoso significado.
Não pretendo espaço ou tempo que limite os dias que sonho passar novamente a teu lado. Quero luz, muita cor e uma leve tempestade que agite os dias que tenho passado sem ti...
Se for preciso, corro atrás de borboletas nos momentos em que estou longe da Terra, desde que tenha a garantia de que, acordado, possa escapar da terrível inimiga que é a solidão. Não é a primeira vez que grito por uma nova morada e não será a última. A resposta pode tardar, mas acredito que Ele não falha. Se ele não m atendeu, é porque está ocupado em fazer a felicidade de mais alguém. Que seja a tua, pois certamente me deixará feliz também!