quarta-feira, setembro 28, 2011

I carry your heart with me

I carry your heart with me (I carry it in my heart)

I am never without it (anywhere I go you go,my dear; and whatever is done

by only me is your doing,my darling)

I fear no fate (for you are my fate,my sweet)

I want no world (for beautiful you are my world,my true)

and it's you are whatever a moon has always meant

and whatever a sun will always sing is you


Here is the deepest secret nobody knows

(here is the root of the root and the bud of the bud

and the sky of the sky of a tree called life;which grows

higher than the soul can hope or mind can hide)

and this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (I carry it in my heart)

segunda-feira, setembro 26, 2011

Despedida...


"(...)e assim a trato, pela última vez, de meu querido amor da minha vida, sem desespero, sem violências passionais, sem a voz embargada, sem recriminaçÕes, sem pressÕes de qualquer espécie, exausto e sem quaisquer expectativas, mas com a total, desolada e solitária naturalidade de esse amor ter sido verdade, a verdade mais funda, mais abaladora,mais importante e mais decisiva da minha vida, e procurando
fazê-lo também sem saudades lancinantes, o que me está a custar os olhos da cara, não lho escondo."

Não me apagues do teu coração

Não tem sido nada fácil encontrar-te, apesar da tão pouca distância que nos separa…

Os meus erros sucedem-se, como se estupidamente de hábitos normais de tratassem. Mesmo contrariando aquilo que parece ser um mau presságio, queria que soubesses que tens tudo o que preciso para ser feliz…

Desde que te conheci, sou apenas um pouco de ti. Um pouco de ti que amo com toda força da minha alma. Um pouco de ti que é tudo para mim...

Sozinho dentro desta noite, assim como estive sozinho nesta tarde cheia de murmúrios e tristezas, porque não te tenho ao meu lado e não consigo esquecer os teus olhos tristes de desilusão….
Agora estou só... com a saudade… e eu não sabia que a saudade doía tanto. Olho para as estrelas e imploro que leve até ti esta saudade, para que sintas e também desejes estar nos meus braços.
Não há certezas de que as atitudes estúpidas que marcaram o nosso percurso não voltem a acontecer, mas há sentimentos que se mantêm e evidências que não consigo apagar. Querer-te para mim é, sem dúvida, a maior delas.

Sei que essa dor não é fácil de apagar, que não mereces sequer um pingo desse sofrimento… mas tudo farei para que o brilho dos teus olhos regresse, e o amor esqueça tudo o que de mau se passou…

Por isso te peço para não me apagares do teu coração.

De ti... para mim

Já passaram dias e dias desde que nos separámos, mas é como se já tivessem passado meses ou horas, não sei bem...


Desde que fiquei sem ti, mergulhei numa letargia surda, porque há dias que, simplesmente, não tenho mesmo forças para ver o mundo e viver nele... Deixo-me arrastar pela imposição da própria vida, mas sem qualquer vontade de fazer o que quer que for.

          À noite, precisamente na hora em que a lua se impõe, não consigo adormecer na tua ausência e não deixo de me interrogar o que estarás a fazer... Para enganar a tristeza tenho lido vários livros (um deles que pretendi partilhar contigo) e tento viver a vida das personagens desses livros, porque a minha já não tem qualquer sentido! E, no momento, em que sou vencida pelo sono e as letras das histórias começam a ficar enevoadas, o meu pensamento viaja novamente até ti, sussurro baixinho “boa noite, Rxx Xxxxxx” e agarro-me à almofada, imaginando que os teus braços me envolvem num sono profundo...

Os mais diversos pensamentos invadem-me a cada instante... Penso que a distância talvez nos aproxime, como sempre faz às pessoas quando elas têm alguma coisa para dar uma à outra. Mas a verdade é a incerteza se me queres dar alguma coisa...

          Mergulhei profundamente numa apatia, de forma voluntária, e só desta acordei nos dias em que os meus olhos encontraram novamente os teus, mas voltaste a repetir todas aquelas palavras, que tanto e sempre me magoaram... Às vezes, levanto os olhos e procuro os teus, na esperança que estes respondam ao meu sentimento mais íntimo, ecoando o que me vai no coração... Mas continuas indiferente a quase tudo, inexpugnável na tua auto-suficiência, justificada pela razão e por algumas ideias feitas, que o tempo e a vida se encarregarão, de um dia, de desfazer. Vives num egoísmo, muito próprio, que defendes como filosofia de vida e como bem mais precioso...

          Sabes, custa-me aceitar que te tornaste num ser tão frio... porque já quase não reconheço aquele ser que me amou, com o corpo, o espírito e o coração. Vivi nesse coração, fiz parte desse estreito núcleo que te fez estremecer o sangue a ponto de o abrir... E, deve ser por isso que, quando o fechaste com a frieza de quereres seguir em frente, quase sem olhar para o que deixaste construído, à espera que as raízes se cortem ou voem como a inconsistência de uma brisa perdida, o estrondo ficou a ecoar dentro da minha cabeça, instalado em todos os meus sentidos, sem conseguir ainda perceber porquê.

Acordo todas as manhãs com este zumbido, cansada de me convencer que, apesar e acima do teu individualismo estava a tal inevitabilidade a que nos submetemos e chamamos amor, pensei que, com todo o amor que sentia por ti te iria suavizar e de alguma forma fazer parte do teu equilíbrio, tornando-me subtilmente indispensável.

Eu nunca me deixei de levar por essa inevitabilidade, submetendo-me a tudo o que depois se seguiu e, continuei a nutrir por ti o amor de sempre. Um amor total, gratuito, espoliado, com o corpo, o pensamento e o coração. Um amor quase visceral, tão certo, tão evidente que nem por um instante, a partir do momento em que te afastaste, eu duvidei que estava ali a certeza, o sabor e a essência do amor.

Voltei a cair nos teus braços, numa proximidade quase irreal, como um sonho vivido, dissolvi-me no teu olhar e os nossos corpos encontraram a comunhão de tantas vezes. Senti a alquimia a crescer novamente, estremecendo-me a alma. Saboreei os teus regressos como momentos eternos e irrepetíveis...

Hoje, sou novamente inundada pelas lágrimas, que escorrem como um rio, esse “rio” da canção do Camané em que a mentira tem sabor de verdade, esse rio que corre para o mar e me faz viajar até ti!

Mas tu preferes viajar para longe de mim, correr num rio contrário que não tem como fim o mar, não tens a sede desse mesmo rio, feito das minhas lágrimas pela ausência dos lábios desse rio.

          Queria tanto esquecer o teu cheiro, que ainda vive nas almofadas, as noites partilhadas e abraçadas, os teus olhos adoçados por um sentimento que não sei bem definir e o teu doce toque que me faz estremecer o corpo e deixar-me envolver em ti!!!

          Estou cansada. Cansada e triste. Cansada de me sentir triste. Triste de me sentir assim. E o pior é que vivo há muito tempo nesta dor, na dor da tua ausência ainda que presente. Não sei quando, nem como vou conseguir libertar-me de ti e limpar-te da minha memória sem, contudo, te apagar do meu coração. Sei que tudo tem um fim e que o sofrimento também, mas neste momento só sei que não consigo viver sem ti... Se ao menos tivesse essa força, se ao menos pudesse esquecer-me de mim, porque só assim - penso eu, na minha viagem ao fundo da minha própria dor, para ver se a mato - conseguirei apaziguar-me dentro do meu peito e continuar a gostar de ti com a mesma doçura e encanto, como a primeira vez que os meus olhos te encontraram no silêncio, ao som do piano e no pôr-do-sol.

          E, é nesse pôr-do-sol que tantas vezes te procuro, como te procuro nas nossas fotografias, no dicionário que me ofereceste, em todos os lugares repartidos – são sempre infinitas as formas que arranjamos para nos sentirmos perto daqueles que amamos. Por isso é que, no teu sono profundo, as minhas mãos procuraram guardar cada pedaço teu, enquanto te acariciava o rosto, os cabelos, a barba por fazer, as linhas suaves e fortes do teu corpo.

Desculpa, se ainda procuro um sinal ténue, mas persistente, que me revele que de alguma forma te manténs ligado a mim e que talvez ainda me ames e me queres...

          Tu continuas a afirmar que o nosso amor vive na inviabilidade e na impossibilidade... Como se tu soubesses e tivesses acesso a verdades absolutas... A piada da vida está na tentativa e não na certeza de não tentar! Dizes “não tenho nada para te dar”, para me tentares convencer que devo prosseguir o meu caminho sem ti. Mas quando adormeces nos meus braços, e me prendes no teu corpo, nem imaginas o quanto me dás. Quando me olhas, como só tu me sabes olhar, quando me tocas como só tu sabes tocar, quando repartes comigo os teus pensamentos, a tua vida, as tuas músicas, o teu sorriso, nem imaginas o quanto me dás... E eu só queria isso...

          Ainda assim, sei que preferes viver no individualismo, com a tua alma baseada na liberdade e eu entendo-te, sim, entendo-te! Pois essa alma já se fundiu com a minha e sempre que olho para o interior do meu ser, vejo-te lá e, por isso, é que eu te entendo!

          Acredita, que tento todos os dias enchê-los sem ti, mas em vez disso, contemplo-os como se não fosse eu a vivê-los, na esperança que o tempo passe, sem eu mesma entender aonde é que ele me leva. Repito em surdina que tenho que aprender a viver sem ti, ou pelo menos aceitar isso. E vou ter que aprender a conjugar este último verbo em todos os tempos e modos, para aceitar que já me amaste, que nada é eterno e muda, que a vida é feita de momentos e que te devia estar grata por todo o amor que me deste, pela tua frontalidade e sinceridade. Aceitar a perda e ausência daquele que tanto amo... Amar alguém é deixá-lo partir, olhar o céu e ver na dança da lua um momento qualquer em que talvez voltes, sem nada pedir, nem nunca esperar.

          Não posso deixar de te reviver na minha memória e sonhar que me abraças e me dás um daqueles beijos, pois, doutra forma, Rui, vou enlouquecer e esquecer o prazer que é sentir a leve brisa tocar nos fios do meu cabelo e o calor do sol aquecer o meu corpo.

          Talvez um dia... um dia eu possa viver doutra forma. Talvez o tempo, a vida ou as circunstâncias da mesma me libertem de ti. Mas, neste preciso momento, prefiro viver assim, imaginando o teu regresso eterno e irrepetível, encolhendo os ombros à vida e fingindo que não desisto dela, numa esperança infindável.
Um beijo doce

domingo, setembro 25, 2011

Só demasiado tarde o começei a ler... sim...o Amor

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

Oi Princesa….

Sinto tanto a tua falta que decidi passar perto da tua casa para tentar respirar um pouco mais a tua presença e assim enganar as saudades… ou então não, vim apenas tentar espreitar o teu dote (com ou sem farol) e imaginar longos passeios com a minha tinhosa ao lado a gritar: -  “AI QUE MEEEDO!!!!”



A verdade é que este desabafo tem um propósito muito sério. Vou revelar-te um segredo: ESTOU COMPLETAMENTE APAIXONADO POR TI!   



Não que esse estado de alma não me acompanhasse há já MUITO TEMPO, mais do que tu e eu imaginamos, mas a grande revelação(!!) concentra-se no facto de não ter mais receio desta condição, de assumir uma postura digna de quem quer partilhar os melhores e os piores momentos da vida ao lado de uma mulher FANTÁSTICA como tu! Nem sempre soube encarar e lidar com a situação da melhor maneira, mas prometo-te, uma vez mais, hoje e SEMPRE uma vontade imensa de AMAR cada pedacinho de ti, quer o sol brilhe ou o céu esteja “forrado”…



Quero sentir-te diariamente a meu lado, adormecer no teu corpo e amanhecer nos teus olhos…




A graça do teu sorriso,

Tua maneira de olhar,

Com carícia e com valor,

São tudo o que preciso

Para poder repousar

No porto do teu amor!



Era tudo isto e um pouco mais que queria desabar contigo, mas acima de tudo, estou LOUCO para te ABRAÇAR!!!



AMO-TE, tinhosa (da minha BIDA)

sexta-feira, setembro 23, 2011

Que parvo fui...

Lindo:

Eu sei que estás doente e, como tal, mal disposto! E, eu em vez de ajudar, ainda que fosse a minha intenção, não entendi a tua posição. Por isso te peço desculpa e apelo à tua compreensão. A verdade é que fui um pouco egoísta, pois queria a tua atenção, quando tu, estás mal e sem vontade de fazer nada. Peço perdão por te ter chateado... Tenta entender que tenho muitas saudades tuas e dos teus mimos...

                                               Beijinhos doces

Meu Amor era de Noite



"É natural que, depois de eu ter ficado tanto tempo a desesperar-me e a pensar sozinho, me tenha decepcionado e amargurado ainda mais. e depois de três horas de viagem a remastigar a nossa vida, ainda é mais natural. e não queria magoá-la, meu querido amor da minha vida, mas tenho de dizer-lhe que vou começar hoje a despegá-la de mim, a descolá-la da minha alma, a arrancá-la de tudo aquilo que tenho sido nos últimos meses, depois de ter aguardado, por muito tempo, ao pé do telefone, horas, horas e mais horas terríveis, e em vão, um sinal seu, de desespero, de paixão, de ter mudado subitamente de ideias, sei lá, de querer vir-se embora.eu tê-la-ia ido buscar, ou teria ido ter consigo ao fim do mundo, não necessariamente com a veleidade de ficar junto de si, mas apenas para a mudar de lugar. bastava que me tivesse feito esse sinal, por mínimo, a qualquer hora do dia ou da noite. ainda esta noite. mas como ele não veio e, tudo ponderado, creio bem que, se algum viesse, não teria tido esse sentido, antes teriam sido sentimentos de piedade ou semelhantes a motivá-lo, acho que compreenderá que eu não aceito esmolas nem bons sentimentos "em vez de"

quinta-feira, setembro 22, 2011

Oi...

Porque é mesmo assim. Porque preciso conversar comigo, mas também contigo para esta mágoa que me consome se transforme em resignação, em aceitação, calma... Que se apague a tristeza da memória.
Mas que jamais se esqueça o que fomos. Jamais se confunda o aroma da tua pele antes do primeiro beijo que trocámos naquela sala. Que nunca se apague o brilho no nosso olhar quando hesitámos um amor tão intenso que não irei igualar a não ser contigo.

quarta-feira, setembro 21, 2011

Por mim.

Hoje finalmente tenho coragem para escrever. Há muito que o reprimo. Como os pensamentos, pesados e tristes que me invadem sempre que paro num sinal vermelho. Em tudo há pedaços teus. Na roupa que uso, nas estradas que corro, no mar que mergulho. Em tudo há memórias de nós. E é esse agridoce de sensações que não me deixa partir.

Li-o hoje... e pensei em ti...

"O teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são fortes e robustas, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre o odor a maresia.

entro nos corredores da vida para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim."

quarta-feira, julho 20, 2011

Quatro tiros no coração

(...) Nunca o amor tocara o seu corpo
com a intensidade do medo
tornou-se parte de um rio
nem perto, nem longe
da palavra justa


Ele só pedia
"não me digam nada"

A direcção do sangue

Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração


terça-feira, abril 12, 2011

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia

Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,

Que há no vasto clamor da maré cheia,

Que nunca nenhum bem me satisfez.

E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia

Mais fortes se levantam outra vez,

Que após cada queda caminho para a vida,

Por uma nova ilusão entontecida.





E se vou dizendo aos astros o meu mal

É porque também tu revoltado e teatral

Fazes soar a tua dor pelas alturas.

E se antes de tudo odeio e fujo

O que é impuro, profano e sujo,

É só porque as tuas ondas são puras.

quarta-feira, março 16, 2011

Apenas as lembranças

“Podes levar tudo menos as lembranças,

Peço-te, eu que não sou um poeta do amor,

eu que sempre fui pudico ao nomear os sentimentos.

Há coisas que nunca podem chegar a ser ditas,

ainda que sejam sentidas até ao desespero das lágrimas.

Essa pertencem ao coração e não à escrita,

e não há álcool nem lume que as apague,

que as consuma, que as devore. São as coisas abissais

e absolutas que não se resolvem como teoremas

ou equações de entreter a quadrícula das páginas.

Se quiseres, eu apago a luz para não me veres chorar,

eu que há muito esqueci como se chora,

eu que sequei todas as lágrimas nos gélidos mistérios

da aflição das noites, nos simulacros.

Poupa as lembranças como se poupasses

os corais ou as anémonas na última viagem

até ao casulo da profundeza do mar.

Poupa-me, poupando o resto de mim

no pouco que sobra de nós. Não insistias.

As cegonhas vão e voltam, os corvos salpicam

de tinta nocturna o ilusório sossego das tardes.

Nenhuma porta se fechará à tua passagem,

porque eu já não sei amar, porque eu desisti

de me deixar amar. Que fiquem apenas as lembranças,

oferendas prometidas à felicidade que se esquiva.”

terça-feira, dezembro 28, 2010

Talvez...

"O melhor para ti é que duvides até da sinceridade do meu amor, que tenhas a certeza de que era falso; que não saibas já se eu alguma vez deitei a cabeça nos teus joelhos ou se apenas sonhaste que assim foi. É preferível que não te iludas, que não esperes que tudo venha a ser como então, como se nada houvesse sucedido e eu não fosse o canalha que não quiseste ver em mim. Será melhor assim.
Ainda que eu saiba que te amei de facto e o quanto quis poder ficar, para sempre, aninhado no colo morno dos teus joelhos, fingindo que dormia, sentindo o gomo dos tus dedos traçar arabescos leves entre a escova mole dos meus cabelos. O mais certo é que te convenças de que o meu ciúme não era mais do que um exercício de posse, coisa de machos, mesmo que me suceda ainda acordar de noite com as costas molhadas, amordaçando um soluço, por sonhar que não é a minha cabeça que tens pousada nas pernas e que, mesmo assim, sorris com o teu sorriso breve enquanto afagas a cabeça desse que não sou eu."

quarta-feira, novembro 03, 2010

Eugénio de Andrade




Entre os teus lábios

é que a loucura acode,

desce à garganta,

invade a água.



No teu peito

é que o pólen do fogo

se junta à nascente,

alastra na sombra.



Nos teus flancos

é que a fonte começa

a ser rio de abelhas,

rumor de tigre.



Da cintura aos joelhos

é que a areia queima,

o sol é secreto,

cego o silêncio.



Deita-te comigo.

Ilumina meus vidros.

Entre lábios e lábios

toda a música é minha.






































Estar em mim

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

terça-feira, outubro 19, 2010

Sem ti.

A noite passada

Foi somente mais uma noite.

Sem luar,

Sem arte,

Sem poesia,

Sem ti.

Volta!

Volta até mim no silêncio da noite

a tua voz que eu amo, e as tuas palavras

que eu não esqueço. Volta até mim

para que a tua ausência não embacie

o vidro da memória, nem o transforme

no espaço baço dos meus olhos. Volta

com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário

vestido com a mortalha da névoa; e traz

contigo a maré da manhã com que

todos os náufragos sonharam."

quarta-feira, outubro 06, 2010

O Gato

Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.

Tiago Bettencourt & Mantha - Só Mais Uma Volta



Só mais uma volta

Só mais uma volta a mim

Só mais uma volta desta ninguém vai cair

Só mais uma vez que vês que ninguém está aqui

Queres só mais uma volta desta ninguém vai cair



Tempo frio afasta o tempo que nos afastou

Primavera lança o laço que nos amarrou

Tempo quente dá vontade de não resistir

Vai só mais uma volta desta ninguém vai cair



E ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr

Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.



Diz-me ao que queres jogar que eu vou querer também

Diz-me quanto queres de mim para te sentires bem

Não te vejo bem ao longe não sei distinguir

Queres só mais uma volta e desta ninguém vai cair



Ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr

Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.



Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom

Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou

Já não sinto nada dentro não sei perceber...

Vai só mais uma volta, desta ninguém vai dizer.



Ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr

Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Saudade

Tenho preguiça de tudo que inclua tua falta

há um mundo inteiro lá fora

um mundo inteiro pela metade na tua ausência

no dia económico em palavras e vontades

só é completa a saudade.

quarta-feira, setembro 01, 2010

I carry your heart with me

I carry your heart with me (I carry it in my heart)

I am never without it (anywhere I go you go,my dear; and whatever is done

by only me is your doing,my darling)

I fear no fate (for you are my fate,my sweet)

I want no world (for beautiful you are my world,my true)

and it's you are whatever a moon has always meant

and whatever a sun will always sing is you



Here is the deepest secret nobody knows

(here is the root of the root and the bud of the bud

and the sky of the sky of a tree called life;which grows

higher than the soul can hope or mind can hide)

and this is the wonder that's keeping the stars apart



I carry your heart (I carry it in my heart)

Os Livros

em cada página, o teu olhar, em cada montanha,

a tua voz, deixa-me falar contigo. lembro-me

tão bem de tudo o que me disseste.



as palavras existem. eu quero encontrar-te

sempre, em cada noite, sobre a mesa de papéis

desarrumados onde desarrumo a nossa vida.



em cada página, os campos, em cada montanha,

tu a chamares-me, as páginas são, outra vez,

o dia em que nasci. lembro-me tão bem de tudo.



passam anos sobre as palavras. os dias existem.

seguro os livros como se segurasse a tua voz

e, quando alguém diz o teu nome, eu continuo a responder.



In, “A Casa, a Escuridão”



um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,

acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.



e a luz compreenderá a impossível compreensão o amor.

um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for

tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada

de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da

nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso

será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi

nem uma palavra, nem o principio de uma palavra, para não estragar

a perfeição da felicidade.



In, “A Criança em Ruínas”

Gargalhada

"Quando me disseste que não mais me amavas,


e que ias partir,

dura, precisa, bela e inabalável,

com a impassibilidade de um executor,

dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...

Mas olhei-te bem nos olhos,

belos como o veludo das lagartas verdes,

e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,

tive pena de ti, de mim, de todos,

e me ri

da inutilidade das torturas predestinadas,

guardadas para nós, desde a treva das épocas,

quando a inexperiência dos Deuses

ainda não criara o mundo..."

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos

se ter formado o afago

sem termos sido a cidade

nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor

nem o interior da erva.



Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda.

quinta-feira, junho 17, 2010

Chove... no meu peito

As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudades

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir



Há gente que fica na história

da história da gente

e outras de quem nem o nome

lembramos ouvir



São emoções que dão vida

à saudade que trago

Aquelas que tive contigo

e acabei por perder



Há dias que marcam a alma

e a vida da gente

e aquele em que tu me deixaste

não posso esquecer



A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Já eu percorrera



Ai... meu choro de moça perdida

gritava à cidade

que o fogo do amor sob chuva

há instantes morrera



A chuva ouviu e calou

meu segredo à cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade

sábado, maio 15, 2010

Telepathos

"(...)Em mim há todas as contradições - e só assim se explica que te deseje com este excesso que a distância torna em ferida e ao mesmo tempo com todo o amor e ódio de todos so homens por todas as mulheres, amor feito desta intensa espera de te penetrar e redescobrir, mas também de angústia, receio do definitivo; de infinita ternura, mas também de pânico, ou de espanto da abertura para a morte que é a aniquilação no outro.
Agora posso dizer-te, agora sim, como te quero. Corres-me no sangue, sinto-te na língua, nas mãos, no sexo, no cheiro, nas contracções do estômago, no tremor de todo o corpo, arredondas-te na noite que me envolve, reconheço-te até no tempo em que não te conhecia, na aspereza dos chaparros e no seu drama, na lua cheia de Outono, cor-de-laranja, nas folhas pisadas como as tuas pálpebras, sinais de ausência, lareira de veludo (tão longe!) montanha chaga que não se deixa escalar.(...)

quarta-feira, abril 21, 2010

Efeito secundário (lado B)

O acto simples de estender a mão na luz e tocar-te

irá coincidir com os meus dedos a transformarem-se

em cores, nuvens de pó lançadas no ar. Esse será o

primeiro efeito da magia. Chamar-lhe-emos magia

por causa das crianças, mas saberemos que, em rigor,

será apenas uma ilusão. Talvez seja nesse instante

que os lábios começarão a fazer o playback de todo

o silêncio, como um beijo antigo, gravado noutro

disco. O efeito secundário dessa fotografia, desse

postal, desse pôr-do-sol, será um bombardeamento

de planos para o futuro, filhos em projecto, iremos

escolher mil nomes para menino, mil nomes para

menina, iremos perder tempo a pensar nos nomes

que daríamos se fôssemos ingleses, americanos, e

falássemos em inglês, americano, como as pessoas

felizes e garridas dos filmes de domingo à tarde

no primeiro canal, ou franceses e chatos, como as

pessoas tristes dos filmes de segunda-feira à noite

no segundo canal. O primeiro efeito desse instante

será um ardor à volta dos lábios ou a repetição da

guerra do Vietname, da mesma maneira que um

ciclone na China faz uma borboleta bater as asas

e pousar-me involuntária entre os olhos, asas como

óculos de cor, nuvens de pó lançadas no ar, ou

como esperança apregoada nas ruas por multidões

indecisas, confusas, incertas, frágeis, feitas de

homens humanos, mulheres humanas e crianças-

-crianças, futuros homens e futuras mulheres,

prontos a repetirem todas as nossas dúvidas e todas

as vezes que olhámos o horizonte. E talvez o seu

melhor momento seja um espelho estragado, um

penteado definitivo ou a constatação humilde

de não serem mágicos, mas ilusionistas, donos

de um espectáculo honesto, como nós agora

a sermos o efeito principal e secundário de tudo

o que chega a nós, de tudo o que parte de nós,

de tudo o que nos ignora, nos transcende e nos

lança pela eternidade a partir do instante simples

em que estendo a mão na luz e, simples, te toco.

Já fui...

Já fui amante
Do teu poema
E viajante
No pensamento
Sou navegante
Mas vale a pena
Ser eu cantante
Do próprio vento.

Sei de um rio

Sei de um rio, sei de um rio

Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas

São as luzes da cidade

Sei de um rio, sei de um rio

Onde a própria mentira tem o sabor da verdade

Sei de um rio…

Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio

Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua

E a minha boca até quando ao separar-se da tua

Vai repetindo e lembrando

Sei de um rio, sei de um rio

Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio

Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua

E a minha boca até quando ao separar-se da tua

Vai repetindo e lembrando

Sei de um rio, sei de um rio

Sei de um rio, até quando



Pedro Homem de Melo – Alain Oulman
in Sempre de Mim, 2008

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Meet Joe Black

"Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back. And how do you find him? Forget your head and listen to your heart. I'm not hearing any heart. Run the risk, if you get hurt, you'll come back. Because, the truth is there is no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love - well, you haven't lived a life at all. You have to try. Because if you haven't tried, you haven't lived."

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Café e Maionese

Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavrapegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolasde golfe.A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".O professor pegou então uma caixa de fósforos e despejou dentro do frasco.Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as Bolas de golfe.O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e elesvoltaram a responder que "Sim".Logo, o professor pegou uma caixa de areia e a despejou dentro dofrasco.Obviamente que a areia preencheu todos os espaços vazios e o professorquestionou novamente se o frasco estava cheio.Os alunos responderam-lhe com um "Sim" retumbante.O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frascoe preencheu todos os espaços vazios entre a areia.Os estudantes riram-se nesta ocasião.Quando os risos terminaram, o professor comentou:"Quero que percebam que este frasco é a VIDA.As bolas de golfe são as coisas importantes, como Deus, a família, osfilhos, a saúde, os amigos, as coisas que vos apaixonam".São coisas que mesmo que perdessem tudo o resto, a vossa vida ainda estariacheia.Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, carro,etc.A areia é tudo o resto, as pequenas coisas."Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para osfósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida!Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas,nunca teremos espaço para as coisas que realmente são importantes.Prestem atenção às coisas que realmente importam.Estabeleçam as vossas prioridades, e o resto é só areia!"Um dos estudantes levantou a mão e perguntou:- Então e o que representa o café?O professor sorriu e disse: " Ainda bem que perguntas!isso é só para lhes mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possaparecer, sempre há lugar para tomar um café com um amigo".Quando as coisas da vida te parecerem demasiadas, lembra-te do frasco demaionese e café.VAI UM CAFÉ?

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Saudade...

Saudade é não saber de ti.
É sentir-te sem poder.
É acordar e ter certeza que não vais estar ali.
Olhar para nada sem saber nada.
É querer voltar num tempo que já não existe ...
Querer teus beijos, teu olhar,
e ter certeza que não são mais meus.
Saudade é o muito que ficou de ti dentro de mim,
é aquilo que nunca talvez saibas.
Saudade é não ter quem se ama perto
e de repente eu mesma não me bastar
e arrastar uma solidão infinita
olhar.. e olhar.. e não te ver...
não te ter.....
Saudade é procurar fugir para todos os lugares
é tentar parar o pensamento
e encontrar outro pensamento
e querer não chorar quando oiço uma música que era parte de ti
É querer que o tempo volte
e que talvez nada tenha existido
para que não existisse agora esta dor horrível
ou talvez que tudo tivesse existido
para que sempre houvesse o que recordar
Saudade...
é o que sinto de ti....."

No teu corpo...

A graça do teu sorriso,
Tua maneira de olhar,
Com carícia e com valor,
São tudo o que preciso
Para poder repousar
No porto do teu amor!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

É muito bom e faz muito bem!

Sair de nós.
Cair nos outros.
Não escrever.
Ler.
Não pensar.
Lembrar.
Os amigos quietos.
O murmúrio do riso que riram.
A família parada.
O colo ondecabe a cabeça.
O amor adormecido.
Estas coisas acordam.
E sossega saber quenós não somos nada sem eles.
E mesmo com eles, quase nada.
Escravos decarinhos somos nós, seguindo atrás, de braços abertos, numa fila sem fim.
É muito bom e faz muito bem.
Sair dos trabalhos, do dinheiro, das palavras que nada querem ou conseguemdizer.
Fazer gazeta.
Faltar.
Desobedecer.
É um trabalho também.
Não ir.
Não responder.
Não entregar.
É cumprir também.
Desmergulhar.
Desfazer.
Desacontecer.
São tarefas também.
Ainda mais difíceis, talvez.
É muito bom e faz muito bem.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Lost

I can’t believe it’s over
I watched the whole thing fall
And I never saw the right man
was on the wall
If I don’t land
Days were slipping past
That the good things never last
That you were crying
Summer turned to winter
And the snow it turned to rain
And the rain turned into tears upon your face
I hardly recognized
the girl you are today
And god
I hope it’s not too late
It’s not too late
‘Cause you are not alone
I’m always there with you
And we’ll get lost together
Till the light comes pouring through
‘Cause when you feel like you’re done
And the darkness has won
Babe, you’re not lost
When your worlds crashing down
And you can’t bear to fallI said,
babe, you’re not lost
Life can show no mercy
It can tear your soul apart
It can make you feel like you’ve gone crazy
But you’re not
Things have seem to changed
There’s one thing that’s still the same
In my heart you have remained
And we can fly fly fly away
‘Cause you are not alone
And I am there with you
And we’ll get lost together
Till the light comes pouring through
‘Cause when you feel like you’re done
And the darkness has wonBabe,
you’re not lost
When the worlds crashing down
And you can not bear to crawl
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost

quarta-feira, outubro 31, 2007

Ama-me assim

Ama-me assim,
com a ternura toda tua,
ama-me de longe assim,
como o sol ama a lua...
Ama-me assim,
presente,
com amor sempre crescente,
mas ama-me com jeito,
suavemente...
Ama-me de verdade,
com carinho e com vontade
Ama-me assim...
Pra que quando se for,
eu possa te amar na saudade!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim,
Que nada neste mundo
Levará você de mim,
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
E todo grande amor
Só e bem grande se for triste

Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com o luar
Assim, como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor
Não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você.

Assim como o oceano
Só é belo com o luar
Assim, como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor
Não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Os teus olhos

Os teus olhos que me seguem
Que me acompanham onde estou,
Os teus olhos que me prendem
Ao resto do que sou.
Os teus olhos que me sentem
Na distância desmedida,
Os teus olhos que não mentem
A esperança perdida.
Os teus olhos que eu fiz chorar
Nas noites de solidão,
Os teus olhos que de esperar
Foram tapados pela mão.
Os teus olhos que se cansaram
De por mim tanto sofrer,
Os teus olhos que me amaram
E que eu vim a perder.
Os teus olhos amados
Não são o que eram,
Os teus olhos de cansados
Por mim já não esperam.

terça-feira, setembro 25, 2007

PERFEITO AMOR

Se você não navega em meu mar
Se desconhece meus mistérios
Se você é ar e eu sou água
Eu junto o céu e o mar
Eu subo aos céus para te encontrar.
Eu me entrego a ti
Mesmo que as diferenças
Não me façam sorrir...
Mesmo que muitas vezes
Não possas me acompanhar,
Pois sei que somente abraçados
Poderemos voar.
Luz do meu caminho
Anjo que veio me salvar...
Deita cabeça no meu peito
Pois é contigo que vou ficar.
Amor que rege minhas tormentas
Desgoverna meus mares
Senhor do meu destino
De todos meus amores.
Amor que tanto busco
Amor que nos teus braços encontro.
Refúgio dos meus sonhos
Fortaleza de minh’alma.
Lágrimas derramas em meu mar
Delas eu bebo teu verdadeiro...
Nos teus olhos eu enxergo teu guerreiro
Que me pede para ficar.
Fica então no meu mundo
No meu corpo, vida e cama.
Eu fico no teu, porque sou tua
E minha alma te reconhece e te chama.
Me abraça e me leva
Nosso amor é possível.
Amor de tantas provas
De tantas glórias...
Amor só nosso
Perfeito amor.

terça-feira, setembro 18, 2007

Para Sempre

“Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.”

quinta-feira, setembro 13, 2007

"I wish I could define all the thoughts that cross my mind..."

domingo, setembro 02, 2007

Por Ti, em Ti, por Nós…

Se amar é querermos estar juntos
se amar é sentir saudades
se amar for a busca do carinho
de sentir o calor do teu corpo
das batidas compassadas
de dois corações em harmonia
dos segredos,
das confissões
dos sentimentos em sintonia
então vou morrer a amar-te
desejando-te e buscando-te!
Como poderei não te amar
se a doçura,
o encanto que me dás todos os dias
se te busco,
se me buscas
se encontramos o que precisamos um no outro...
se a carência que existe em mim é a colmatada em ti...
Como não te amar
se me buscas
me acaricias com as tuas fantasias
se quando te sinto perto e me delicio com o som da tua voz...
Como não gostar de sentir tudo isso
se encontro tudo quanto preciso e anseio…
aquela cumplicidade em tudo o que sonhamos...
Fomos feitos UM para o OUTRO.

sábado, junho 30, 2007

Dias maus...

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa

quinta-feira, junho 14, 2007

O Tempo..

O tempo é muito lento para os que esperam.
Muito rápido para os que tem medo.
Muito longo para os que lamentam.
Muitos curtos para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eterno...
shakespeare

terça-feira, maio 29, 2007

Espera-me

Espera-me com tuas mãos abertas, para que delas eu possa sentir o calor de um afago no rosto; espera-me com o teu abraço pronto, para que com ele eu sinta a segurança do retorno; espera-me com teu afecto sem vírgulas ou pausas, com a tua ternura que flui como um sangue inestancável e rega-me os olhos com a fluidez da palavra “AMO-TE”, com a insensatez das entregas impensadas, porém certas como as regras desta vida se mostram depois que tudo termina; espera-me com teu cérebro inquieto, com tua boca desenhada pelo cinzel do artista; espera-me com a tua alma toda e mais ainda com teu coração e teus joelhos e tuas costelas que sinto no abraço, espera-me com uma longa frase sem ponto, interminável como o desejo de te amar enquanto houver mundo.

quarta-feira, maio 16, 2007

Como uma ilha

Tu és todos os livros,
Todos os mares,
Todos os rios,
Todos os lugares.
Todos os dias,
Todo o pensamento,
Todas as horas
O teu corpo no vento.
Tu és todos os sábados,
Todas as manhãs,
Toda a palavra
Ancorada nas mãos.
Tu és todos os lábios,
Todas as certezas,
Todos os beijos
Desejos, princesa.
Como uma ilha,
Sozinha...
Prende-me em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra
Como fogo na mão,
Como vou esquecer-te,
Como vou eu perder-te,
Se me prendes em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra,
Como fogo na mão,
Como vou eu lembrar-te
Se a metade que parte
É a metade que tens.
Tu és todas as noites
Em todos os quartos,
Todos os ventos
Em todos os barcos.
Todos os dias
Em toda a cidade,
Ruas que choram
Mulheres de verdade.
Tu és só o começo
De todos os fins,
Por isso eu te peço
Fica perto de mim.
Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.
Pedro Abrunhosa

quinta-feira, abril 26, 2007

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame E que amando, também seja amado E que se não for, seja breve em esquecer E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos. Não muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância Você sirva de exemplo aos outros. Desejo que, sendo jovem, Não amadureça depressa demais E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor. Desejo que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja E acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba De quantas muitas vidas é feita uma árvore. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você. Mas que se morrer, Você possa chorar sem se lamentar E sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você, sendo homem Tenha uma boa mulher E que, sendo mulher Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes E quando estiverem exaustos e sorridentes Ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer Não tenho mais nada a lhe desejar." Victor Hugo

segunda-feira, abril 23, 2007

Quase

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..."
Mário de Sá-Carneiro

quarta-feira, abril 18, 2007

Não me apagues do teu coração


Mesmo contrariando aquilo que parece ser um mau presságio, queria que soubesses que tens tudo o que preciso para ser feliz…

Desde que te conheci, sou apenas um pouco de ti. Um pouco de ti que amo com toda força da minha alma. Um pouco de ti que é tudo para mim...
Sozinho dentro desta noite, assim como estive sozinho nesta tarde cheia de murmúrios e tristezas, porque não te tenho ao meu lado e não consigo esquecer os teus olhos tristes de desilusão….
Agora estou só... com a saudade… e eu não sabia que a saudade doía tanto. Olho para as estrelas e imploro que leve até ti esta saudade, para que sintas e também desejes estar nos meus braços.
Não há certezas de que as atitudes estúpidas que marcaram o nosso percurso não voltem a acontecer, mas há sentimentos que se mantêm e evidências que não consigo apagar. Querer-te para mim é, sem dúvida, a maior delas.
Sei que essa dor não é fácil de apagar, que não mereces sequer um pingo desse sofrimento… mas tudo farei para que o brilho dos teus olhos regresse, e o amor esqueça tudo o que de mau se passou…
Por isso te peço para não me apagares do teu coração.

quinta-feira, março 08, 2007

Obrigado!

Desde que surgiste no meu caminho, tornou-se impossível para mim imaginar a vida sem a tua presença...
Posso dizer que encontrei o maior diamante do mundo ou a pepita de ouro mais pura. Sou um homem comum, mas iluminado, pela sorte de te ter encontrado e, hoje, no Dia da Mulher, eu só desejo agradecer esta fortuna.
Ao conhecer-te, a minha vida ganhou beleza, paz e pureza.
Tornei-me o ser mais rico do mundo, apoderei-me de algo puro e belo, capaz de me apaziguar a alma, de afugentar todas as angústias, de me dar segurança e eliminar os meus medos.
És a minha bússola, que SUGERE sempre o caminho correcto e mais perfeito. És a minha âncora, que me prendes e me seguras nos recantos da maior harmonia que existe no mundo: os teus braços, os teus ombros, o teu colo.
Neste dia especial, que é o Dia da Mulher, quero reafirmar todo este amor que nutro por ti e dizer, também, que espero nunca me separar de ti!
Amo-te demais!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Verdade

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
e que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

terça-feira, janeiro 16, 2007

Desencontros


15-12-2006
03h17m













Não é propriamente a melhor hora para se dizer o que quer que seja, mas também é verdade que existem alturas em que não conseguimos mais conter o que nos vai cá dentro… e esta é uma delas. Nos últimos dias dei por mim a falar com os meus fantasmas e a única coisas pessoa que não saía do meu pensamento eras tu…
Nem sempre soube corresponder às expectativas, ou “atestar” a veracidade dos meus sentimentos. A vida não nos ensina o caminho certo a seguir, mas pelo menos indica-nos um rumo. O meu conduz-me a ti!
Vivo com medo, porque ele é que me faz temer a tua ausência e a tristeza que passarei na tua falta…
Mas também vivo feliz, porque passo tão bons momentos a teu lado que não estou disposto a abdicar de mais nenhum!

EU AMO-TE!!!
Amo os teus gestos, o teu sorriso, em tudo o que podes ser…
Amo-te por tudo o que me podes ensinar…
Amo te porque és minha alegria de viver... Amo-te porque és a motivação dos meus sonhos (e que sonhos!!!!). Amo-te porque és a saudade constante. Amo-te porque, na verdade, habitas nos meus pensamentos quando os tento afastar... Amo-te porque fazes-me sorrir, viver, amar... AMO-TE PORQUE NOS COMPLETAMOS...AMAMOS, QUEREMOS... Porque me fazes pulsar o coração... Como jamais bateu por alguém... Amo-te porque a tua luz é a luz dos meus olhos O meu caminho a seguir... Um pouco do ar que eu respiro... És um pedaço de mim...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Para matar um grande amor

Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza; a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. Arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. Os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. Falta-lhes exatamente o Dom da finitude, abrupta e intempestiva. Qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição. Não se vive o amor; sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão. Mas não se pense que esse é um gesto de covardia. O grande amor exige isso. O rompimento é sua parte complementar. Uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. Morrer um pouco para se continuar vivendo. E poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado. Há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema. O cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível. As nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. Os cabelos da amada, longos e escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. Há sutis crispações, um discreto arfar de seios. E os olhos, ah!, os olhos... A visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder. Uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. Que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...
Jamil Snege nasceu em Curitiba, em 1939. Graduou-se em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escritor e publicitário, dividia seu tempo entre os livros e sua agência publicitária. Publicou crônicas, quinzenalmente, no jornal Gazeta do Povo. Seus principais livros são “O jardim, a tempestade” (minicontos, 1989), “Como eu se fiz por si mesmo” (memórias, 1994) e “Os verões da grande leitoa branca” (contos, 2000). Morreu em Curitiba, em 2003

sexta-feira, dezembro 22, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, Aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer,
Despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas,
o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim,
olhar para mim,
escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim,
um final assim,
assim é mais fácil de entender
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender!

The gift

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Sei que...

É ténue a linha que separa a luz e a sombra, a Lua e o Sol, o mar e o céu
É curta a distância que mantemos um do outro
São irrelevantes as diferenças que nos separam
São mínimos os pontos de discórdia
Não é nenhum o espaço que separa as tuas mãos do meu corpo
É no extase que tenho a certeza que somos continuação um do outro

AMO-TE!

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes

terça-feira, novembro 21, 2006

Se for...

Escuridão

Não estou com grande disposição
p’ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal
e eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz e lá se vai o sol
dizes vermelho, respondo azul
se vou para norte, vais para sul
mas tenho de te convencer
que, às vezes, também posso…
ter razão!
também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão...

Jorge Palma

quinta-feira, novembro 16, 2006

Conselhos de um velho apaixonado

Quando encontrares alguém e esse alguém fizer o teu coração parar de funcionar por alguns segundos, presta atenção: pode ser a pessoa mais importante da tua vida.Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fica alerta: pode ser a pessoa que tu estás à espera desde o dia em que nasceste.Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem de água nesse momento, percebe: existe algo mágico entre vocês.Se o 1º e o último pensamento do teu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradece: Algo do céu te mandou um presente divino: O AMOR.Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receberes um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entrega-te: vocês foram feitos um para o outro.Se por algum motivo estiveres triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o teu sofrimento, chorar as tuas lágrimas e enxugá-las com ternura: poderás contar com ela em qualquer momento da tua vida.Se conseguires, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do teu lado... Se achares a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijama velho, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...Se não conseguires trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...Se não consegues imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao teu lado...Se tiveres a certeza que irás ver a outra envelhecendo...e, mesmo assim, tiveres a convicção que vais continuar sendo louco por ela...Se preferires fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o Amor que chegou na tua vida.Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, presta atenção aos sinais.Não deixes que as loucuras do dia-a-dia te deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR!!!
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, outubro 24, 2006

sonho de domingo

Ainda não sei se foi um sonho que sonhei sozinho, mas fizemos poesia.
Cada riso e alegria, os meus lábios nos teus, a responder em silêncio os meus pedidos... apenas vivendo, sentindo, aquecendo a solidão e rasgando a razão.
Sem palavras...
Ficam apenas os suspiros que o tempo escoou.
Durou tão pouco...
Mas lembrarei, todas as manhãs, de como gosto de escutar o teu coração pulsar junto ao meu... e sonhar!

sexta-feira, outubro 13, 2006

Odeio-te

Odeio-te

Odeio-te, odeio-te, odeio-te tanto...
Como podes ser tão bela e me fazeres apaixonar por ti?
Como me podes fazer amar-te tanto?
Odeio-te porque me fazes sofrer na tua ausência, porque me fazes venerar-te tanto na tua presença.
Odeio-te tanto. Odeio-te por te amar tanto...

quarta-feira, outubro 11, 2006

Não quero!

Não te quero perder

Apertado, perdido. Enfim, só...
O que eu escrevo não rima. Porquê?
De onde vêm estas palavras?
Do meu coração não são porque ele está contigo...
Dei-to para ter a certeza que voltavas e não me deixavas morrer....
Não, não te quero perder.
Mas se o vento te levar para outro lado, fica com ele pois não mais o vou precisar...
Apenas ficará o vazio. O vazio que um dia tu preencheste.
E um dia voltará a nascer um coração... Mas não será como o primeiro, porque esse será sempre teu...

Não sei...

Não sabia o que escrever... Portanto escrevi-te isto.
Não sei se é pouco ou muito, nem sei de onde me vem.
É algo que me consome lentamente, e eu sei... Sim eu sei...
Eu sei...
Ou não saberei coisa alguma?
Estou confuso!
Mas não te quero confundir a ti... Tu és inconfundível, única...pelo menos a meus olhos... A partir deles tenho a certeza que és só minha...
Não sabia o que escrever... Portanto escrevi-te isto... Tudo começou assim.

terça-feira, outubro 10, 2006

Sem comentários

Escrevo no dia em que a tristeza me invade a alma...
Tentei afastar-te do coração (sem resultado), para evitar prender-me nas amarras do amor, suspeitando sempre da felicidade que me assustava sempre que partilhava da tua companhia. Bom demais, demasiado perfeito num mundo fechado só para nós e construído por nós. As horas são minutos ao teu lado, mas os dias transformam-se em anos quando separado de ti.
Não espero viver todos os dias no sonho, porque simplesmente não é possível, mas espero lutar contigo para construir um presente cheio de coisas boas, cheio de carinho e AMOR... e viver as turbulências sempre com uma certeza: AMO-TE

segunda-feira, outubro 02, 2006

terça-feira, setembro 12, 2006

Nunca estiveram tão perto...

Time is a jailer

No one can hear me, 'cause no one is around But I still hear your whisper in the dark I know I can go, I know I can leave when ever I please But time is a jailer for me A face in the window, looking inside But no one else sees it, I know And now that you've found that the years have changed What the ending will be Time's just a jailer for me I shut out the light Alone in the dark This time of night Is the hardest part I still hear the sound of your heels on the floor I wait for the sound of your key in the door But it's only the sound of nothing at all and so it must be

Aguardo-te

Aguardei-te,
Quando o sol se foi.
No primeiro abraço da noite.
Aguardei e guardei,
Junto do desejo essa ansiedade,
Que amarra as horas,
Pesando o momento que se arrasta,
Na expectativa dos teus lábios.
Aguardei-te.
Durante a queda da madrugada,
abraçado a um sentimento,
De esperança disfarçada.
O unguento certo
Para o espaço sem nada.
Que dói, sempre, no momento da certeza
Que não vens.
Mas, mesmo assim aguardo-te.
Porque esse vazio
Só faz dizer-me,
O quanto preciso de ti.
Então, e insistentemente;
Aguardo-te.

quinta-feira, junho 08, 2006

Vingo com versos
os dias em que a tristeza me não deixou fazer nada
e há sempre tanto por fazer…
escrever um livro, ouvir,
falarem desta poesia que me é sempre mais estranha do que qualquer outra
se dela falo a própria vida
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Vingo com versos
o vento que vai afastando o verão
e segue o tempo e o homem que nunca fui
senão a pensar que só vive nestas páginas
traz na mão um ceptro de palavras futuras
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Mas vingo primeiro
as vozes azuis junto à praia
onde sonhei poder ter-te
e sei que jamais saberei a verdade
que seria desconhecer teu rosto
primeiro moreno depois de todas as cores
onde te vi e te quis
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
E vingo esperar pelo teu amor
à porta deste coração que nunca viste
mesmo quando o mar me abraçava
e devorava de beijos e tinhas ciúmes
que hoje todas to retribuíram
pelo menos um beijo àquele que amam sem
que deixem de sentir ciúme
desse ciúme mais antigo
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar
Vingo quem hoje do belo não tenha um corpo
e abra este livro e me ajude
a cravar os versos no teu rosto
julgando esta vida mais estranha do que qualquer outra
porque aqui não se pode amar senão deixar-se amar.

Desconhecido

quinta-feira, junho 01, 2006

domingo, maio 14, 2006

CONFIDÊNCIAS

Liguei para Ele do telemóvel quando caminhava pelos locais que marcaram o nosso amor. Como não atendeu deixei uma mensagem no gravador. Sussurrei-lhe os meus desejos na esperança que Ele escute as minhas preces. Há muito que mendigo um rumo diferente na minha liberdade, para que a existência do "eu" inconstante que tenho dentro de mim seja premiado com um generoso significado.
Não pretendo espaço ou tempo que limite os dias que sonho passar novamente a teu lado. Quero luz, muita cor e uma leve tempestade que agite os dias que tenho passado sem ti...
Se for preciso, corro atrás de borboletas nos momentos em que estou longe da Terra, desde que tenha a garantia de que, acordado, possa escapar da terrível inimiga que é a solidão. Não é a primeira vez que grito por uma nova morada e não será a última. A resposta pode tardar, mas acredito que Ele não falha. Se ele não m atendeu, é porque está ocupado em fazer a felicidade de mais alguém. Que seja a tua, pois certamente me deixará feliz também!