Olá:
Espero que estejas bem aquando a recepção desta mensagem.
Provavelmente estranharás a mesma, até porque te tinha prometido uma
resposta e falhei com a minha palavra, por falta de tempo,
inicialmente e por desmazelo e esquecimento, posteriormente.
Não vou comentar a tua atitude, no envio do coração. Vou apenas
referir que fiquei surpresa.
Ao longo deste tempo, assumiste as tuas culpas no fracasso da nossa
relação, pediste desculpas e apelaste ao meu perdão e em nenhuma das
vezes eu o fiz contigo.
Por mais estranho que possa parecer, hoje assumo a minha culpa e
responsabilizo-me pelos erros que cometi contigo. Não procuro o teu
perdão, isso já é tarde demais e despropositado. Assumo este espaço
como um ato de contrição, de uma consciencialização do que de errado
fiz contigo e comigo mesma. Uma auto reflexão e introspeção das minhas
atitudes ao longo do tempo que partilhamos em conjunto. Com o intuito
de "limpar" as ditas "manchas da alma", a sombra negra de um estado
de culpa que hoje assumo meu!
Estou consciente que te magoei com as minhas constantes acusações e
críticas. Que, apesar de estas pretenderem a tua mudança, porque tu
eras o que eu queria e desejava para mim, não eram o meio de conseguir
a minha pretensão. Deveria ter sido com base na compreensão e diálogo
que deveria expor os meus pontos de vista. Simultaneamente, deveria
ter aceite, desde cedo, assim que me apercebi, que éramos simplesmente
incompatíveis, que jamais conseguiria mudar-te, porque aquela era a
tua essência, dever-te-ia respeitar tal como eras e caso fosse
impossível, como agora o constato, ter-me afastado, sem ofensas ou
mágoas! No entanto, fui prisioneira de uma falsa esperança, aliada a
uma dor constante que me permiti e vivi, sem ser feliz ou fazer-te
feliz! Acreditava num amor inexistente, em que me provavas todos os
dias a minha insignificância para ti!
Sei que com todos estes erros, magoei-me mais a mim e tornei-me numa
pessoa irreconhecível. Esse foi o meu pior erro, deixar-me levar pela
tristeza e querer mudar uma pessoa. O teu, e maior de todos, foi-me
manteres prisioneira, durante anos, nessa pessoa que hoje deixou de
existir e que abomino. Estavas certo quando me dizias que a tristeza
era um vício. O meu eras tu e esse amor conduzia-me à tristeza...
Sei que ainda reside uma esperança em ti, que um dia te perdoe. No
atual momento, dir-te-ei que tal não será possível. Porque eu não
consigo perdoar-me a mim própria por ter caído num poço tão fundo, por
acreditar num amor infundado e irreal. Odeio a pessoa que eu era, em
que me tornei e tudo o que ela representava: a falta de força, de
amor-próprio, a vitimização constante, o descrédito em tudo, o auto
flagelo, por um amor impossível. Não me perdoarei por ter perdido
tanto tempo nesse ciclo vicioso, em algo que apenas me trazia dor e
sofrimento. Nem eu sei como aguentei tanto tempo e me perdi por
completo! O mal maior não foram as tuas traições e mentiras, foi o meu
comportamento desajustado e destruturado, munido por um ciúme cego e
uma dor imensurável. Querer-te para mim, sem aceitar quem tu eras!
Desculpa nunca ter compreendido a tua parte e no meu egoísmo, só ver a
minha dor, sem nunca entender a tua!
Compreende: ao afastar-me de ti, afasto-me do que eu fui! Das
lembranças que me invadem de um tempo repleto de dor e sofrimento e,
deste modo, consigo seguir de cabeça erguida pela vida, sorrindo para
esta e acreditando num futuro risonho. Sim, porque hoje sorrio mais e
choro menos e aprendi a valorizar-me! Voltei a ter a força de outrora
e a ser eu mesma!
Espero que também sejas tu próprio e te sintas bem com isso! Sabes, eu
nunca te conheci, verdadeiramente! Hoje tenho plena consciência desse
aspeto! Mas isso é outra questão, que não interessa agora! Acima de
tudo, desejo que acredites em ti, porque isso é o mais importante!
Até...