Ontem ficaste triste comigo. Na impossibilidade de te abraçar e dizer que vai ficar tudo bem, só posso pedir-te desculpa. E partilhar palavras. Tantas para dizer pouca coisa. Mas importante.
Em todos os lugares que vou, busco um sinal teu, um cheiro, qualquer coisa, só para que possa deslumbrar-me com o detalhe dessas doces memórias.
Só para não estar de não estar tão só.
Mas estou. Mesmo no meio da multidão, ou no grupo de amigos.Só quando oiço a tua voz é o mundo "pula e avança".
E como quem procura motivos, prendo-me às palavras, gestos ou promessas, para continuar, para manter, para perdurar...
Como se eu fosse virar naquele cruzamento e a qualquer instante dar de caras contigo, como se tu me ligasses a qualquer minuto do dia,nas inúmeras chamadas que recebo, que fosses sempre tu, dizendo estás a passar aqui ao lado para me ver, me abraçar, conversar comigo.
É como se eu te tivesse aqui, para te dizer que agora não posso, ter qualquer discussão idiota, fazer qualquer birra, só para ficarmos zangados e depois ter que te conquistar beijo a beijo, até que esquecesses de qualquer coisa que te tivesse deixado irritada ou chateada.
Hoje recordo todo esse ritual.
Mais ainda.
Sonho com os dias que ainda não escrevemos.
As mãos dadas, o toque, o cheiro, o beijo, cada movimento automático como se soubéssemos, como se fosse sincronizado.E é tão fácil. E tão bom.
Vivemos uma história de anos, mas que na realidade durou meses de felicidade.
Guardo-a como a história da minha vida. Por isso abri o livro.
E peço-te para o reescrevermos.
Hoje.
A falta aperta, a saudade bate, nada do que eu faça substitui a tua ausência, nenhum abraço é igual, nenhum timbre de voz, nem um sorriso, nem a forma de andar, ou o modo como a tua boca faz beicinho quando falas comigo.
Os dias apenas se tornaram barreiras, que tento ultrapassar,um após outro.
A espera é grande, a ansiedade também.
Também as palavras crescem, os versos que elas formam, os textos que se escrevem ....para te dizer tão pouca coisa.
Saudade. Te AMO.