terça-feira, fevereiro 17, 2015

Magoa-me.

Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo tua sombra, teu desejo
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Saborear uma ilusão.

"Tinhosa linda, Pedro Chagas Freitas escreveu que saborear uma ilusão, vale todas as desilusões do mundo. Você é a prova disso. Um beijo bom. E uma saudade imensa. "

domingo, fevereiro 15, 2015

Vitamina.

Uns expressivos raios de Sol, conseguiram trazer o calor para finalmente abandonar a cama e procurar vitamina D.
No rescaldo do dia dos agrafados e de mais um desfile de Carnaval, relembro as loucuras pretéritas em que tudo fazia para terminar a noite ao teu lado.
Não sei se do álcool ingerido ou das horas a dançar, as noites e os dias tinham outro calor.
Esse que nem este brilho consegue trazer.
Saudades tuas Tinhosa.
Espero-te bem.

sábado, fevereiro 14, 2015

Everything from the beginning.



Se to digo é porque o sinto.
Nem sequer pela data em especial.
Nunca a celebrei a não ser contigo.
E não tua ausência, dou por mim a querer celebrá-la, só porque isso significaria ter-te aqui.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Gripe.

Cada vez mais acredito que o estado da alma é crucialmente importante para o corpo se manter são, resistindo a este inverno que (des)habita o meu coração. A doença e enfermidade também se apoderou, pela milésima vez este ano. Aí, posso afirmá-lo com clareza, a culpa é totalmente tua.
Saudades. 

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Verdade.

Estou doente, carente.
E tu, com sempre, ausente.

Estou saudoso, remeloso chateado.
Tu, para não variar, não estás a meu lado.

Poesia de da verdade de "La Palisse", que mesmo assim não contribui para sossegar esta estado de corpo e de alma que me atormente.
Não saber de ti, ainda mais complica.

Saudades.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

domingo, fevereiro 08, 2015

Só ficará.


Só ficará de ti o que fizeste
por amor.
O resto não valeu:
foi apenas poeira que se ergueu
em teu redor
e o vento varreu.


Só ficará de ti o que escreveste
com paixão.
O resto não contou:
foi tão-só uma sombra que passou,
pura ilusão,
e nem rasto deixou.

Nos teus beijos.

Nem mais nem menos.
Não foi nada de especial. 
Nem consigo, como tantas vezes e de forma muito rebuscada, fazer interpretações livres e voar nas tuas palavras.
Mas nas teus beijo posso sempre encontrar calor.
Único e especial para estes dias frios.

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Lábios frios.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Se te perdi.


Tens sido vida afora o meu desejo
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei... se te perdi...

Lamechas.

Aos Domingos, principalmente quando sou forçado a permanecer em casa, como foi o caso deste último, é dia para me actualizar naquelas séries lamechas, sejam elas verdadeiros clássicos ou então mais recentes, ainda que com o mesmo formato e receita das pretéritas.

Da Carrie e o Big, no Sexo e a Cidade, à Penny e ao Leonard, na Teoria do Big Bang, passando pela Fox, Axn ou outro que não me recordo, vai tudo dar ao mesmo.

Vejo-te nelas todas.
Sempre como protagonista.
Daquelas que não faz por menos.
Até se pode magoar.
Mas no fim, irá sempre ganhar.

Talvez sinta mesmo falta dos episódios que construíamos sem guião.
Daqueles que começávamos sem saber como terminar.
Um beijo e um abraço eram garantias de um bom intervalo.

sábado, janeiro 31, 2015

Ainda te aguardo.

Claro que fiquei, uma vez mais, a aguardar uma resposta que não chega.
Claro que sonhei contigo, entre as dores de corpo e uma febre delirante que me fez sair da cama às 5h.
Claro que ainda te aguardo.
Sempre.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

quinta-feira, janeiro 29, 2015

Só pelos teus olhos.

Ontem conversava com uma amiga de longa data.
Revivemos alguns episódios importantes.
Constatámos que nada é como antes.
Fez-me uma leitura óptica, daqueles que consegue descodificar o código de barras sentimental que hoje escondo, porque na verdade nem eu o consigo interpretar.
Perguntou-me do que mais sinto falta. Do que preciso. Que saudades me atormentam.

Não respondi. Mas confesso que a noite me trouxe um espaço (demasiado longo, estou cheio de sono!) contemplativo para poder reflectir sobre estas questões.
Não tenho saudades de ninguém. Não preciso de nada em especial, até porque percebi (tardiamente) que nada material chega para preencher o armário vazio do coração.

Sou um egoísta.
Porque apenas tenho saudade de mim.
Do que fui. Do que fazia.
Só porque os teus olhos ordenavam.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Labirinto.

Entre as confusões do costume e saudade de sempre, dou por mim a olhar insistentemente para o telefone.
Procuro notícias, curiosidades ou banalidades.

Entre as inúmeras contradições da vida, com que todos os dias nos deparamos, estes "opinion-makers" insistem em adensar a trama e ganhar algum com a coisa, escrevendo sobre tudo e sobre nada, opinando, acusando ou simplesmente "bitaitando" sobre assuntos que nada me interessam.

Só aqui estou, porque aguardo um sinal teu.
Uma mensagem. 
Uma provocação no email.
Uma foto que deixaste escapar.

A web é um labirinto.
Não consigo encontrar-te.
Isso sim.
É preocupante.
Para o coração.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Viver tudo outra vez.


Saudades.
Das ondas.
Que apagam o corpo aceso
Sempre que imagina
O teu abraço.



Saudades.
Da paisagem que se estende
Aos teus olhos.
Da espuma dos dias
Que me fazias querer
Viver tudo outra vez.

domingo, janeiro 25, 2015

Desvanecer a saudade.

Ontem, por força de muitas circunstâncias, aconteceu o que há muito tenho propositadamente evitado.
Estar em amena cavaqueira, com os que privaram connosco tantas loucuras, alegrias, mas também as amarguras que íamos disfarçando sem que o conseguíssemos, aos olhos dos que nos conhecem tão bem.
Ontem recordámos, vivemos outra vez um pretérito cheio de peripécias, mas principalmente com uma alegria e simplicidade contagiante.
Estar com todos a recordar, numa doce e saudosista atitude, foi também um exercício de contenção, para que meus olhos não denunciassem quando ouvi a tua voz.
Lembrei-te no melhor.
Sonhei-te.
Só. Como espectador atento dessa personalidade. A medir-te os movimentos.
A desvanecer um pouco a saudade,

sábado, janeiro 24, 2015

Te amo.

Se não sabes que te odeio é porque não entendes o quanto te amo.
Tenho dito.

quinta-feira, janeiro 22, 2015

I don´t want to miss a thing.


Tinhosa!!!!!!!

Lembras a música que sempre nos perseguia em todas as estações de rádio que insistias persistentemente em controlar, em função de um apuradíssimo(!!!!) gosto musical à moda de Penafiel?

Ouvi esta versão bem tuga, bastante "comezinha", com o toque do grande Cid, mas mais a modos da parolage, com direito a sintetizador, típico dos bailaricos e dos tonos da aldeia!!! lol
Espero que agora fique mais adepta da canção.
Eu cá gosto!
Beijo!

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Ausência.

Às vezes penso mesmo que lês o que aqui confidencio.
Outras tantas, chego mesmo à conclusão que é um facto, e que fazes igualmente todos os (mínimos) esforços para me contrariares.
Só no que puderes.
Bem sei que já não és criatura para perderes tempo com idiotices. Até disso sinto falta.
Porque a ausência é o pior castigo.

Espero-te bem.
Beijo.

terça-feira, janeiro 20, 2015

Procura.

Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe a barcos e bruma.
No brilho redondo e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Luta.

Ainda que quase de forma despiciente, uma mensagem a fechar o dia, para embalar o sono, foi a melhor coisa que me aconteceu este fim de semana.

Luto contra o telefone,  para não insistir e tentar ouvi-la novamente.
Beijo.
Obrigado.

domingo, janeiro 18, 2015

Não era nada disto.

Tinhosa, 

Tenho quase tantas saudades da sua voz como desse corpo delgado a preencher os meus braços, enquanto a língua troca fluidos viciantes com os seus lábios doces.

Mas não era nada disto que lhe queria dizer.
Liguei-lhe para conversar sobre o frio que se abateu no rectângulo, o jogo que marca o calendário desportivo entre o seu "Benfas" e o meu "Marítme", ou o duelo entre a Parolage da sua terra e os Dragões que lá venceram a custo. Passaríamos pela sua cultura francófona por causa do caso Charlie, ou pelos grupos terroristas que espalharam terror na Nigéria. 

Ou então apontaríamos algumas banalidades, menos trágicas, acontecimentos pouco  mediáticos, apenas para ouvir a sua voz.
Ouvir-te.
Será pedir muito?
Beijo.
Bom.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Assim não.

Assim não. (Insisto sempre em começar com palavras negativas, já mo repetiste várias vezes.)
Mas é assim que tenho que começar. 
Não dá para não conversar contigo.
Não dá não partilhar contigo as alegrias e amarguras desta rotina.
Não dá.
Principalmente quando conversas hora e picos e me deixas na expectativa do próximo telefonema. Bem próximo. 
Não aconteceu.
Há uma semana que não converso contigo. 
Vou vou quebrar a regra do silêncio.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Numa relação.Complicada.

Estas constantes actualizações de estado com que somos presenteados dos nossos amigos facebookianos, já quase nada me surpreendem, quer pelos estados em si, quer pelas reacções que provocam nesta comunidade tão preocupada pela vida alheia e pronta a descarregar mil e um teorias, conselhos, frases feitas e chavões tão pirosos quanto a pessoa que os traduziu em Mandarim, Português do Brasil ou Russo.

Também estou em constante renovação e reintegração de estado. Estou numa relação que me relaciona com o pretérito. Estou numa relação que sei não me relacionar com o meu coração. Relaciono-me muito mais com uma relação à distância, do corpo e da alma, quase omnisciente, do que com qualquer outro tipo, mais presencial. 

Nem por isso coloco na rede os famosos estados, como ansioso, deprimido, a sentir-me isto ou aquilo, mas sinto este turbilhão de sensações e estados em catadupa, e mais que que tudo, sinto mesmo a necessidade de os partilhar. Contigo. Apenas e só.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

You've got mail!

E tu respondes:
- As coisas que este tipo inventa, para pensar em mim!

terça-feira, janeiro 13, 2015

À espera.

Ainda um dia hei-de contar-te as espantosas
coisas de que me lembro quando fico à tua espera
horas e horas, cada vez mais vagarosas,
e tu não chegas, meu amor, e tu demoras
mais do que a minha paciência. Quem me dera
aquele tempo em que era sempre primavera
e assistia indiferente à passagem das horas.

Mas, quando chegas, só me ocorre esquecer tudo
e ter-te uma vez mais como quem tem o mundo.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Egoísmo.

Disseste-mo várias vezes. Repetiste até me zangar, por saber que é verdade.
Agora que o livro já está na tu posse, talvez consigas viajar comigo por esse pretérito que recordo saudosamente, até num história que não me pertence.
Deve ser por isso que o Amor é tão poderoso. 
As vivências que quem ama, são assustadoramente semelhantes e poderosas.
Beijo Tinhosa.

domingo, janeiro 11, 2015

Saudade. Em português com açúcar.

A verdade é que tá foda. Ontem descobri que o amor da minha vida encontrou o amor da vida dela. Quando vieram tos papos de aliança dourada, eu quis desconversar, mas não teve jeito, meus amigos disseram alto: ‘Esquece de vez. Ela vai casar’.

Palavra não é revólver, mas mata tanto quanto. Não sejamos hipócritas, o sorriso de quem a gente ama também nos deixa destruídos no canto. Basta que não tenha sido ao nosso lado que os lábios, felizes, se abriram. E não entro em exageros de depressão e o caralho que for. Falo de perder o chão, as estribeiras, entender o que é dor.

Depois da notícia busquei meu altar e sequei duas garrafas de whisky. Não encontrei alívio algum. Escutei dez ou cem músicas de fossa. Nenhuma pareceu dizer o que eu queria dizer, o que eu queria escrever, o que meu coração precisava gritar.

Se eu começar a falar de sexo, aí é que a coisa fica feia. Ela transformou um menino em homem. Me dizia o que queria e como queria. Me ensinou o que a língua faz enquanto as mãos podem estar na nuca ou dando tapas de amor. Ela é dessas que não tem pudor. Faz do sexo o templo sagrado que deve ser. Seu limite é o gemido alto, o entorno é só um detalhe. De fantasias mil, eu já tive ao meu lado a mulher mais safada e independente que já se viu; e se verá.

Foi tanta coisa ao lado dela que minha cabeça me trai: começo a achar impossível alguém preencher todo o vão que ficou na partida. A gente já jogou bola na praia; eu – sem ciúme – já incentivei ela a diminuir a saia. A gente já tomou cerveja no gargalo; também fomos juntos conhecer o Brasil de carro. Ela nunca fez teatro, mas numa das nossas viagens encenou que morreu. Nunca vi aquela filha da puta rir tanto como quando eu gritei: ‘Pelo amor de deus, amor: acorda! Puta que o pariu, acorda!’

Falo por mim: ela é dessas que você dá corda à partir de um só sorriso. Joga o cabelo pro lado e te pede o isqueiro. Quando você menos percebe, daria o mundo inteiro para mais cinco minutos ouvindo cada palavra que sai daquela boca. Ainda não sei se aquela área de fumantes fez parte do melhor ou o pior dia da minha vida. Ainda não sei o que vale a pena nessa vida. Porque nos apresentar pessoas tão distintas e marcantes se logo depois vai nos tirar à força? Talvez eu ainda precise entender que felicidade é o beijo que se dá no presente, não planos de futurismos baratos.

Todos os dias eu ainda lembro que ela é do tipo que inspira só por respirar. Cujas palavras formavam frases que me queimavam o juízo. Dessas que têm no cabelo o cheiro que eu queria sentir ao deitar. A pele que eu queria sentir com a palma da alma quando acordasse. A voz, meu Deus, dessas que eu queria guardar e fazer música dentro de mim. Ela é assim: linda. E sobrava tanto que quando eu encostava nela, me sentia lindo também. E aqui falo de beleza que sai dos poros, não nas capas. Ela era justa. Podia gritar, podia chorar, podia implicar; mas eu morreria ao lado de uma justa. Só que não deu. Num desses dias esquisitos, sumimos. Ela foi pra lá. E eu vim parar aqui.

Tô com saudade dela.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Conversar.

Conversar contigo um hora, mais parece um relâmpago, de tão intenso e instantâneo.
Obrigado.
Saudades.

Quantas vezes te esperei.

Quantas vezes te esperei neste lugar

quantas vezes pensei que não chegavas

quantas vezes senti a rebentar

o coração se ao longe te avistava.


Quantas vezes depois de teres chegado

nos colámos no beijo que tardava

quantas vezes trementes e calados

nos entregámos logo sem palavras.


Quantas vezes te quis e te inventei

quantas vezes morri e já não sei.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Demência

Demência deve ser isto mesmo.
Parar repentinamente no meio do trânsito, porque  te vi na rua.
Sim. De certeza que eras tu. A falar ao telemóvel. Com esse cabelo dourado amarrado, usando umas calças de xadrez branco e preto que mais parecem a cobertura daquele doce de massa folhada e creme, Napoleão, acho que se chama assim.
Ou então queria muito que fosses.

Arranquei contrariado por causa dos ruídos irritantes das buzinas dos outros condutores, mas não satisfeito, quebrei mais duas ou três regras do código da estrada e fiz inversão de marcha.
Claro que já não te encontrei.
Nem à tua sósia.
Demência ou estupidez, não é o facto de pensar ter-te visto, tão longe da tua casa ou trabalho. É continuar a matutar nessa ideia.
Até agora estou na dúvida.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Largar.

Cá estou eu, uma vez mais, a copiar o teu mural e fazer interpretações abusivas do que publicas e escreves. Mas não há motivo para alarme. Apesar de ser contra os dentistas em geral, particularmente aqueles que acham que a solução é simplesmente "arrancar", "tirar fora" ou "extrair", como forma de resolver as maleitas dos pacientes, neste caso até porque concordo com esse dentista, que te fez esconder  o sorriso durante alguns meses, mas que te trará em grande ao mundo das cremalheiras perfeitas e brilhantes!

Não me arrependo de ter forçado a nossa separação, mais que evidente, nos teus olhos ou no tom da tua voz. 
Mas sofro todos os dias as consequências, quer nos dentes do siso que mantenho e  que de quando em vez me alertam e me pesam na sua permanência, quer desse espaço que ficou entre dentes, tão grande como os quilómetros que nos separam. A diferença dos nossos dentistas é que o meu, quando lhe falei nestas dores que me consomem, preferiu apelar à capacidade de resistência (que não que não tenho), porque apesar das dores, são meus e devo mantê-los, tratá-los e conservá-los, já que na velhice, todos farão falta. Quando lhe pedi em "tapar" o buraco de outro dente que perdi por infeliz descuido (continuamos a falar de dentes), ou substitui-lo, logo me contrapôs com a violência de um corpo estranho nas gengivas. Rematou que o tempo iria aproximar os dentes restantes, que o espaço se estreitaria e que, dentro de algum tempo, quase o deixaria de sentir.
Quase.
Quase não o sinto.
Todos os dias.

terça-feira, janeiro 06, 2015

Deixei contigo o meu amor.

Deixei contigo o meu amor,
música de açúcar a meio da tarde,
um botão de vestido por apertar,
e o da vida por desapertar,
a flor que secou nas páginas de um livro,
tantas palavras por dizer
e a pressa de chegar,
com o azul do céu à saída.
por entre cafés fechados e um por abrir.
Mas trouxe comigo o teu amor,
os murmúrios que o dizem quando os lembro,
a surpresa de um brilho no olhar,
brinco perdido em secreto campo,
o remorso de partir ao chegar,
e tudo descobrir de cada vez,
mesmo que seja igual ao que vês
neste caminho por encontrar
em que só tu me consegues guiar.
Por isso tenho tudo o que preciso
mesmo que nada nos seja dado;
e basta-me lembrar o teu sorriso
para te sentir ao meu lado.

sábado, janeiro 03, 2015

Gelo.


Agora, em tempo de despedida da terra natal e das férias forçadas mas merecidas, urge dizer, em jeito de balanço, que me sinto cada vez mais longe de ti.
Não que (infelizmente) fizesse algo para contrariar esta distância, mas como, para além de ultra romântico saudosista e mais outros adjectivos demasiado lamechas para os enumerar, sou também um sonhador esperançoso, acredito em milagres, como aqueles que sucessivamente nos foram aproximando ao longo dos últimos 10 anos.
Talvez por estar mais perto geográficamente, no meio do caos que foram estes dias, por motivos que bem conheces, me senti tão isolado, homem-ilha rodeado de sonhos e intenções. Homem-parvo cheio de desilusões.
Não. Não tens culpa alguma.
Mas sinto necessidade de to escrever, qual frio que se penetra nos ossos, só mesmo a marca da tua ausência a gelar o meu coração.

São Saudades, Tinhosa, são Saudades.
Essas sim, têm nome próprio.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Ano novo.

O ano é novo.
Mas as recordações tão antigas quanto a minha memória consegue puxar.
Não consigo projectar o futuro, fazer planos no presente, quando o coração está preso a um sonho pretérito.

Desejo-te.
Tudo o que mereces.
Abraço.

O resto não valeu.

Só ficará de ti o que fizeste
por amor.
O resto não valeu:
foi apenas poeira que se ergueu
em teu redor
e o vento varreu.

Só ficará de ti o que escreveste
com paixão.
O resto não contou:
foi tão-só uma sombra que passou,
pura ilusão,
e nem rasto deixou.

domingo, dezembro 28, 2014

Sonhos.

Os meus sonhos estão cada vez mais reais.
Não. Não estão próximos da realidade, mas a forma como os sinto são um indicador da minha demência, ou da imensa saudade que me corrói.
Acordei a chorar desalmadamente enquanto ainda corria atrás de ti e te tentava agarrar para te proteger dos bandidos. Ou de um em especial. Já nem consigo distinguir se te queria prejudicar ou simplesmente roubar de mim.
Bem sabes que o ciúme me faz cometer erros estúpidos.
O maior foi afastar-te.

sábado, dezembro 27, 2014

Luz e cor.

Às vezes parece mesmo que me escutas.
Que lês.
Que sentes.
Porque a tua voz transformou esta época em luz e cor.
Sonhei com ela a noite inteira.
Obrigado.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Saliva.

Por estes dias, que passo muito tempo em casa, com a TV amestrada pelos senhores do comando, ou até pela triste grelha de programação, tenho-me refugiado na música e na leitura para o desassossego dos dias. Para tal uso uma aplicação, uma destas que dizem que consome muitos dados mas que, felizmente para mim, não tem importância nenhuma. Como tudo o que é grátis, de graça ou de borla, acaba por nos custar sempre mais um pouquinho, de x em x músicas, lá tenho que gramar com toda a espécie de publicidade. Numa dessas pausas, uma voz feminina, que  inicia a frase com um majestoso :- "muito bem", questiona-me se quero romance instantâneo. Sim. Instantâneo. Basta carregar no ecrã. Como se uma playlist coneguisse transformar imediatamente o momento, enchê-lo de velas, rosas e chocolates.
O romance não é um pacote para abrir, dissolver em saliva e consumir em sexo orgásmico.

Enfim.
A falta de trabalho está a ter efeitos nefastos na minha veia romântica, que bem sabes não é tão grande quanto isso.
Ainda assim, dou por mim a desejar-te num beijo, como aqueles que me brilhantemente coagias a trocar.... por longos minutos, antes de adormecer.
Não me recordo, no momento em que te escrevo, de dar um beijo.
Honestamente. Não troco um beijo intenso, deste com a língua a servir de gps para o bater do coração.
Contigo, era simples ler o mapa. O coração estava logo ali. Nos teus olhos doces.
Saudades, Tinhosa. 

Blue Christmas.

Tenho tantas saudades tuas que nem o Natal e o tempo em família conseguem apaziguar está dor. Só desejo que esse sorriso esteja a iluminar os corações ao teu lado. 
Lembrar-te é a melhor forma de te amar. 
Baixinho.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Zangado.

Bem sabes que odeio ficar doente.
Fico zangado com o mundo.
Revoltado até.
Pior mesmo foi ficar totalmente dependente e fechado em casa.
Voltei a ter aquela febre que só me faz delirar, dizer, distorcer ou amolecer a realidade.
Aliviou.
Mas a tua indiferença custa mais do que esta gripe.

domingo, dezembro 14, 2014

Só falando contigo.

Ainda continuo às voltas com este trabalho do mestrado sobre ética.
Longe vão os fins de semana para os copos e respectiva ressaca.

Preciso conversar contigo.

É imperativo.
Urgente.

A ética, social, académica ou deontológica, emana do Coração. Não há ética sem sentimento. Sem apelo às emoções.
Pelo menos assim acredito.
Por isso, tenho que me sustentar nesta teoria quase agreste de termos e simbologias, mas a base é o sentido do coração e da alma.
Só posso sustentá-lo se o meu coração estiver em sintonia.
Por isso, só falando contigo, ele saberá o que escrever.

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Antídoto.

Pois.
Já desconfiava.
Ou tenho a certeza.
A cura para a constipação.
O remédio para a depressão.
O antídoto do cansaço.
Falar consigo é o caminho para a erradicação de todos os males.
Essa terminologia tão típica e pessoal, esse sotaque timbrado.
Com ou sem dentes.
Bem posso postar grandes tainadas e copos.
Publicar fotos da criançada a partir a loiça.

Mas o prazer, a alegria, renasce só na sua voz.

Saudades.

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Quero tanto.




Quero tanto, tanto, tanto.
Acho que nunca to disse da melhor forma.
Mais que tudo, quero-te.
Bem.
Feliz.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

A maneira mais bonita.






Guardei-o. Para to oferecer. O livro, claro. O coração, há muito que te pertence.
Para que não publiques apenas fragmentos do livro.
Às vezes é preciso conhecermos o princípio, para podermos reescrever... todos os dias.

sábado, dezembro 06, 2014

Amiga.

Sinto que por mais anos que passem, ficaremos eternamente ligados. 
Entre o Amor que já nos uniu e a minha desesperada vontade de manter esta espécie de amizade, ou dependência, pelo teu coração apaixonante, pela tua índole rara mas tão boa, desejo-te tudo de bom!

Te amo.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Solidão.

"Nada custa mais a engolir do que as lágrimas.
Por mais finas que sejam: nada custa mais a engolir do que as lágrimas.
E é essa a única forma de solidão: estarmos sozinhos de nós."

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Como quem espera.

Depois de tudo, fica a lembrança dos lugares e
dos seus nomes; dos quartos virados a poente
onde as imagens do rio nunca se repetem nas janelas
e todos os enredos são consentidos obre as camas.

Ao fundo, havia um armário de madeira com espelho
onde as nossas roupas trocavam de perfume
para que os dias se vestissem sempre melhor.
E, sobre a cómoda, num espelho mais antigo,
a tarde reflectia algumas das alegrias da infância.

Não era o quarto de nenhum de nós,
mas a ele regressávamos sempre com a pressa
de quem anseia os cheiros quentes e antigos
da casa conhecida; como quem espera ser aguardado.


Pressenti, porém, que não era eu quem aguardavas:
uma noite, pedi-te mais um cobertor em vez de um abraço.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Preciso ouvir-te.

Tinhosa,
Foi uma madrugada invadida por fantasmas do passado.
Mas tão friamente real.

O Sol voltou, mas não chega para aquecer o coração.
Espero-te feliz.
Abraço.

Diferente.

Sempre.
O mesmo.
Igual.
Mas que nada tem.
Diferente.
A tua ausência é este cais abandonado, a aguardar essa amarra que me prende ao teu olhar.

Saudade.
De.
Para sempre.

terça-feira, dezembro 02, 2014

O tempo.



"Éramos jovens e corríamos pela vida com corpos saudáveis e belos, dormíamos abraçados à espreita do outro lado da noite e como vampiros de amor bebíamos a vida um do outro avidamente e despertávamos juntos, abraçados à hora em que as gaivotas levantam o primeiro voo.
Éramos jovens e belos, meu amor.
Descalços pela areia fora, deixávamos pegadas que brilhavam no sol da manhã, aquele sol primordial que não feria o olhar ainda, de mãos dadas não queríamos saber do futuro e desafiávamos a vida como forcados frente ao touro, corríamos, corríamos, corríamos até ao paroxismo fatal encoberto pelas sombras de uma árvore qualquer.
Éramos jovens e belos e eu lembro-me, meu amor.
Lembro-me quando te olho, à noitinha, enquanto dormes naqueles sobressaltos que te agitam o corpo (os sonhos, esses são só teus e eu não os conheço), lembro-me quando te olho nos olhos, esses lagos nocturnos onde me afundo até perder os sentidos, eu lembro-me.
O tempo, esse inimigo da vida, não deixou de passar por nós e, em vez de nos dar mais saber, mais harmonia, deu-nos somente a necessidade de mais tempo, a frustração de sabermos que, suceda o que suceder, não há-de nunca voltar atrás e fico a pensar em porquês nunca respondidos, em vazios nunca preenchidos, naquelas coisas que nunca fiz e que agora nunca hei-de fazer (são coisas que têm um tempo próprio, ou são feitas ali, ou nunca.), em tudo o que nunca te disse.
Nunca cheguei a escrever aquela canção de amor, as palavras que surgiam não eram as adequadas e agora, que as sei, tenho a impressão de estarem deslocadas, medo de algum dia terem sido ditas por outro alguém e, a dizê-las, oferecer-te recordações que não são minhas.
Então fico a ruminar pensamentos de livros (tantos, tantos livros que li, tantas ideias recolhi e nenhuma, uma só que fosse, me ensinou a viver) que me expliquem o que se passa, o que fazer. “Que adianta entoar cânticos ou louvar sermões se talvez só o silêncio seja verdadeiro?”
Frase completamente inútil, sei-o agora.
O meu silêncio, o nosso silêncio, mata.
Hei-de te escrever a tal canção de amor, juro-te – mas, por favor, não te apoquentes se esta começar por “Éramos jovens e belos, meu amor”."

segunda-feira, dezembro 01, 2014

Imaginar-te o sorriso.

O teu Benfas não joga nada. O Jesus é um cromo. Nem contas sabe fazer.
Finalmente o Pandilha foi preso.
Fartinho de aturar malucos.

Tenho imensos assuntos pertinentes para discutir contigo, além de não menos importante, saber de ti, pulsar-te para te ouvir de coração.

E gozar coma pronúncia de um tipo da tua terra que ouvi no Porto Canal.
E rir.
Imaginar-te o sorriso.

Preciso de ti.
Só.

sábado, novembro 29, 2014

Sempre.

Tem sido uma constante todas as noites.
Varia o chá, ou o tinto que hoje, por exemplo, uso como companhia.
Desta janela, em forma de marquise (como se diz na tua terra), sem vista para nenhum local privilegiado ou até mesmo inspirador,  aguardo pelo cansaço, fazendo memórias a somar e alegrias no presente a diminuir.
Procuro não estar só, mas nunca me senti tão vazio. 
Confesso não saber se estarei melhor na agressividade dos ambientes nocturnos e boémios, ou nesta absurda condição de exilado, com um copo e um cigarro na mão, sem o contraditório, nem ninguém para refutar esta triste realidade que é a tua ausência.
Viver do pretérito, sonhar de noite e sobreviver de dia, tem sido uma estranha forma de auto- conciliação, que não sei quanto tempo mais irei aguentar.
Sei que te amo.
Em toda a minha realidade. 
Vivida. Sonhada. Recordada. Desejada.
Prometo cuidar-te.
Sempre.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Dizer-te.

Mata-me a fome só para saberes que sou insaciável, queria tanto dizer-te assim o que te quero, mas existe o pudor, o medo, a vergonha, essas coisas todas,(...)

quinta-feira, novembro 27, 2014

Para mim.

Bem sei.
Do fim de semana ocupado.
Das visitas.
Do mercado.
Do descanso.

E depois?
Sobrou?
Um pouco?
Fico com o resto.
Basta?
Para mim é tudo.

Tinhosa.
És mesmo Tinhosa.
Saudades.

quarta-feira, novembro 26, 2014

A precisar de ti.

Impaciente.
Desnorteado.
Estou mesmo zangado.
Furioso.
Quase desesperado.
Saudoso.

Só.
A precisar de ti.

terça-feira, novembro 25, 2014

Não basta.

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

segunda-feira, novembro 24, 2014

Estou.


É isso aí! Em português com açúcar e umas expressões...meio esquisitas.
Mas é tudo isso. E mais ainda.
A chuva foi-se mas os dias continuam cinzentos, a aguardar um sinal teu.


"Tô com saudade dela – Porque há amores que nunca se vão.
A verdade é que tá foda. Ontem descobri que o amor da minha vida encontrou o amor da vida dela. Quando vieram os papos de aliança dourada, eu quis desconversar, mas não teve jeito, meus amigos disseram alto: ‘Esquece de vez. Ela vai casar’.

Palavra não é revólver, mas mata tanto quanto. Não sejamos hipócritas, o sorriso de quem a gente ama também nos deixa destruídos no canto. Basta que não tenha sido ao nosso lado que os lábios, felizes, se abriram. E não entro em exageros de depressão e o caralho que for. Falo de perder o chão, as estribeiras, entender o que é dor.

Depois da notícia busquei meu altar e sequei duas garrafas de whisky. Não encontrei alívio algum. Escutei dez ou cem músicas de fossa. Nenhuma pareceu dizer o que eu queria dizer, o que eu queria escrever, o que meu coração precisava gritar.

Se eu começar a falar de sexo, aí é que a coisa fica feia. Ela transformou um menino em homem. Me dizia o que queria e como queria. Me ensinou o que a língua faz enquanto as mãos podem estar na nuca ou dando tapas de amor. Ela é dessas que não tem pudor. Faz do sexo o templo sagrado que deve ser. Seu limite é o gemido alto, o entorno é só um detalhe. De fantasias mil, eu já tive ao meu lado a mulher mais safada e independente que já se viu; e se verá.

Foi tanta coisa ao lado dela que minha cabeça me trai: começo a achar impossível alguém preencher todo o vão que ficou na partida. A gente já jogou bola na praia; eu – sem ciúme – já incentivei ela a diminuir a saia. A gente já tomou cerveja no gargalo; também fomos juntos conhecer o Brasil de carro. Ela nunca fez teatro, mas numa das nossas viagens encenou que morreu. Nunca vi aquela filha da puta rir tanto como quando eu gritei: ‘Pelo amor de deus, amor: acorda! Puta que o pariu, acorda!’

Falo por mim: ela é dessas que você dá corda à partir de um só sorriso. Joga o cabelo pro lado e te pede o isqueiro. Quando você menos percebe, daria o mundo inteiro para mais cinco minutos ouvindo cada palavra que sai daquela boca. Ainda não sei se aquela área de fumantes fez parte do melhor ou o pior dia da minha vida. Ainda não sei o que vale a pena nessa vida. Porque nos apresentar pessoas tão distintas e marcantes se logo depois vai nos tirar à força? Talvez eu ainda precise entender que felicidade é o beijo que se dá no presente, não planos de futurismos baratos.

Todos os dias eu ainda lembro que ela é do tipo que inspira só por respirar. Cujas palavras formavam frases que me queimavam o juízo. Dessas que têm no cabelo o cheiro que eu queria sentir ao deitar. A pele que eu queria sentir com a palma da alma quando acordasse. A voz, meu Deus, dessas que eu queria guardar e fazer música dentro de mim. Ela é assim: linda. E sobrava tanto que quando eu encostava nela, me sentia lindo também. E aqui falo de beleza que sai dos poros, não nas capas. Ela era justa. Podia gritar, podia chorar, podia implicar; mas eu morreria ao lado de uma justa. Só que não deu. Num desses dias esquisitos, sumimos. Ela foi pra lá. E eu vim parar aqui.

Tô com saudade dela."

sexta-feira, novembro 21, 2014

Pijama.

Ontem foi mais um dia de comédia e autêntica confusão, com o circo montado e toda a gente a trabalhar... de pijama.
Fui ao fundo do baú e encontrei o único pijama meu, apesar de o teres usado bem mais vezes, nas noites em que (ainda) fugias para os meu braços.
Desde crianças a adultos, ontem cansei de ver tanta gente com dresscode do sono, mas a verdade é que só lembrava de ti.

Não consigo encontrar mais ninguém que fique sexy... de pijama! Bem sabes que não sou nada fã da indumentária, mas nessa alma, o corpo veste bem com tudo.
Até comigo.
Beijo.
Sonolento.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Não tenhas medo do passado.

Não tenhas medo do passado. Se as pessoas te disserem que ele é irrevogável, não acredites nelas. O passado, o presente e o futuro não são mais do que um momento na perspectiva de Deus, a perspectiva na qual deveríamos tentar viver. O tempo e o espaço, a sucessão e a extensão, são meras condições acidentais do pensamento. A imaginação pode transcendê-las, e mais, numa esfera livre de existências ideais. Também as coisas são na sua essência aquilo em que decidimos torná-las. Uma coisa é segundo o modo como olhamos para ela.

terça-feira, novembro 18, 2014

Voz.

Uma chuva de memórias e saudade invadiram o sono na noite passada.
Não consigo recordar com clareza.
A tua voz ainda ecoa no peito.
Obrigado.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Bica.

És a minha bica. Café. Simbalino.
Tens efectivamente o poder de me acelerares e tranquilizares simultaneamente.
É estranho.
Sempre foi.
O nosso amor.
Mas nem por isso tem que gerar controvérsias ou complicações.
Foi um mimo.
Uma doce lembrança.
Um presente. Que pertence ao pretérito.
Mas que marca o agora.
Não te zangues por isso.
A tua voz.
Foi tudo.
Tão bom.
Aproveita.
Cada gole.
Encorpado.
No palato.
No coração.

Chuva.

Chuva. Muita.
Frio. Já te esperava.
Não quero ir trabalhar.

Tenho tantas saudades tuas.
És linda.

sexta-feira, novembro 14, 2014

Morno.

Tinhosa, chega mais um fim de semana, mas por todos os motivos e mais alguns, ainda bem que os papás cá estão para me fazer companhia e distrair dos pensamentos mais saudosos.
Espero que vás até à terra da parolage e usufruas do mimo que deixei para ti, junto à lareira.
Apesar do bom tempo que ainda impera na ilha, o coração está sempre morno, na iminência da tua palavra, da tua voz.
Isso (quase) basta. 

quinta-feira, novembro 13, 2014

Amanhã.

o que vamos fazer amanhã
neste caso de amor desesperado?
ouvir música romântica
ou trepar pelas paredes acima?
amarfanhar-nos numa cadeira
ou ficar fixamente diante
de um copo de vinho ou de uma ravina?

o que vamos fazer amanhã
que não seja um ajuste de contas?
o que vamos fazer amanhã
do que mais se sonhou ou morreu?
numa esquina talvez te atropelem,
num relvado talvez me fuzilem
o teu corpo talvez seja meu,
mas que vamos fazer amanhã
entre as árvores e a solidão?

terça-feira, novembro 11, 2014

Sintonia.

Parece que a sintonia existe.
Mesmo desligando o telefone dessa forma tão brusca, mais uma característica da Tinhosa, foi fantástico o "timing" da tua voz no meu ouvido.
Obrigado.
Beijo.
Abraço.

10 anos.

Quinta-feira. 11 de Novembro de 2004. 
Uma década desde o dia em que te vi.
Mesmo sem conversar contigo, bastou observar-te, ao longe, para perceber que a forma como via e sentia, iria mudar significativamente.
Conhecer-te foi a maior e melhor surpresa da minha vida.
Sem mais inspecções ou indagações sobre o nosso pretérito, fica um imenso abraço e uma nota de agradecimento muito sentido, por teres partilhado um pedaço teu, comigo.

Estás sempre no meu coração.

quinta-feira, novembro 06, 2014

O coração apanha sempre.

"Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem."

quarta-feira, novembro 05, 2014

Tentar.

Nem sei se devia.
Claro que sim. Porque não?
A angústia e o desespero de não saber de ti, provocaram até danos físicos.
Por isso resolvi tentar. Pelo menos tentar.
Saber de ti afinal.
Saber por ti.
Escutar.

terça-feira, novembro 04, 2014

Não é no tempo que te espero.

O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

segunda-feira, novembro 03, 2014

domingo, novembro 02, 2014

Mais. Coisas para te dizer.

O jantar foi uma porcaria. Tanto dinheiro para nada.
O teu  Benfas foi outra vez levado ao colo. E depois falam mal dos Dragões.
Estou cheio de lascas nas mãos, da lenha que carreguei.
O almoço foi bem melhor. Preciso parar de comer.
Ansiedade transforma-se em gula.
Nem com ressaca me sais da cabeça.
Recordei os que já partiram deste Mundo.
Mas lembro muito mais de ti, tão longe e tão dentro.
Aqui.

sábado, novembro 01, 2014

Do coração.

Começa o fim de semana.
Dormi o primeiro sono a sonhar contigo. Os restantes também.
Vou olhar para o mar. Levo-te comigo.
Sentir-te é uma emergências do coração.

quinta-feira, outubro 30, 2014

I love her so!

O gajo é médico, poeta, músico.... Um grande marado.

I love YOU so.


quarta-feira, outubro 29, 2014

Ando um bocado perdido.


Recordo com a nostalgia dos meu 12 anos, o tipo gordo e mal amanhado a repetir "Ai caramba" e eu a seguir-lhe os passos, enquanto tentava decorar e entender (não necessariamente por esta ordem) o resto da letra. Desta música e letra do mesmo Sebastião, só posso dizer que senti. E nos vi.
Hoje... quero só convidar-te para um café.
E um abraço.


Estava difícil combinar um café, mas desta vez lá foi
Talvez possamos falar do que já lá vai que as vezes ainda dói
Da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
Sabes, eu também ando um bocado perdido.

Vou preparar-te um jantar, concerteza vou ser original
E vou escolher-te um bom vinho. Tu sabes, nunca me saí mal
Vou falar-te das voltas que a vida trocou
Das verdades que o tempo já entrelaçou
Entre sonhos queimados lançados ao vento
Entre a cor de um sorriso e o tom de um lamento
E dizer-te de um sopro empurrado pela sorte
Sabes, eu também ando um bocado sem norte

Olha, não fiz sobremesa. Deixa lá, fica para a outra vez
Vamos deixar mais um copo a falar dos quês e dos porquês
Uma historia que nos apeteça lembrar
Um episódio que nunca nos deu para contar
Um segredo guardado p’lo cair do pano
Um encontro marcado no cais do engano
E dizer-te na hora em que a voz fraquejar
Sabes, eu também me apetece chorar

E vou chamar um táxi. É hora p’ra te levar a casa
Era suposto um de nos nesta altura ficar com a alma em brasa
Mas a vida é assim, não aconteceu
Pouco importa dizer, foste tu ou fui eu
O que importa é o abraço que estava por dar
Há-de haver uma próxima e mais um jantar e
E dizer-te a sorrir já passa das três
Dorme bem, quem sabe … um dia talvez.





Sebastião Antunes, «Cá dentro»

terça-feira, outubro 28, 2014

O meu pedaço.

É tão bom saber de si.
Fazes-me tão bem a nós.
O dia sai. por isso, a ganhar.
És da alma,o meu melhor pedaço.

domingo, outubro 26, 2014

Dia de Sol.

Acabem os Domingos.
Estes dias de descanso penitenciário, servem para tudo, menos para o que deviam.
Não consigo descansar de Nós.
Mas a tua lembrança é sempre um dia se Sol.

sábado, outubro 25, 2014

Fim de semana.

Mais uma fim de semana terrível, que as horas recordam minuciosamente pormenores teus.
Um abraço bem forte Tinhosa.

sexta-feira, outubro 24, 2014

Fugir para o teu lado.

Sinto-te tão longe e tão perto, que não raras vezes, quando acordo, não sei em que realidade me encontro.
Sei que consigo sempre fugir para o teu lado.
Agora que o fim de semana se aproxima a passos largos, espero que consigas divertir-te, esquecer os maus e prolongar os bons.
Saudades.
Beijo. 

quarta-feira, outubro 22, 2014

terça-feira, outubro 21, 2014

Assustou-me.

A minha namorada é uma das raparigas mais bonitas da minha cidade. Não digo isto de pulmões cheios ou com o orgulho normal de que um namorado se gaba da mulher que tem ao lado, mas tem qualquer coisa desde muito nova, que fez com que fosse o primeiro amor de muitos dos homens que por aqui andam. Ela não deve saber de metade, e também certamente já foi para a cama com muitos que nem os conhece. As pessoas gabam-se sempre do que não podem ter, e certamente tê-la nem que seja num sonho erótico qualquer para acordar e contar, é melhor do que não a ter de todo. (...), tem um brilho diferente nos olhos e anda sempre na rua com demasiada confiança. Ás vezes pergunto-me o que é que lhe passa na cabeça quando atravessa ruas cheias de gente, com tanto para contar dela. Ela nunca se pareceu importar, sei lá. Não sei se é defeito, feitio, ou se é uma capa que tem desde nova, mas raramente a vi chorar ou ir-se abaixo por a maldade que a rodeia.
Tive-a tanto tempo a dormir ao meu lado, maquilhada, desmaquilhada, com lingerie de cores choques ou com pijamas da avó, com sono ou sem vontade de dormir a noite toda, que com o tempo a beleza dela tornou-se indiferente aos meus olhos. Gostava quando comentavam que a mulher com quem andava ao lado me ofuscava a todos os níveis, mas tomei-a por certa. É um erro muito cliché, mas fazemos isso constantemente. Sabia que não ia passar um dia em que não me ligasse, mandasse uma fotografia com uma roupa diferente, ou me perguntasse se ainda a amava. 
Sempre foi a mulher mais confiante do mundo, não se deixava intimidar por ninguém, na cabeça dela as únicas mulheres que lhe igualavam eram as melhores amigas, mas as mãos tremiam-lhe e o estômago vomitava antecipação sempre que me mostrava menos receptivo por ela ao longo dos anos. Eu amava-a igual todos os dias do ano, mas perdia apetite por lhe dizer o mesmo todos os dias. Ela não, eu sim.
Nem sei porquê. Voltando atrás e vendo as nossas fotografias, a forma como um dia olhou para mim e me tratou, pergunto-me onde tinha a cabeça. É claramente mais bonita, mais inteligente, ouve-se uma música inconsciente quando anda, e o bar pára quando ela entra. Os homens deixam as mulheres com quem estão por segundos e olham-na pelo canto do olho. Só me apercebi disso quando ela me deixou.

A independência, a forma extrovertida de ser e o nariz empinado com que sempre enfrentou as ocasiões menos boas da vida, assustou-me.

É verdade, os homens têm medo de mulheres bonitas demais. Têm medo de mulheres que respondem sempre, e que são tão bonitas arranjadas como de rabo-cavalo e calça rasgada. E ela era tudo isso a multiplicar por cem. Ela era quase tudo o que tinha na mão.(...)
O pior erro de todos os homens, ao compreendermos que nunca vamos ser melhores sem "ela" ao lado, atiramos-nos para um precipício, como se a nossa pila nos gritasse "Estás errado". Lutamos contra essa ideia, porque é impensável para o nosso orgulho uma mulher representar quase tudo na nossa vida. A famosa luta da pila contra o coração.  
Como todos os cobardes mandei-lhe uma mensagem "Desculpa, traí-te". Calou-se e fez-se silêncio tanto tempo, que a falta da voz dela tornou-se na maior ressaca da minha vida. Tremia, emagrecia, bebia muito e as gajas feias rodeavam-me cada vez mais. Estava numa espiral, das piores, porque fui eu que saltei para lá. Ninguém me empurrou, me magoou ou me deixou. Eu deixei-me a mim mesmo.

Reencontrei-a meses depois, mais bonita que nunca, com um riso ainda mais alto e histérico. Uma roupa que se via à distância e uma maquilhagem que dizia "já esqueci o meu ex-namorado".
Quando me viu sorriu, foi ao pé de mim e passou-me a mão no rosto. Caí num pranto e a pila cedeu à batalha, ela era o meu único e maior orgasmo mental. Quando esperei ouvir um “Vamos juntos para casa?”, no meio de tanto êxtase, lágrimas, amor e beijos para pôr em dia, no meio do sorriso mais bonito e outrora inocente, disse-me apenas “Não tem mal, eu também”.

segunda-feira, outubro 20, 2014

Não há palavra.

Ainda aguardo, com a mesma ansiedade, um sinal teu.
Confesso que o ritmo tranquilo e a pouca responsabilidade do fim de semana, provocam um nervosismo na espera de ti, mas agora que regresso ao trabalho, resta-me escrever-te e aguardar.

Não há palavra que substitua um sorriso teu.
Desse, sinto falta todos os dias.
Com ou sem arame.

sábado, outubro 18, 2014

Madrugada.

São três da manhã mas a madrugada não me quer deixar adormecer sem escrever para ti.
Tenho tudo para te dizer.
Sem nenhuma novidade.
Espero-te bem.
Saudades.

quinta-feira, outubro 16, 2014

Coisas para te dizer III.

Tenho sempre coisas para te dizer.

Tenho que te dizer que, apesar de paliativo, tento sempre remédio para este estado de tristeza que sempre me consome.

Que arranjei um part-time como tio fixe, para levar o Martim ao futebol ou passear no parque.
Tenho que te dizer que não desisto de viver pequenas alegrias que não ficam só nas memórias, como as que guardo de nós.

Ainda assim, o equilíbrio entre o presente e o pretérito, traz-me sempre o presente de ti.
Obrigado.

Beijo. Abraço. 

quarta-feira, outubro 15, 2014

Embriagado de saudade.

Tinhosa, ontem não só abusei nos cânticos patrióticos em honra da selecção das quinas, como na ingestão de néctar alentejano, com efeito antioxidante.

Fiquei igualmente embriagado de saudade. De um bom jogo na sua companhia, respectivos comentários e análise futebolística de grande nível. 
Apesar da distância, senti-me bem próximo.
Obrigado.

Cedo ou tarde



Devias saber 
que é sempre tarde que se nasce, 
que é sempre cedo que se morre. 
E devias saber também 
que a nenhuma árvore é lícito escolher
o ramo onde as aves fazem ninho
e as flores procriam. 



terça-feira, outubro 14, 2014

Coisas para te dizer II.

Fico sempre com coisas para te dizer.
E a importância delas não pode ser quantificável pelo conteúdo, mas pela expressa, única vontade, de as querer partilhar contigo.

Hoje, dia especialmente atribulado com reuniões (guardei este espaço para almoço), tenho que dizer-te que deambulei pelas ruas da Capital, num  sonho que foi real, pretérito, nosso,  que transportei para o presente imaginário, na demanda por uma casa que agradasse à Tinhosa. Quero dizer-te que, para não variar, acordei numa gargalhada efusiva, quando disseste (sim, já nos primos no pretérito sobre o tópico!), que só aceitavas um apartamento com marquise. Na forma, entoação, sei lá, fui recuperar esta BERDADEIRA pérola da Tinhosa e até agora, no momento em o partilho, não consigo disfarçar o riso.

Como podes atestar, tenho imensas coisas importante para te dizer.

Por agora, só quero que rias e sorrias também.
Quero dizer-te.
É tão bom quando o fazemos juntos.

segunda-feira, outubro 13, 2014

Coisas para te dizer.

Fiquei com tanta coisa para te dizer...
Porque todos os dias quero conversar contigo.

Dizer-te que acompanhas os meus sonhos mais distraídos e felizes, como todos os receios e pesadelos.

Dizer-te que no último fim de semana (depois da sms), fiquei colado em filmes infantis e recordei muita inocência, gargalhadas descontraídas, beijos roubados e muita muita felicidade.

Preciso dizer-te que vou ser tio. Recebi ontem a notícia e fiquei absurdamente perturbado. Sonhei connosco a noite inteira. As palavras do meu irmão eram da maior ingenuidade, ao reclamar para ele o primeiro lugar no ranking da fertilidade. Aceitei a provocação e até retribuí, mas não pude deixar de sentir um vazio tão grande que até me revoltou, vergonha deste sentimento de camuflada inveja, qualquer coisa que não sei explicar. Fiquei tão feliz mas não impotente perante o destino da nossa vida.

Dizer-te que matutei na penúltima conversa em que até tu te confessavas surpreendida por alguns daqueles que considerava meus amigos, revelarem tanto desprezo, ódio ou mesquinhez pela minha pessoa. Fiz tanto por alguns deles e abdiquei tanto de nós, que, perante a posição deles, durmo de consciência tranquila. 
O mesmo não posso dizer em relação a ti.
Afinal de contas, a única pessoa que tem todos os motivos e mais alguns para se repugnar comigo, continua a surpreender-me, a brindar-me com um sorriso, longe mas tão perto, que me faz sentir tantas emoções neste quadrado em que a minha vida se tornou.

Dizer-te que a alegria, iniciativa, produtividade, resiliência, são vocábulos que emprego na rotina laboral com frequência, mas depois que as luzes se apagam, faço um esforço enorme contra o meu coração, para não me levar de derrotado e chorar por tudo o que de errado nos fiz.

Fiquei com mais coisas ainda para te dizer.

Cá dentro.


                                      Os lugares que buscaste


não têm geografia.

São vozes, são fontes,

rios sem vontade de mar,

tempo que escapa da eternidade.


Moras dentro,


sem deus nem adeus.

sábado, outubro 11, 2014

Pesa-me a falta da tua sombra.

Finalmente uma brisa da tua distante presença, um sinal de calor depois do frio e chuva que o coração enfrentou.
Roubei. mas é o nosso segredo também.

Segredo


Nasciam gémeos os nossos risos enlaçados na cumplicidade do mesmo sonho. Hoje, no caminho, restam migalhas desfeitas pelos medos e pedaços de cristal quebrados por cada ausência. Talvez as folhas não tenham ainda morrido, mas da árvore que tentamos ser só a sombra se distingue à superfície duma água turva. Nos outros caminhos, aqueles que vejo agora, pesa-me a falta da tua sombra. Não sei se quero ir porque não sei se sei ser sem ti, mas sei que já não sou aqui. Ainda.


Um dia hei de ter voltado.

sexta-feira, outubro 10, 2014

Só preciso disso.

É daqui que te escrevo. 
Sentado na recepção, onde hoje nem a luz chega,  porque a chuva teima em se  fazer ouvir.
Acumulo a ansiedade dos dias da tua ausência, a iminência de um reposta, a desilusão da espera.
Aguardo-te. Sempre. No peito.
Saber que estás bem. Que sorris.
Só preciso disso.
E de ti.
Só.
Te amo.

quinta-feira, outubro 09, 2014

Ver o teu rosto.

"Esperar por ti não é esperar por ti
esperar por ti é ter talvez esperança
ou é esperar com minudenciosa paciência
e desenhar teu rosto em cada rosto que vejo surgir
na minha alvoroçada vizinhança dos teus passos

Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado

Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo

Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo de que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
ver-te é sentir pousar mais que um olhar
uma mão muito calma sobre a minha vida
ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo

que sempre existirei que não há mais ninguém

ver o teu rosto é mesmo mais do que nascer
empreender viagens começadas nesse rosto
donde podem sair inúmeros navios
ver o teu rosto é como tudo começar
corrida a minudenciosa prega do silêncio
silêncio alto como um cerro inesperado como um curro
aéreo como um cirro denso como um cerro
prosaico às vezes como a mecânica de um carro

Vejo-te e povoas só de folhas que depois desfolhas
os rasos descampados que te cercam por todos os lados
Caminho ao teu encontro
a juventude é como uma oportunidade
começa a ser outono a tarde é território para a luz
tem certas listas como um fato cinzento
toco-te apenas para ver se estás aí
um país se arredonda à tua volta
sinto todas as coisas no lugar

Quando te vais embora fico de repente ao abandono
sem ao menos a protecção de uns olhos de animal
da copa arredondada de uma árvore
Vais-te embora e deixa de haver árvores no mundo
e não tenho palavras e não tenho voz
não conheço ninguém nenhum ouvido
que se possa ajustar à forma do meu grito

E desço da liteira como quem desce da vida
como que me separo de mim mesmo
sinto-me inexplicável e na rua
para sempre irremediavelmente na rua

quarta-feira, outubro 08, 2014

Sou só parvo.

Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. (…) Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo.

terça-feira, outubro 07, 2014

Aperto.

Sinto tanto a sua falta.
Saudades Tinhosa.

segunda-feira, outubro 06, 2014

Devias saber.

Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce, que é
sempre cedo
que se morre. E devias
saber também
que a nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde as aves
fazem ninho e as flores
procriam.

quinta-feira, outubro 02, 2014

Nunca se partirá.

Um fio indivisível une todos aqueles que estão destinados a encontrar-se, independentemente do tempo, do lugar ou circunstância.
O fio pode esticar-se ou emaranhar-se. Mas nunca se partirá.