É tão curto o amor e tão longo o esquecimento.
segunda-feira, novembro 30, 2015
segunda-feira, novembro 23, 2015
Ausência e Tu.
A vida não parece ter a mesma cor, o mesmo sol que outrora a iluminava...
Permite-me repartir contigo um pensamento, uma forma de vida, um desejo...
Beijos doces
C. M. (tinhosa)
"A noite já não cai como caía dantes
E a lua não se expõe com tanto avontade
As ruas brilham menos por não ter brilhantes
Que alguém roubou do guarda jóias da cidade
Cansadas estão as penas dos nossos poetas
Que correm nos papeis em busca dos amantes
P´ra lhes dar um motivo p´ra guiar as setas
Que os cupidos que restam lançam delirantes
Só tu me dás motivos p´ra manter acesa
A luz que brilha junto da minha janela
Alguma coisa quente e flores sobre a mesa
Algum amor que se consome numa vela
Já tudo em volta parece estar deserto
Contudo um cheiro intenso me revolve o fundo
Da alma só me resta um desejo certo
De me saber sozinho contigo no mundo
Se o sol tiver a força que duvido ter
De matar as dúvidas que a noite tem
Certamente um olhar se trocará com outro
Adivinhando um beijo que decerto vem "
quinta-feira, novembro 19, 2015
A vida é uma palermice sem ti.
É tão bom não te esquecer, ter na pele a confirmação do nosso Amor na memória de um toque que, ainda que efémera, é a única confirmação possível de qualquer Amor. É tão bom tudo o resto ser a incerteza de sempre e ser apenas nela que vivo. Mesmo a de quando não precisava de me lembrar de ti.
É tão bom seres tu este vento outonal que me faz apertar os colarinhos do casaco logo de manhã, enquanto aqueço as mãos numa chávena de café quente e ouço as conversas dos outros. Uma criança a apontar o dedo para um pastel colorido na vitrina e o pai à procura do jornal nas mesas do café, uma mulher a contar as moedas para saber quantos pães pode comprar e um homem já embriagado a falar dos atentados em Paris. A vida é uma palermice sem ti.
É tão bom seres a mulher que trava bruscamente para me deixar passar na passadeira e que me sorri por trás de um pára-brisas escurecido, morreres-me a cada cinco minutos num suspiro perdido ou num olhar solitário. É tão bom saber que todos os olhares que se cruzam na cidade são olhares de pessoas sós e que o meu se lembra de ti.
Uma poça de água a beijar o alcatrão sujo, por exemplo, é o toque húmido dos teus lábios na minha pele. Fico a vê-la ondular, depois de uma motorizada ruidosa me cortar o pensamento, e transforma-se no mar de Verão onde tu molhaste os pés.
Vou só molhar os pés, disseste. E eu na toalha vermelha, derrotado pelo Sol, à espera do teu toque outra vez por um segundo que fosse. A incerteza no Amor é a certeza de que a qualquer momento me podes tocar outra vez e, mesmo que nunca o faças, é tão bom não te esquecer.
terça-feira, novembro 17, 2015
Ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo.
"Esperar por ti não é esperar por ti
esperar por ti é ter talvez esperança
ou é esperar com minudenciosa paciência
e desenhar teu rosto em cada rosto que vejo surgir
na minha alvoroçada vizinhança dos teus passos
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo de que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
ver-te é sentir pousar mais que um olhar
uma mão muito calma sobre a minha vida
ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo
que sempre existirei que não há mais ninguém
ver o teu rosto é mesmo mais do que nascer
empreender viagens começadas nesse rosto
donde podem sair inúmeros navios
ver o teu rosto é como tudo começar
corrida a minudenciosa prega do silêncio
silêncio alto como um cerro inesperado como um curro
aéreo como um cirro denso como um cerro
prosaico às vezes como a mecânica de um carro
Vejo-te e povoas só de folhas que depois desfolhas
os rasos descampados que te cercam por todos os lados
Caminho ao teu encontro
a juventude é como uma oportunidade
começa a ser outono a tarde é território para a luz
tem certas listas como um fato cinzento
toco-te apenas para ver se estás aí
um país se arredonda à tua volta
sinto todas as coisas no lugar
Quando te vais embora fico de repente ao abandono
sem ao menos a protecção de uns olhos de animal
da copa arredondada de uma árvore
Vais-te embora e deixa de haver árvores no mundo
e não tenho palavras e não tenho voz
não conheço ninguém nenhum ouvido
que se possa ajustar à forma do meu grito
E desço da liteira como quem desce da vida
como que me separo de mim mesmo
sinto-me inexplicável e na rua
para sempre irremediavelmente na rua.
esperar por ti é ter talvez esperança
ou é esperar com minudenciosa paciência
e desenhar teu rosto em cada rosto que vejo surgir
na minha alvoroçada vizinhança dos teus passos
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo de que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
ver-te é sentir pousar mais que um olhar
uma mão muito calma sobre a minha vida
ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo
que sempre existirei que não há mais ninguém
ver o teu rosto é mesmo mais do que nascer
empreender viagens começadas nesse rosto
donde podem sair inúmeros navios
ver o teu rosto é como tudo começar
corrida a minudenciosa prega do silêncio
silêncio alto como um cerro inesperado como um curro
aéreo como um cirro denso como um cerro
prosaico às vezes como a mecânica de um carro
Vejo-te e povoas só de folhas que depois desfolhas
os rasos descampados que te cercam por todos os lados
Caminho ao teu encontro
a juventude é como uma oportunidade
começa a ser outono a tarde é território para a luz
tem certas listas como um fato cinzento
toco-te apenas para ver se estás aí
um país se arredonda à tua volta
sinto todas as coisas no lugar
Quando te vais embora fico de repente ao abandono
sem ao menos a protecção de uns olhos de animal
da copa arredondada de uma árvore
Vais-te embora e deixa de haver árvores no mundo
e não tenho palavras e não tenho voz
não conheço ninguém nenhum ouvido
que se possa ajustar à forma do meu grito
E desço da liteira como quem desce da vida
como que me separo de mim mesmo
sinto-me inexplicável e na rua
para sempre irremediavelmente na rua.
segunda-feira, novembro 16, 2015
Tonhosa.
Deves andar a mil com as novidades sobre o concurso, apesar de saber que preferias o NOURTE CARAGO, bem sei o quão é importante estar colocada perante os inúmeros docentes no desemprego.
E como sei que tu és uma pessoa que naturalmente conquistadora, vais certamente marcar o teu espaço, adaptar-te (a mudança não é assim tão grande nem tão longe) e ser feliz!
Em baixo um link sobre estes artigos que entre os intervalos da chuva vou lendo sobre a língua portuguesa... para quando tiveres tempo... até porque me colocou um dúvida muito pertinente: ACHAS QUE COM A PALAVRA "TINHOSA" ACONTECE A MESMA COISA???? É que isso muda tudo!!!
Felicidades e beijo para A TONHOSA!
Sabia que o correcto é dizer “ovelha ronhosa” e não “ovelha ranhosa”? Há mais 499 erros comuns para desmistificar.
sexta-feira, novembro 13, 2015
Devo ter perdido.
Não sei o que aconteceu. Devo ter perdido a rede e ficou nos rascunhos. Aqui vai.
Apesar de sempre se considerar a mais distraída e pouco ponderada, o seu coração sempre foi o melhor e o mais forte. E o mais doce. E o mais sensato. E mais compreensível.
Aproveitei todas essas características. Abusei de algumas. Desperdicei outras.
Mas ainda hoje beneficio e me aproveito de algumas.
Ainda tem o coração (magoado) da Tinhosa que me apaixonei. E isso torna-a sempre especial. Única.
Não é só elogio que você nem disso precisa já de mim. É um facto. Uma realidade. Um castigo para mim, saber o que perdi, usando a sua triste mas verdadeira conclusão do que seria o meu fado.
Tem toda a razão. Toda a razão do mundo.
quinta-feira, novembro 12, 2015
Estancar.
Quanto mais me esforço por te perder da memória, mais os sonhos me assolam sismicamente, abalando o sonho.
Não são vagas lembranças ou impressões.
São (quase) dolorosamente reais.
Ferem-me a alma.
Voltas-me as costas. Foges do olhar. Desapareces.
Acordei magoado. Ferido de sangue. Como se te esvaziasses de vez do meu coração.
Não estou preparado.
A tua voz.
Só preciso de a ouvir para estancar esta dor.
A tua voz.
segunda-feira, novembro 09, 2015
Procurei-te.
A cidade encheu-se de luz para que te pudesse ver. Ao longe. Por entre a multidão.
Procurei-te no Rossio, entre o amargo das ginjas e o doce dos teus olhos.
Procurei-te no Terreiro do Paço por entre os odores das castanhas a anunciar o frio. Mas o calor que a tua procura me trouxe, esse não esmoreceu.
Encontrei-te por entre as ruas do Castelo, ao longe. Subi as colinas e ao longe vi-te. Tenho a certeza que te vi.
Encontrei-te na canção do Rui Veloso que ele tão brilhantemente interpretou.
Chorei-te no tasco do Bairro Alto, alheio à confusão instalada lá fora, dentro do fado, à porta fechada, com a saudade entreaberta e a memória de nós.
Encontrei-até no Tejo, porque o rio do teu corpo se instalou em frente aos meus olhos.
Nunca uma cidade tão desconhecida, me trouxe tanta saudade de ti.
Saber-te perto, ainda que tão distante, acalmou esta dor de não saber de ti.
Regresso. De coração apertado. Sem nunca te ver, consegui encontrar-te.
Aqui.
quinta-feira, novembro 05, 2015
Vale tudo.
É difícil.
Podes vasculhar todas as receitas e mezinhas caseiras, com truques e estratégias, tal qual as ideias geniais que aparecem na net para perder peso.
Mas, tal como é difícil emagrecer se continuar a alimentar-me de tudo o que gosto, também não é possível estancar esta dor, sem te esquecer.
Mas não quero. Hei-de encontrar outra solução.
Recuso-me a perder-te da minha memória e do coração, por mais angústia e dor que me possa trazer.
As noites podem parecer longas, mas as alvoradas trazem o teu sorriso. Esse, aqui dentro, ninguém mo consegue tirar. Esse, vale tudo.
quarta-feira, novembro 04, 2015
Estrangula o meu coração.
Não há corda que se torça mais do que esta,
a que estrangula o meu coração.
a que estrangula o meu coração.
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in onde não estou,
Marta Chaves,
tu não existes
terça-feira, outubro 27, 2015
Não dizes nada.
Não dizes nada.
Chove muito. O frio começa a apertar. Nada.
Fui ao País Basco. Come-se bem por lá. Bebe-se também. Não dizes nada.
Parei outra vez em escala na tua cidade emprestada. Comi pastéis de Belém, e de bacalhau, com queijo da serra. Uma aberração. Não dizes nada.
O Benfas perdeu. Não dizes nada.
Vendi o carro. Comprei carro. Não dizes nada.
O Costa perdeu. Não dizes nada.
Ganhei mais uns quilos. Não dizes nada.
Afinal o Costa ganhou. Não dizes nada.
Comunas ao poder! Não dizes nada?
Desertei por 7 dias por entre o Leste da Europa. Não dizes nada.
O Benfas voltou a perder (é muito!!!). Nada dizes.
Que é feito de ti? Não dizes nada!
Chove muito. O frio começa a apertar. Nada.
Fui ao País Basco. Come-se bem por lá. Bebe-se também. Não dizes nada.
Parei outra vez em escala na tua cidade emprestada. Comi pastéis de Belém, e de bacalhau, com queijo da serra. Uma aberração. Não dizes nada.
O Benfas perdeu. Não dizes nada.
Vendi o carro. Comprei carro. Não dizes nada.
O Costa perdeu. Não dizes nada.
Ganhei mais uns quilos. Não dizes nada.
Afinal o Costa ganhou. Não dizes nada.
Comunas ao poder! Não dizes nada?
Desertei por 7 dias por entre o Leste da Europa. Não dizes nada.
O Benfas voltou a perder (é muito!!!). Nada dizes.
Que é feito de ti? Não dizes nada!
segunda-feira, outubro 26, 2015
Começo.
Vejo-te um pouco como se já não houvesse
uma casa para nós. As grandes perguntas estão aí
por todo o lado, onde quer que se respire, dentro
dos próprios frutos. É o começo da noite
e os cinzeiros já estão cheios de meias palavras:
porque escolhemos tão pouco
aquilo que nos pertence?
Vejo-te de olhos fechados enquanto me confiavas
a tua história - à mesa da cozinha, quase um espelho,
quase uma razão. as minhas canções preferidas
pareciam convergir para ti a certa altura, dir-se-ia
que te vestias com elas. E no entanto
como se apressaram as grandes florestas a invadir
as gavetas, como misturaram as raízes
no eco que fazia o teu desejo contra mim.
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in A Super-Realidade.,
Rui Pires Cabral
sexta-feira, outubro 23, 2015
Escuta, Amor.
Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.
Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.
Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente, são moldados pelas noites metafóricas e pelas manhãs metafóricas. Talvez outras pessoas chamem entendimento a essa certeza, mas eu e tu não sabemos se existem outras pessoas no mundo. Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. Existem guerras dentro do nosso corpo, existem séculos e dinastias, existe toda uma história que pode ser contada sob múltiplas perspectivas, analisada e narrada em volumes de bibliotecas infinitas. Existem expedições arqueológicas dentro do nosso corpo, procuram e encontram restos de civilizações antigas, pirâmides de faraós, cidades inteiras cobertas pela lava de vulcões extintos. Existem aviões que levantam voo e aterram nos aeroportos interiores do nosso corpo, populações que emigram, êxodos de multidões famintas. E existem momentos despercebidos, uma criança que nasce, um velho que morre. Dentro de nós, existe tudo aquilo que existe em simultâneo em todas as partes.
Questiono os gestos mais simples, escrever este texto, tentar dizer aquilo que foge às palavras e que, no entanto, precisa delas para existir com a forma de palavras. Mas eu questiono, pergunto-me, será que são necessárias as palavras? Eu sei que entendes o que não sei dizer. Repito: eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo.
Escuta,
ouve.
Amor.
Amor.
quinta-feira, outubro 22, 2015
Hoje tenho pena.
sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço às mão da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço às mão da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo
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Al Berto in,
Três Cartas da Memória das Índias
quarta-feira, outubro 21, 2015
Violência.
(...)
Nisto,
refaço-me de altíssimas quedas
com um esgar que me mantém refém
do vício,
desta violência de trazer o teu nome nos lábios,
como um sorriso em que me desfaço. (...)
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in onde não estou,
Marta Chaves,
tu não existes
terça-feira, outubro 20, 2015
Esperei, ainda te espero.
prometo-te que uma noite voltarei, sem bússola, regressarei com o lume do rio a guiar-me, e os olhos pousarão nos teus olhos este frémito de águas. acredito nas ruas que existem por detrás dos óculos dos marinheiros, onde descansa um barco e tu foges. não acredito em ti. um fio de água enforca-nos. foi então que resolveste prosseguir viagem sozinho, com a tua adolescência um pouco ferida,. eu acreditei no fogo e no silêncio que, de manhã, lavam os corpos, tornando-os de novo navegáveis. esperei, ainda te espero. ando por aí a mariscar, com os nativos, escondendo do mundo a tristeza que me devora o corpo.
segunda-feira, outubro 19, 2015
Solidão. Sempre.
E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras.
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in 'Uma Casa na Escuridão,
José Luís Peixoto
segunda-feira, outubro 12, 2015
domingo, outubro 11, 2015
Hipocondríaco. Da alma.
Tinhosa,
Sabes que preciso sempre de te contar algo. Mesmo quando não tenho nada de relevante para te dizer.
Estou num daqueles locais que jamais imaginei vir parar, principalmente quando o resto do mundo está em grande azáfama porque o ano lectivo começou.
Mas também te escrevo para te contar o quão doloroso têm sido estes dias.
Acho que não iria conseguir ficar muito mais tempo sem partilhar esta dor contigo.
Sofro de quase tudo. Sou hipocondríaco da alma, quando fico tanto tempo sem notícias tuas.
Estou longe. Não, não estou longe de ti. Por mais que me esforce, não consigo. Acho que esta dor da ausência chega a ser física. Sim. Como uma fome de ti. Uma "roeza " no estômago que me faz devorar o resto da comida que me aparece à frente...e me inchou 10kg... no mínimo.
Dever ser por isso que estou num workshop internacional de gastronomia. A fome de ti, obriga-me a ser o mais distinto e apurado... para te saborear melhor na memória.
Tento afastar-me dos lugares comuns, mas a alma não tem país nem continente para onde possa fugir.
É certo que estes intercâmbios são muito interessantes, quer do ponto de vista social como cultural, mas ao mesmo tempo fazem-me acordar para o Tempo.
O tempo em que os deveria ter realizado, a idade e a energia que teria, o quanto poderia ter contribuído e vivido.
Também o Tempo em que te degustei.
Não sei se o devia ter congelado. Ou consumido fresco como esse sorriso melado.
Sei hoje que não deveria ter tido tanto medo do teu sabor. Da tua presença forte. Dos aromas mesclados no teu corpo do qual nem sempre soube tirar o melhor sabor.
sexta-feira, outubro 02, 2015
Aqui.
Chega mais um fim de semana.
Desta vez mais calmo que os últimos em sobressalto e cansaço físico.
Vou ficar.
Quieto.
Mas com o coração aflito.
Aguardando por um sinal teu.
Aqui.
"Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo."
Desta vez mais calmo que os últimos em sobressalto e cansaço físico.
Vou ficar.
Quieto.
Mas com o coração aflito.
Aguardando por um sinal teu.
Aqui.
"Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo."
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2005,
A paixão e prisão de Egon Schiele,
Vasco Gato
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