terça-feira, outubro 25, 2016

segunda-feira, outubro 24, 2016

Restauro.

Saber-te a sorrir foi a segunda melhor notícia do dia.
A primeira, foi ver-te nesse sorriso.
Quase não te reconheço nesse marfim renovado, digno de arquitectura de restauro ao mais alto nível.
Beijo bom.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Apareces sem que te queira.

Todos os dias tento esquecer-te na rotina.

Tenho novos sonhos que chegam pelo sangue e pelo único milagre do Homem.

Ainda assim, apareces sem que te queira.

(In)conscientemente, invadiste o meu sonho e transformaste-o numa realidade tão intensa, que ainda acordei com o teu sabor.

A manhã foi traçada de café aveludado da tua pele e torradas de pão fofo como esses lábios.

À medida que entramos no dia, as memórias parecem desvanecer-se, fica o desejo que voltes outra vez nas noites frias, para manhãs saudosamente recheadas de sentidos.

quarta-feira, outubro 12, 2016

Talvez agora consiga respirar mais vezes sem o teu nome.


Foi quase sem querer.

Passei tanto tempo a querer encontrar-te. Na rua, Por acaso. A sair do cinema ou do concerto.
Procurei-te, imaginei-te, mas nunca te vi.
Hoje, a fazer zapping entre o pântano televisivo, parei num programa automobilístico que fazia uma peça sobre um cruzeiro no Douro.
No meu Douro. No nosso Douro.

Impossível esquecer esta expressão.
Inevitável confrontar-me com fantasmas antigos.
Imperativo querer-te bem e saber-te feliz.
Revirei os lençóis, a cama, os sonhos.
Transpirei de inveja e de saudades, ainda que ambas não façam já sentido nenhum.
Felizmente também as boas notícias chegaram pela manhã.
Talvez agora consiga respirar mais vezes sem o teu nome.
Beijo grande Tinhosa.

sexta-feira, setembro 16, 2016

quinta-feira, setembro 01, 2016

Deixo-te partir permanecendo em mim.

Esqueci-te o sabor 

Amor escuta.

Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo. 

Amor escuta.

Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas. 

O tempo não desvanece a memória da tua pele, poro a poro, dos caminhos que as tuas mãos, incendiárias como um vento veloz, gravaram em mim. Foste músculo, suor e sémen.

Vestida da tua pele fiquei ainda nua.

Amor escuta.

Não te conheço meridianos nem paralelos agora que largaste amarras como um veleiro silencioso. Mas não se silenciou em mim a tua voz serena, murmurando o meu nome como um nascer do dia.

Amor escuta.

São vãs as tentativas de te tirar da lembrança, deixo-te partir permanecendo em mim.

terça-feira, agosto 23, 2016

O tempo não pára.

São quase 2h da madrugada e daqui por 8h celebro mais um aniversário.
Sem grandes contemplações, a idade e o resto não me deixam margem nem moral para divagar.
Hoje, (talvez mais caprichoso que noutro dia), quando apagar as velas do bolo que a minha querida mãe insiste em preparar, vou lembrar-te a sorrir. E chorar um pouco de nós. Cada ano que passa aumenta dramaticamente o friso cronológico do nosso Amor e não tenho coragem de inverter esse ciclo. 
O Amor não se esgota. 
Mas o tempo não pára.
Beijos Tinhosa.

domingo, agosto 21, 2016

Eternamente.


E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas no céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplámo-nos longamente, como quem se descobre, como quem se recolhe, como quem se esconde. Foi assim que vi desfilar os anos, as paredes escurecendo, um pó de tijolo pousando entre as páginas dos mesmos livros que fui lendo, repetidamente. 

Heathcliff e Catarina Linton destroçados outra vez pela minúcia do tempo. 

Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? Ulisses não voltará a Ítaca e Penélope alguma desfará de noite a teia que te teceste. 

E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e a das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. 

E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter. 

Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. 

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

sexta-feira, agosto 19, 2016

É a cabeça que trava o coração.



Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade - de tudo, o mais difícil de atingir - os torna verdadeiramente amantes. 

quarta-feira, agosto 17, 2016

Sangue quente.

Sem um pio os olhos descolam-se, a boca seca fecha-se no enterro da almofada, por entre os lençóis os dedos encontram as costas, os ossinhos salientes da coluna, a curva hemisférica e dividida do rabo. O outro par entreolha por entre o desgrenho da manhã, os lábios sorriem e exalam um bafo quente e sonoro, o nariz aninha-se em ombro alheio, as papilas activam-se ao sal da pele, as pupilas ao lusco-fusco.

Os corpos movem-se debaixo da roupa lenta, o quente sobe com o abraço, a pouca roupa abandonada peça a peça, perdida algures na cama. Os dentes roçam a carne, a pele engalinha-se, o pelo eriça-se, os mamilos endurecem e espetam-se no outro; um risinho abafado, quase infantil, sucede a mordidela fingida. As mãos exploram os corpos habituais, tocam onde sabem, primem onde podem, agarram onde têm, a respiração engrossa e cadencia-se. As inspirações e expirações viram um metrónomo, as línguas correm rápidas a boca, a cara, as pálpebras, o lóbulo, aquela faixa nua entre a orelha e o risco do cabelo, pescoço, axila, colo do peito, mais abaixo, mais abaixo, aí, aí, ai, menos, mais.

Cada um tenta uma coisa nova no corpo do outro, ambos recorrem a truques velhos de milénios, a negociação das idas e vindas é feita sem palavras, quase sem olhares, numa suavidade de reações epidérmicas e silenciares de respiração. As unhas riscam a pele, os dedos tocam humidades, as bocas dão-se molhadas, esfomeadas; ambos adiam o enlace definitivo só mais um bocadinho, só por desporto, só por maldade, só para prolongar o contágio, a mistura, o calor.

A temperatura começa a gemer a água dos corpos, alguém afasta lençol e cobertor num repente, pés e pernas organizam-se em passos sem necessidade de ensaio. Esgota-se a possibilidade de adiamento, do fingimento da fuga: os corpos juntam-se num resfolegar só, juntos e agarrados pelo prazer partilhado, orgulhoso, só deles solitários e luminosos. Deslizam pela cama, voltas e reviravoltas, deixam marcas húmidas na roupa agarrada, repuxada, cabeças penduradas da beira, almofadas expulsas para o chão pelo ritmo uníssono, carnudo, de olhos nos olhos, de boca nas bocas todas do corpo. A partilha roça a violência, ambos abusam só para se surpreenderem, uma mão agarra a trave da cama, outra apoia-se na parede, algo tomba da mesa de cabeceira.

O embalo algoz insiste até à partícula, até ao milésimo, até à falhada tentativa de pausa imediatamente anterior à pequena morte. Mas é fatal, um escorrega e arrasta o outro: as cores explodem, por um segundo tudo faz sentido, o mundo é plano e licoroso e ambos vêem claro e tudo e o todo; por um segundo toda a música vem de dentro, toda a fome e frio e medo e luto desaparecem, toda a espécie vive saciada, leões e cordeiros juntos e beatíficos.

Adiam o descolar dos corpos só mais um momento, enquanto reaprendem a respirar cada um sua respiração, enquanto no canto, a gata entediada repega a sonolência mole, enquanto lá fora a vida recomeça a escorrer.

terça-feira, julho 26, 2016

Fome de ti.

Analfabeta de ti, demorei a ler-te.

Tinhas o tempo que era o das frases cadenciadas com vírgulas de pele transpirada.

Percorri-te as páginas na desordem do sangue, num doce engano de sermos dois.

De lava os beijos solidificaram, perderam a vertigem.

Sinto fome de ti, substantivo sem adjetivo possível.

sábado, julho 23, 2016

O tempo não desvanece a memória.



Esqueci-te o sabor 

Amor escuta.
Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo. 

Amor escuta.
Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas. 

O tempo não desvanece a memória da tua pele, poro a poro, dos caminhos que as tuas mãos, incendiárias como um vento veloz, gravaram em mim. Foste músculo, suor e sémen.
Vestida da tua pele fiquei ainda nua.

Amor escuta.
Não te conheço meridianos nem paralelos agora que largaste amarras como um veleiro silencioso. Mas não se silenciou em mim a tua voz serena, murmurando o meu nome como um nascer do dia.

Amor escuta.
São vãs as tentativas de te tirar da lembrança, deixo-te partir permanecendo em mim.

Esqueço-te apenas o sabor.

quinta-feira, julho 21, 2016

Musa.

Tenho evitado cá entrar, para não encontrar este quarto vazio.
Estive embrenhado por leituras e autores nunca antes explorados, para fugir à  teoria da lamentação e da depressão.
Hoje volto sem nada de novo, apenas a velha memória e Saudade do Sol no teu Corpo.
As ressacas trazem-me sempre uma perspectiva muito carnal e hoje estou naqueles dias em que o erotismo virtual não conseguiria ganhar à minha imaginação.
Também pudera.
Com uma musa inspiradora destas, não há quem possa.
Beijos grande e doces nesse corpo macio.

segunda-feira, julho 18, 2016

It doesn’t save us from ourselves when we’re corrupting.

I believe in Big Love.

I talk and I date like I don’t.

I don’t have frivolous expectations for romance. I’m not looking to get swept off my feet. I am one of those rare, perhaps slightly jaded individuals who actually likes hookup culture and is happy to live in an age in which monogamy is not necessarily the norm.

But I believe in big love because I’ve had it.

I’ve had that massive love. That all-consuming love. That ‘I can’t believe this exists in the physical realm of this planet’ kind of love.

The kind of love that erupts into an uncontrollable blaze an then simmers down to embers and burns quietly, comfortably, for years. The kind of love they write novels and symphonies about. The kind of love that teaches more than you thought you could ever learn, and gives back infinitely more than it takes.

It is the ‘Love of your life’ kind of love.

And believe it works like this:

If you’re lucky, you get to meet the love of your life. You get to be with them, to learn from them, to give the whole of yourself over to them and allow their influence to change you in unfathomable measures. It’s an experience like nothing else we have on this earth.

But here is what the fairytales won’t tell you – sometimes we meet the loves of our lives, but we do not get to keep them.

We do not get to marry them, to pass our years alongside them, to hold their hands on their deathbeds after a life lived well and together.

We do not always get to hold onto the loves of our lives, because in the real world, love doesn’t conquer all. It doesn’t resolve irreparable differences, it doesn’t triumph over illness and disease, it doesn’t bridge religious rifts or save us from ourselves when we’re corrupting.

We don’t always get to hold onto the loves of our lives because sometimes love is not all that there is. Sometimes you want a tiny country home with three kids and they want a bustling career in the city. Sometimes you have a whole, wide world to go explore and they are scared to venture out of their backyard. Sometimes you have bigger dreams than one another.

Sometimes the biggest, most loving move you can possibly make is to let each other go.

Other times you don’t get a choice.

But here’s another thing they won’t tell you about finding the love of your life: not ending up with them doesn’t disqualify their significance.

Some people can love you more in a year than others could love you in fifty. Some people can teach you more within a single day than others could teach you over the entire course of a lifetime.

Some people come into our lives only for a particular period of time, but make an impact that no one else can ever quite match or replace.

And who are we to call those people anything but the loves of our lives?

Who are we to downplay their significance, to rewrite their memories, to alter the ways in which they changed us for the better, simply because our paths diverged? Who are we to decide that we desperately need to replace them – to find a bigger, better, stronger, more passionate love that we can hold onto for a lifetime?
Maybe we just ought to be grateful that we got to meet these people at all.

That we got to love them. That we got to learn from them. That we got to have our lives expand and flourish as a result of having known them.

Meeting and letting go of the love of your life doesn’t have to be your life’s single greatest tragedy.

If you let it, it can be your greatest blessing.

After all, some people never get to meet them at all.

quinta-feira, julho 14, 2016

Boas ondas.

A modos que o Sol tem aquecido muito para estes lados. O calor traz sempre essa memória claustrofóbica, que só o mar consegue abafar.
Espero que boas ondas te tragam até aqui.

quarta-feira, julho 13, 2016

Sempre a ti.


No momento em que desligámos a chamada e voltaria a colocar os headphones porque entretanto me esqueci de desligar o mp3, ouvi estas palavras na voz da Maria Bethânia. Podem os sonhos nem sempre corresponder à realidade, pode o destino pregar-nos muitas partidas, mas irá sempre conduzir-me a ti. Amiga, companheira, amante, próxima ou distante, importante é seres a Tinhosa de sempre que me apaixonei. 
Abraço... Apertado como... Você sabe!....



Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver...
Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver...

terça-feira, julho 12, 2016

quinta-feira, julho 07, 2016