terça-feira, dezembro 13, 2016

Linda.

Passou tanto tempo que já não te reconheço a forma. 
Não te sinto o sabor.
Não me lembro da cor.
Só o coração ainda bate mais forte na mais ténue lembrança.
Continuas linda.

sexta-feira, dezembro 09, 2016

Cantos obscuros.

Continuo a ver-te. às escondidas. No silêncio do sono ou na algazarra do pensamento, toldado pela tua presença.
Ficámos com abraços ausentes, orgasmos pendentes e sorrisos a crédito.
Sei que não será para agora, ou talvez nunca, a cobrança.
Ainda assim, vou tentar saber de ti, como estás, o que fazes e como ris, porque mesmo quando o "nós" não existe, preenches os cantos obscuros do meu coração.

sexta-feira, novembro 18, 2016

Encerrando ciclos.



R: 

Hoje, mais do que nunca, o meu desejo mais ínfimo e profundo, que provém de uma vontade não controlável, pretendia que tu te emergisses e prevalece a tua vontade! Porque, no subconsciente da minha alma, tenho a noção que me fazes sorrir, quando conversamos 4 horas seguidas e durmo tranquila com o teu beijo de boa noite... 

Mas o meu ser consciente, a minha razão, a voz da experiência, sabe o quanto isso é errado! Por todos os motivos que constituíram a nossa história! Porque o presente é construído pelo antes e o depois, o passado e o futuro! E nós, mais do que ninguém, temos noção o quão difícil foi o nosso pretérito e quão impossível é o amanhã! 

É bom andamos distraídos, sem pensar nas consequências, no que foi e no que será! Viver na leveza do presente, sem temer, nem recear o que poderá advir! 

Mas, infelizmente, o medo impõe-se! Se já me desrespeitaste antes, porque não o farás agora? 

As relações que mantenho, fracassam... Interrogo-me se esqueci do que é amar, do que é entregar-me sem defesas, porque criei mecanismos que me protegem, que me salvam, ou destroem! Que me fazem esquecer de mim, para me defender de quem sou, ou me tornei! 

Porque " enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. 

Não espero que me devolvam algo, não espero que reconheçam o meu esforço, que descubram o meu génio, que entendam o meu amor. 

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na minha vida. É imperativo fechar a porta, mudar o disco, limpar a casa, sacudir a poeira. Deixar de ser quem era, e transformar-me em quem sou." 
(adaptado do texto de Fernando Pessoa) 

Sei que me entendes... no fundo, compreendes! 

Se por um lado quero criticar a tua resignação, a falta de imposição de vontade própria, por outro, estou ciente, que a minha deve prevalecer, para curar feridas, para aprender a viver novamente e somente comigo! 

Desculpa, esta minha ambivalência! Há uma cobardia subjacente, bem como uma força que me empurra e me afasta de tudo o que me levou às lágrimas! 

E, apesar de tudo, eu também estou aqui! Para o que precisares! Só nesse sentido! Porque o medo de imaginar, nem que seja por um segundo apenas, que te quero abraçar, leva-me para longe de ti! 

Espero que a vida te sorria e, principalmente, que tu sorrias para ela! 

Um beijo, um sorriso, um abraço (tal como eu imaginei!) 

Atenciosamente, (lol)
Tinhosa.

quinta-feira, novembro 10, 2016

E sempre só a solidão.

E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras.

quarta-feira, novembro 02, 2016

Tristinha.


"Obrigada, eu! Hj estava tristinha, por circunstancias da vida e consegui desanuviar um pouco! E bom que sejas sinonimo de alegria, inves de tristeza! Mais um beijinho! Ps- vai correr tudo bem, basta acreditares nas tuas excelentes capacidades! ;)


Oh... acabei por falar tanto que nem te dei espaço para conversares. Mas espero que corra tudo bem e que afastes as tristezas porque te quero ver sempre muito feliz. Beijo!"

quarta-feira, outubro 26, 2016

Porque me apaixonei por ti.

Tenho que valorizar a sua forma de escrita... és um ás no paleio de praia... Já percebi porque me apaixonei por ti e me mantive assim durante 5 anos... tu davas-me a volta com sinonímias, metáforas e hipérboles...

Agora, sem brincadeiras, obrigada pelo apoio nesta situação que em nada me agrada.

Boa viagem para a Madeira...

Beijinhos.

terça-feira, outubro 25, 2016

segunda-feira, outubro 24, 2016

Restauro.

Saber-te a sorrir foi a segunda melhor notícia do dia.
A primeira, foi ver-te nesse sorriso.
Quase não te reconheço nesse marfim renovado, digno de arquitectura de restauro ao mais alto nível.
Beijo bom.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Apareces sem que te queira.

Todos os dias tento esquecer-te na rotina.

Tenho novos sonhos que chegam pelo sangue e pelo único milagre do Homem.

Ainda assim, apareces sem que te queira.

(In)conscientemente, invadiste o meu sonho e transformaste-o numa realidade tão intensa, que ainda acordei com o teu sabor.

A manhã foi traçada de café aveludado da tua pele e torradas de pão fofo como esses lábios.

À medida que entramos no dia, as memórias parecem desvanecer-se, fica o desejo que voltes outra vez nas noites frias, para manhãs saudosamente recheadas de sentidos.

quarta-feira, outubro 12, 2016

Talvez agora consiga respirar mais vezes sem o teu nome.


Foi quase sem querer.

Passei tanto tempo a querer encontrar-te. Na rua, Por acaso. A sair do cinema ou do concerto.
Procurei-te, imaginei-te, mas nunca te vi.
Hoje, a fazer zapping entre o pântano televisivo, parei num programa automobilístico que fazia uma peça sobre um cruzeiro no Douro.
No meu Douro. No nosso Douro.

Impossível esquecer esta expressão.
Inevitável confrontar-me com fantasmas antigos.
Imperativo querer-te bem e saber-te feliz.
Revirei os lençóis, a cama, os sonhos.
Transpirei de inveja e de saudades, ainda que ambas não façam já sentido nenhum.
Felizmente também as boas notícias chegaram pela manhã.
Talvez agora consiga respirar mais vezes sem o teu nome.
Beijo grande Tinhosa.

sexta-feira, setembro 16, 2016

quinta-feira, setembro 01, 2016

Deixo-te partir permanecendo em mim.

Esqueci-te o sabor 

Amor escuta.

Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo. 

Amor escuta.

Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas. 

O tempo não desvanece a memória da tua pele, poro a poro, dos caminhos que as tuas mãos, incendiárias como um vento veloz, gravaram em mim. Foste músculo, suor e sémen.

Vestida da tua pele fiquei ainda nua.

Amor escuta.

Não te conheço meridianos nem paralelos agora que largaste amarras como um veleiro silencioso. Mas não se silenciou em mim a tua voz serena, murmurando o meu nome como um nascer do dia.

Amor escuta.

São vãs as tentativas de te tirar da lembrança, deixo-te partir permanecendo em mim.

terça-feira, agosto 23, 2016

O tempo não pára.

São quase 2h da madrugada e daqui por 8h celebro mais um aniversário.
Sem grandes contemplações, a idade e o resto não me deixam margem nem moral para divagar.
Hoje, (talvez mais caprichoso que noutro dia), quando apagar as velas do bolo que a minha querida mãe insiste em preparar, vou lembrar-te a sorrir. E chorar um pouco de nós. Cada ano que passa aumenta dramaticamente o friso cronológico do nosso Amor e não tenho coragem de inverter esse ciclo. 
O Amor não se esgota. 
Mas o tempo não pára.
Beijos Tinhosa.

domingo, agosto 21, 2016

Eternamente.


E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas no céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplámo-nos longamente, como quem se descobre, como quem se recolhe, como quem se esconde. Foi assim que vi desfilar os anos, as paredes escurecendo, um pó de tijolo pousando entre as páginas dos mesmos livros que fui lendo, repetidamente. 

Heathcliff e Catarina Linton destroçados outra vez pela minúcia do tempo. 

Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? Ulisses não voltará a Ítaca e Penélope alguma desfará de noite a teia que te teceste. 

E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e a das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. 

E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter. 

Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. 

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

sexta-feira, agosto 19, 2016

É a cabeça que trava o coração.



Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade - de tudo, o mais difícil de atingir - os torna verdadeiramente amantes. 

quarta-feira, agosto 17, 2016

Sangue quente.

Sem um pio os olhos descolam-se, a boca seca fecha-se no enterro da almofada, por entre os lençóis os dedos encontram as costas, os ossinhos salientes da coluna, a curva hemisférica e dividida do rabo. O outro par entreolha por entre o desgrenho da manhã, os lábios sorriem e exalam um bafo quente e sonoro, o nariz aninha-se em ombro alheio, as papilas activam-se ao sal da pele, as pupilas ao lusco-fusco.

Os corpos movem-se debaixo da roupa lenta, o quente sobe com o abraço, a pouca roupa abandonada peça a peça, perdida algures na cama. Os dentes roçam a carne, a pele engalinha-se, o pelo eriça-se, os mamilos endurecem e espetam-se no outro; um risinho abafado, quase infantil, sucede a mordidela fingida. As mãos exploram os corpos habituais, tocam onde sabem, primem onde podem, agarram onde têm, a respiração engrossa e cadencia-se. As inspirações e expirações viram um metrónomo, as línguas correm rápidas a boca, a cara, as pálpebras, o lóbulo, aquela faixa nua entre a orelha e o risco do cabelo, pescoço, axila, colo do peito, mais abaixo, mais abaixo, aí, aí, ai, menos, mais.

Cada um tenta uma coisa nova no corpo do outro, ambos recorrem a truques velhos de milénios, a negociação das idas e vindas é feita sem palavras, quase sem olhares, numa suavidade de reações epidérmicas e silenciares de respiração. As unhas riscam a pele, os dedos tocam humidades, as bocas dão-se molhadas, esfomeadas; ambos adiam o enlace definitivo só mais um bocadinho, só por desporto, só por maldade, só para prolongar o contágio, a mistura, o calor.

A temperatura começa a gemer a água dos corpos, alguém afasta lençol e cobertor num repente, pés e pernas organizam-se em passos sem necessidade de ensaio. Esgota-se a possibilidade de adiamento, do fingimento da fuga: os corpos juntam-se num resfolegar só, juntos e agarrados pelo prazer partilhado, orgulhoso, só deles solitários e luminosos. Deslizam pela cama, voltas e reviravoltas, deixam marcas húmidas na roupa agarrada, repuxada, cabeças penduradas da beira, almofadas expulsas para o chão pelo ritmo uníssono, carnudo, de olhos nos olhos, de boca nas bocas todas do corpo. A partilha roça a violência, ambos abusam só para se surpreenderem, uma mão agarra a trave da cama, outra apoia-se na parede, algo tomba da mesa de cabeceira.

O embalo algoz insiste até à partícula, até ao milésimo, até à falhada tentativa de pausa imediatamente anterior à pequena morte. Mas é fatal, um escorrega e arrasta o outro: as cores explodem, por um segundo tudo faz sentido, o mundo é plano e licoroso e ambos vêem claro e tudo e o todo; por um segundo toda a música vem de dentro, toda a fome e frio e medo e luto desaparecem, toda a espécie vive saciada, leões e cordeiros juntos e beatíficos.

Adiam o descolar dos corpos só mais um momento, enquanto reaprendem a respirar cada um sua respiração, enquanto no canto, a gata entediada repega a sonolência mole, enquanto lá fora a vida recomeça a escorrer.

terça-feira, julho 26, 2016

Fome de ti.

Analfabeta de ti, demorei a ler-te.

Tinhas o tempo que era o das frases cadenciadas com vírgulas de pele transpirada.

Percorri-te as páginas na desordem do sangue, num doce engano de sermos dois.

De lava os beijos solidificaram, perderam a vertigem.

Sinto fome de ti, substantivo sem adjetivo possível.

sábado, julho 23, 2016

O tempo não desvanece a memória.



Esqueci-te o sabor 

Amor escuta.
Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo. 

Amor escuta.
Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas. 

O tempo não desvanece a memória da tua pele, poro a poro, dos caminhos que as tuas mãos, incendiárias como um vento veloz, gravaram em mim. Foste músculo, suor e sémen.
Vestida da tua pele fiquei ainda nua.

Amor escuta.
Não te conheço meridianos nem paralelos agora que largaste amarras como um veleiro silencioso. Mas não se silenciou em mim a tua voz serena, murmurando o meu nome como um nascer do dia.

Amor escuta.
São vãs as tentativas de te tirar da lembrança, deixo-te partir permanecendo em mim.

Esqueço-te apenas o sabor.

quinta-feira, julho 21, 2016

Musa.

Tenho evitado cá entrar, para não encontrar este quarto vazio.
Estive embrenhado por leituras e autores nunca antes explorados, para fugir à  teoria da lamentação e da depressão.
Hoje volto sem nada de novo, apenas a velha memória e Saudade do Sol no teu Corpo.
As ressacas trazem-me sempre uma perspectiva muito carnal e hoje estou naqueles dias em que o erotismo virtual não conseguiria ganhar à minha imaginação.
Também pudera.
Com uma musa inspiradora destas, não há quem possa.
Beijos grande e doces nesse corpo macio.