terça-feira, janeiro 16, 2007

Desencontros


15-12-2006
03h17m













Não é propriamente a melhor hora para se dizer o que quer que seja, mas também é verdade que existem alturas em que não conseguimos mais conter o que nos vai cá dentro… e esta é uma delas. Nos últimos dias dei por mim a falar com os meus fantasmas e a única coisas pessoa que não saía do meu pensamento eras tu…
Nem sempre soube corresponder às expectativas, ou “atestar” a veracidade dos meus sentimentos. A vida não nos ensina o caminho certo a seguir, mas pelo menos indica-nos um rumo. O meu conduz-me a ti!
Vivo com medo, porque ele é que me faz temer a tua ausência e a tristeza que passarei na tua falta…
Mas também vivo feliz, porque passo tão bons momentos a teu lado que não estou disposto a abdicar de mais nenhum!

EU AMO-TE!!!
Amo os teus gestos, o teu sorriso, em tudo o que podes ser…
Amo-te por tudo o que me podes ensinar…
Amo te porque és minha alegria de viver... Amo-te porque és a motivação dos meus sonhos (e que sonhos!!!!). Amo-te porque és a saudade constante. Amo-te porque, na verdade, habitas nos meus pensamentos quando os tento afastar... Amo-te porque fazes-me sorrir, viver, amar... AMO-TE PORQUE NOS COMPLETAMOS...AMAMOS, QUEREMOS... Porque me fazes pulsar o coração... Como jamais bateu por alguém... Amo-te porque a tua luz é a luz dos meus olhos O meu caminho a seguir... Um pouco do ar que eu respiro... És um pedaço de mim...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Para matar um grande amor

Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza; a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. Arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. Os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. Falta-lhes exatamente o Dom da finitude, abrupta e intempestiva. Qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição. Não se vive o amor; sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão. Mas não se pense que esse é um gesto de covardia. O grande amor exige isso. O rompimento é sua parte complementar. Uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. Morrer um pouco para se continuar vivendo. E poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado. Há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema. O cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível. As nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. Os cabelos da amada, longos e escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. Há sutis crispações, um discreto arfar de seios. E os olhos, ah!, os olhos... A visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder. Uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. Que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...
Jamil Snege nasceu em Curitiba, em 1939. Graduou-se em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escritor e publicitário, dividia seu tempo entre os livros e sua agência publicitária. Publicou crônicas, quinzenalmente, no jornal Gazeta do Povo. Seus principais livros são “O jardim, a tempestade” (minicontos, 1989), “Como eu se fiz por si mesmo” (memórias, 1994) e “Os verões da grande leitoa branca” (contos, 2000). Morreu em Curitiba, em 2003