Impetuoso, o teu corpo é como um rio onde o meu se perde. Se escuto, só oiço o teu rumor. De mim, nem o sinal mais breve. Imagem dos gestos que tracei, irrompe puro e completo. Por isso, rio foi o nome que lhe dei. E nele o céu fica mais perto. E.A.
sexta-feira, novembro 06, 2020
sexta-feira, outubro 30, 2020
Com o passar dos anos.
(...) Comecei a sentir, logo cedo, certa sensação de solidão, que, por sua vez, despertaria em mim um desassossego. Sua influência, que correspondia ao que a natureza havia encerrado em mim de gravidade e apreensão, logo se faria evidente, pronunciando-se ainda mais decisivamente com o passar dos anos.
terça-feira, outubro 27, 2020
Amargo.
Em todas as separações, tem mais amargo quinhão de dores o que fica do que o que vai partir.
terça-feira, setembro 22, 2020
Vês?
Um dia parei nos teus braços. Era a noite mais escura aberta no tronco da árvore, e tu vinhas de uma língua distante onde todas as tempestades eram de silêncio. Falavas-me na pequena morte dos pássaros envelhecidos, dos seus olhos de voo esplêndido sem quedas no fim.
Lembras-te? Eu não tinha ainda nascido para dentro da terra e os teus braços eram já o princípio. Princípio até ao fim. Não sei de que parte tua, de qual partida crescem para mim os teus braços. A ternura imensa de um céu fechado sobre o cimo breve dos nossos corpos. O nosso corpo. Não sei onde pairas dentro da minha escuridão. Hoje e agora serão as tuas mãos, essa força que não tenho e tampouco é. Eis-me assim; de todas as vezes me quero fraca, vinda de um lugar sem forças nem pesos. E da pluma que pairo, que beijo de cima o mundo que me morre enquanto a árvore reluz de regresso à terra. De volta ao interior do silêncio.
Paro nos teus braços, fogo e casa donde conheço o mundo. Aprofundo e espero, mais do que quem deseja. Subo inteira à altura límpida dos que amam.
Vou e voo rente aos pés de um deus febril, um deus que ama com o calor do corpo todo. As suas mãos azuis de vento carnal, mar anoitecido deitado sobre as costas de Eva.
Levo em mim a velocidade do tempo, o dia bate ao meio nos teus ombros altos, e tu sorris da imunidade que me falta para te falhar, desconhecendo quase que é de ser falível que um homem se salva. Estás aqui. Útero azul onde começa a viagem antes do escuro. Ou uma ilha por abrir no ar da tua boca, essa estrela de penumbra clareando levemente o prelúdio da aparição. De ti.
As árvores caíram da terra no dia em que parei nos teus braços. E veio um manto incandescente cobrir-nos o rosto, uma espécie de milagre no tremor de mãos tão incertas.
Vês?
segunda-feira, setembro 21, 2020
As coisas que procuro.
segunda-feira, setembro 14, 2020
quarta-feira, agosto 19, 2020
terça-feira, agosto 18, 2020
Amiga Amor Amante Amada
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
sexta-feira, julho 31, 2020
Fome.
sexta-feira, junho 12, 2020
quarta-feira, maio 06, 2020
Felicidade.
Há muito que o isolamento da alma me perturba.
Este confinamento forçado da tua ausência, consegue transtornar-me a felicidade do momento.
segunda-feira, abril 20, 2020
sábado, abril 18, 2020
terça-feira, março 17, 2020
sexta-feira, fevereiro 21, 2020
sexta-feira, janeiro 31, 2020
Ausência.
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.






