sexta-feira, dezembro 21, 2007

É muito bom e faz muito bem!

Sair de nós.
Cair nos outros.
Não escrever.
Ler.
Não pensar.
Lembrar.
Os amigos quietos.
O murmúrio do riso que riram.
A família parada.
O colo ondecabe a cabeça.
O amor adormecido.
Estas coisas acordam.
E sossega saber quenós não somos nada sem eles.
E mesmo com eles, quase nada.
Escravos decarinhos somos nós, seguindo atrás, de braços abertos, numa fila sem fim.
É muito bom e faz muito bem.
Sair dos trabalhos, do dinheiro, das palavras que nada querem ou conseguemdizer.
Fazer gazeta.
Faltar.
Desobedecer.
É um trabalho também.
Não ir.
Não responder.
Não entregar.
É cumprir também.
Desmergulhar.
Desfazer.
Desacontecer.
São tarefas também.
Ainda mais difíceis, talvez.
É muito bom e faz muito bem.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Lost

I can’t believe it’s over
I watched the whole thing fall
And I never saw the right man
was on the wall
If I don’t land
Days were slipping past
That the good things never last
That you were crying
Summer turned to winter
And the snow it turned to rain
And the rain turned into tears upon your face
I hardly recognized
the girl you are today
And god
I hope it’s not too late
It’s not too late
‘Cause you are not alone
I’m always there with you
And we’ll get lost together
Till the light comes pouring through
‘Cause when you feel like you’re done
And the darkness has won
Babe, you’re not lost
When your worlds crashing down
And you can’t bear to fallI said,
babe, you’re not lost
Life can show no mercy
It can tear your soul apart
It can make you feel like you’ve gone crazy
But you’re not
Things have seem to changed
There’s one thing that’s still the same
In my heart you have remained
And we can fly fly fly away
‘Cause you are not alone
And I am there with you
And we’ll get lost together
Till the light comes pouring through
‘Cause when you feel like you’re done
And the darkness has wonBabe,
you’re not lost
When the worlds crashing down
And you can not bear to crawl
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost
I said, baby, you’re not lost

quarta-feira, outubro 31, 2007

Ama-me assim

Ama-me assim,
com a ternura toda tua,
ama-me de longe assim,
como o sol ama a lua...
Ama-me assim,
presente,
com amor sempre crescente,
mas ama-me com jeito,
suavemente...
Ama-me de verdade,
com carinho e com vontade
Ama-me assim...
Pra que quando se for,
eu possa te amar na saudade!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim,
Que nada neste mundo
Levará você de mim,
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
E todo grande amor
Só e bem grande se for triste

Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com o luar
Assim, como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor
Não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você.

Assim como o oceano
Só é belo com o luar
Assim, como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor
Não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Os teus olhos

Os teus olhos que me seguem
Que me acompanham onde estou,
Os teus olhos que me prendem
Ao resto do que sou.
Os teus olhos que me sentem
Na distância desmedida,
Os teus olhos que não mentem
A esperança perdida.
Os teus olhos que eu fiz chorar
Nas noites de solidão,
Os teus olhos que de esperar
Foram tapados pela mão.
Os teus olhos que se cansaram
De por mim tanto sofrer,
Os teus olhos que me amaram
E que eu vim a perder.
Os teus olhos amados
Não são o que eram,
Os teus olhos de cansados
Por mim já não esperam.

terça-feira, setembro 25, 2007

PERFEITO AMOR

Se você não navega em meu mar
Se desconhece meus mistérios
Se você é ar e eu sou água
Eu junto o céu e o mar
Eu subo aos céus para te encontrar.
Eu me entrego a ti
Mesmo que as diferenças
Não me façam sorrir...
Mesmo que muitas vezes
Não possas me acompanhar,
Pois sei que somente abraçados
Poderemos voar.
Luz do meu caminho
Anjo que veio me salvar...
Deita cabeça no meu peito
Pois é contigo que vou ficar.
Amor que rege minhas tormentas
Desgoverna meus mares
Senhor do meu destino
De todos meus amores.
Amor que tanto busco
Amor que nos teus braços encontro.
Refúgio dos meus sonhos
Fortaleza de minh’alma.
Lágrimas derramas em meu mar
Delas eu bebo teu verdadeiro...
Nos teus olhos eu enxergo teu guerreiro
Que me pede para ficar.
Fica então no meu mundo
No meu corpo, vida e cama.
Eu fico no teu, porque sou tua
E minha alma te reconhece e te chama.
Me abraça e me leva
Nosso amor é possível.
Amor de tantas provas
De tantas glórias...
Amor só nosso
Perfeito amor.

terça-feira, setembro 18, 2007

Para Sempre

“Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.”

quinta-feira, setembro 13, 2007

"I wish I could define all the thoughts that cross my mind..."

domingo, setembro 02, 2007

Por Ti, em Ti, por Nós…

Se amar é querermos estar juntos
se amar é sentir saudades
se amar for a busca do carinho
de sentir o calor do teu corpo
das batidas compassadas
de dois corações em harmonia
dos segredos,
das confissões
dos sentimentos em sintonia
então vou morrer a amar-te
desejando-te e buscando-te!
Como poderei não te amar
se a doçura,
o encanto que me dás todos os dias
se te busco,
se me buscas
se encontramos o que precisamos um no outro...
se a carência que existe em mim é a colmatada em ti...
Como não te amar
se me buscas
me acaricias com as tuas fantasias
se quando te sinto perto e me delicio com o som da tua voz...
Como não gostar de sentir tudo isso
se encontro tudo quanto preciso e anseio…
aquela cumplicidade em tudo o que sonhamos...
Fomos feitos UM para o OUTRO.

sábado, junho 30, 2007

Dias maus...

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa

quinta-feira, junho 14, 2007

O Tempo..

O tempo é muito lento para os que esperam.
Muito rápido para os que tem medo.
Muito longo para os que lamentam.
Muitos curtos para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eterno...
shakespeare

terça-feira, maio 29, 2007

Espera-me

Espera-me com tuas mãos abertas, para que delas eu possa sentir o calor de um afago no rosto; espera-me com o teu abraço pronto, para que com ele eu sinta a segurança do retorno; espera-me com teu afecto sem vírgulas ou pausas, com a tua ternura que flui como um sangue inestancável e rega-me os olhos com a fluidez da palavra “AMO-TE”, com a insensatez das entregas impensadas, porém certas como as regras desta vida se mostram depois que tudo termina; espera-me com teu cérebro inquieto, com tua boca desenhada pelo cinzel do artista; espera-me com a tua alma toda e mais ainda com teu coração e teus joelhos e tuas costelas que sinto no abraço, espera-me com uma longa frase sem ponto, interminável como o desejo de te amar enquanto houver mundo.

quarta-feira, maio 16, 2007

Como uma ilha

Tu és todos os livros,
Todos os mares,
Todos os rios,
Todos os lugares.
Todos os dias,
Todo o pensamento,
Todas as horas
O teu corpo no vento.
Tu és todos os sábados,
Todas as manhãs,
Toda a palavra
Ancorada nas mãos.
Tu és todos os lábios,
Todas as certezas,
Todos os beijos
Desejos, princesa.
Como uma ilha,
Sozinha...
Prende-me em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra
Como fogo na mão,
Como vou esquecer-te,
Como vou eu perder-te,
Se me prendes em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra,
Como fogo na mão,
Como vou eu lembrar-te
Se a metade que parte
É a metade que tens.
Tu és todas as noites
Em todos os quartos,
Todos os ventos
Em todos os barcos.
Todos os dias
Em toda a cidade,
Ruas que choram
Mulheres de verdade.
Tu és só o começo
De todos os fins,
Por isso eu te peço
Fica perto de mim.
Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.
Pedro Abrunhosa

quinta-feira, abril 26, 2007

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame E que amando, também seja amado E que se não for, seja breve em esquecer E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos. Não muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância Você sirva de exemplo aos outros. Desejo que, sendo jovem, Não amadureça depressa demais E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor. Desejo que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja E acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba De quantas muitas vidas é feita uma árvore. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você. Mas que se morrer, Você possa chorar sem se lamentar E sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você, sendo homem Tenha uma boa mulher E que, sendo mulher Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes E quando estiverem exaustos e sorridentes Ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer Não tenho mais nada a lhe desejar." Victor Hugo

segunda-feira, abril 23, 2007

Quase

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..."
Mário de Sá-Carneiro

quarta-feira, abril 18, 2007

Não me apagues do teu coração


Mesmo contrariando aquilo que parece ser um mau presságio, queria que soubesses que tens tudo o que preciso para ser feliz…

Desde que te conheci, sou apenas um pouco de ti. Um pouco de ti que amo com toda força da minha alma. Um pouco de ti que é tudo para mim...
Sozinho dentro desta noite, assim como estive sozinho nesta tarde cheia de murmúrios e tristezas, porque não te tenho ao meu lado e não consigo esquecer os teus olhos tristes de desilusão….
Agora estou só... com a saudade… e eu não sabia que a saudade doía tanto. Olho para as estrelas e imploro que leve até ti esta saudade, para que sintas e também desejes estar nos meus braços.
Não há certezas de que as atitudes estúpidas que marcaram o nosso percurso não voltem a acontecer, mas há sentimentos que se mantêm e evidências que não consigo apagar. Querer-te para mim é, sem dúvida, a maior delas.
Sei que essa dor não é fácil de apagar, que não mereces sequer um pingo desse sofrimento… mas tudo farei para que o brilho dos teus olhos regresse, e o amor esqueça tudo o que de mau se passou…
Por isso te peço para não me apagares do teu coração.

quinta-feira, março 08, 2007

Obrigado!

Desde que surgiste no meu caminho, tornou-se impossível para mim imaginar a vida sem a tua presença...
Posso dizer que encontrei o maior diamante do mundo ou a pepita de ouro mais pura. Sou um homem comum, mas iluminado, pela sorte de te ter encontrado e, hoje, no Dia da Mulher, eu só desejo agradecer esta fortuna.
Ao conhecer-te, a minha vida ganhou beleza, paz e pureza.
Tornei-me o ser mais rico do mundo, apoderei-me de algo puro e belo, capaz de me apaziguar a alma, de afugentar todas as angústias, de me dar segurança e eliminar os meus medos.
És a minha bússola, que SUGERE sempre o caminho correcto e mais perfeito. És a minha âncora, que me prendes e me seguras nos recantos da maior harmonia que existe no mundo: os teus braços, os teus ombros, o teu colo.
Neste dia especial, que é o Dia da Mulher, quero reafirmar todo este amor que nutro por ti e dizer, também, que espero nunca me separar de ti!
Amo-te demais!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Verdade

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
e que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

terça-feira, janeiro 16, 2007

Desencontros


15-12-2006
03h17m













Não é propriamente a melhor hora para se dizer o que quer que seja, mas também é verdade que existem alturas em que não conseguimos mais conter o que nos vai cá dentro… e esta é uma delas. Nos últimos dias dei por mim a falar com os meus fantasmas e a única coisas pessoa que não saía do meu pensamento eras tu…
Nem sempre soube corresponder às expectativas, ou “atestar” a veracidade dos meus sentimentos. A vida não nos ensina o caminho certo a seguir, mas pelo menos indica-nos um rumo. O meu conduz-me a ti!
Vivo com medo, porque ele é que me faz temer a tua ausência e a tristeza que passarei na tua falta…
Mas também vivo feliz, porque passo tão bons momentos a teu lado que não estou disposto a abdicar de mais nenhum!

EU AMO-TE!!!
Amo os teus gestos, o teu sorriso, em tudo o que podes ser…
Amo-te por tudo o que me podes ensinar…
Amo te porque és minha alegria de viver... Amo-te porque és a motivação dos meus sonhos (e que sonhos!!!!). Amo-te porque és a saudade constante. Amo-te porque, na verdade, habitas nos meus pensamentos quando os tento afastar... Amo-te porque fazes-me sorrir, viver, amar... AMO-TE PORQUE NOS COMPLETAMOS...AMAMOS, QUEREMOS... Porque me fazes pulsar o coração... Como jamais bateu por alguém... Amo-te porque a tua luz é a luz dos meus olhos O meu caminho a seguir... Um pouco do ar que eu respiro... És um pedaço de mim...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Para matar um grande amor

Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza; a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. Arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. Os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. Falta-lhes exatamente o Dom da finitude, abrupta e intempestiva. Qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição. Não se vive o amor; sofre-se o amor. Sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. Ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. Aponta numa única direção: o rompimento. Pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão. Mas não se pense que esse é um gesto de covardia. O grande amor exige isso. O rompimento é sua parte complementar. Uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. Morrer um pouco para se continuar vivendo. E poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado. Há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema. O cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember Casablanca), um entroncamento rodoviário. Pode ser uma praça ou uma praia deserta. Falésias ou ruínas de uma cidade perdida. Pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível. As nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. Os cabelos da amada, longos e escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. Há sutis crispações, um discreto arfar de seios. E os olhos, ah!, os olhos... A visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder. Uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. Que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...
Jamil Snege nasceu em Curitiba, em 1939. Graduou-se em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escritor e publicitário, dividia seu tempo entre os livros e sua agência publicitária. Publicou crônicas, quinzenalmente, no jornal Gazeta do Povo. Seus principais livros são “O jardim, a tempestade” (minicontos, 1989), “Como eu se fiz por si mesmo” (memórias, 1994) e “Os verões da grande leitoa branca” (contos, 2000). Morreu em Curitiba, em 2003