"(...)Em mim há todas as contradições - e só assim se explica que te deseje com este excesso que a distância torna em ferida e ao mesmo tempo com todo o amor e ódio de todos so homens por todas as mulheres, amor feito desta intensa espera de te penetrar e redescobrir, mas também de angústia, receio do definitivo; de infinita ternura, mas também de pânico, ou de espanto da abertura para a morte que é a aniquilação no outro.
Agora posso dizer-te, agora sim, como te quero. Corres-me no sangue, sinto-te na língua, nas mãos, no sexo, no cheiro, nas contracções do estômago, no tremor de todo o corpo, arredondas-te na noite que me envolve, reconheço-te até no tempo em que não te conhecia, na aspereza dos chaparros e no seu drama, na lua cheia de Outono, cor-de-laranja, nas folhas pisadas como as tuas pálpebras, sinais de ausência, lareira de veludo (tão longe!) montanha chaga que não se deixa escalar.(...)
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