sexta-feira, setembro 24, 2010

Saudade

Tenho preguiça de tudo que inclua tua falta

há um mundo inteiro lá fora

um mundo inteiro pela metade na tua ausência

no dia económico em palavras e vontades

só é completa a saudade.

quarta-feira, setembro 01, 2010

I carry your heart with me

I carry your heart with me (I carry it in my heart)

I am never without it (anywhere I go you go,my dear; and whatever is done

by only me is your doing,my darling)

I fear no fate (for you are my fate,my sweet)

I want no world (for beautiful you are my world,my true)

and it's you are whatever a moon has always meant

and whatever a sun will always sing is you



Here is the deepest secret nobody knows

(here is the root of the root and the bud of the bud

and the sky of the sky of a tree called life;which grows

higher than the soul can hope or mind can hide)

and this is the wonder that's keeping the stars apart



I carry your heart (I carry it in my heart)

Os Livros

em cada página, o teu olhar, em cada montanha,

a tua voz, deixa-me falar contigo. lembro-me

tão bem de tudo o que me disseste.



as palavras existem. eu quero encontrar-te

sempre, em cada noite, sobre a mesa de papéis

desarrumados onde desarrumo a nossa vida.



em cada página, os campos, em cada montanha,

tu a chamares-me, as páginas são, outra vez,

o dia em que nasci. lembro-me tão bem de tudo.



passam anos sobre as palavras. os dias existem.

seguro os livros como se segurasse a tua voz

e, quando alguém diz o teu nome, eu continuo a responder.



In, “A Casa, a Escuridão”



um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,

acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.



e a luz compreenderá a impossível compreensão o amor.

um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for

tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada

de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da

nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso

será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi

nem uma palavra, nem o principio de uma palavra, para não estragar

a perfeição da felicidade.



In, “A Criança em Ruínas”

Gargalhada

"Quando me disseste que não mais me amavas,


e que ias partir,

dura, precisa, bela e inabalável,

com a impassibilidade de um executor,

dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...

Mas olhei-te bem nos olhos,

belos como o veludo das lagartas verdes,

e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,

tive pena de ti, de mim, de todos,

e me ri

da inutilidade das torturas predestinadas,

guardadas para nós, desde a treva das épocas,

quando a inexperiência dos Deuses

ainda não criara o mundo..."

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos

se ter formado o afago

sem termos sido a cidade

nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor

nem o interior da erva.



Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda.