"Nada. Imagino-te contra a chama verde da serra, os teus olhos vazios, todos brancos, criatura lunar em pleno dia, a boca arqueada e trémula como no amor, quando não sei se gozas ou sofres. Abres os braços, como asas, menina cisne, sobre a fonte manuelina. Quem te soletrar, ou sonhar, pela caligrafia do teu sorriso desconhece a dor desse cérebro que se rasga, que eu próprio tão pouco mal adivinho. Procuro-te entre o sonho e a derrocada. Nem sei se é pela ternura que te quero ou pela surpresa do teu corpo, tão animal quando se despe. Esta distância sem sinais, dar-te-ás conta? Remove as palavras que dissemos. Estar-te-ás esfarelando (tenho medo) a tua remota vontade de viver?"
Sem comentários:
Publicar um comentário