sexta-feira, dezembro 03, 2021

O meu amor por ti era um amor desesperado.

 Eu amei-te; mesmo agora devo confessar,

Algumas brasas desse amor estão ainda a arder;

Mas não deixes que isso te faça sofrer,

Não quero que nada te possa inquietar.

O meu amor por ti era um amor desesperado,

Tímido, por vezes, e ciumento por fim.

Tão terna, tão sinceramente te amei,

Que peço a Deus que outro te ame assim.

segunda-feira, novembro 29, 2021

Foi na Escola que aprendi a amar-Te.


Não deites fora as cartas de amor.

 "Elas não te abandonarão.
Passará o tempo, apagar-se-á o desejo
– essa flecha de sombra –
e os rostos sensuais, inteligentes, belíssimos
ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho.
Cairão os anos. Cansar-te-ão os livros.
Decairás ainda mais
e perderás até a poesia.
O ruído frio da cidade nos vidros
acabará por ser a tua única música,
e as cartas de amor que tiveres guardado
serão a tua ultima literatura."

sexta-feira, novembro 26, 2021

As árvores caíram da terra no dia em que parei nos teus braços.

 

    Um dia parei nos teus braços. Era a noite mais escura aberta no tronco da árvore, e tu vinhas de uma língua distante onde todas as tempestades eram de silêncio. Falavas-me na pequena morte dos pássaros envelhecidos, dos seus olhos de voo esplêndido sem quedas no fim.

    Lembras-te? Eu não tinha ainda nascido para dentro da terra e os teus braços eram já o princípio. Princípio até ao fim. Não sei de que parte tua, de qual partida crescem para mim os teus braços. A ternura imensa de um céu fechado sobre o cimo breve dos nossos corpos. O nosso corpo. Não sei onde pairas dentro da minha escuridão. Hoje e agora serão as tuas mãos, essa força que não me lembro e tampouco é. Eis-me assim: de todas as vezes me quero fraca, vinda de um lugar sem forças nem pesos. É de pluma que pairo, que beijo de cima o mundo que me morre enquanto a árvore reluz de regresso à terra. De volta ao interior do silêncio.

    Paro nos teus braços, fogo e casa donde conheço o mundo. Aprofundo e espero, mais do que quem deseja. Subo inteira à altura límpida dos que amam.

    Vou e voo rente aos pés de um deus febril, um deus que ama com o calor do corpo todo. As suas mãos azuis de vento carnal, mar anoitecido delirado sobre as costas de Eva.  

    Levo em mim a velocidade do tempo, o dia bate ao meio dos teus ombros altos e tu sorris da imunidade que me falta para te falhar, desconhecendo quase que é de ser falível que um homem se salva. Estás aqui. Útero azul onde começa a viagem antes do escuro. Ou uma ilha por abrir no ar da tua boca, essa estrela de penumbra clareando levemente o prelúdio da aparição. De ti.

    As árvores caíram da terra no dia em que parei nos teus braços. E veio um manto incandescente cobrir-nos o rosto, uma espécie de milagre no tremor de mãos tão incertas. Vês?

quarta-feira, novembro 24, 2021

Uma vida.

Nem uso relógio. 


Há tanta forma de contar o tempo: Um cigarro dura cinco minutos uma noite de sono oito horas 


Um amor um amor, 


Uma vida uma vida.

terça-feira, novembro 23, 2021

Amor infeliz.

Não sei como cabem na mesma frase, nem tão pouco, simultaneamente, num peito apaixonado. 

Talvez o instante seja isso mesmo.

Aconteceu.

Enlouqueceu.

Passou.

Deixou rasto de tristeza.

Serás sempre única e a mais gentil dos meus amores infelizes.

segunda-feira, novembro 22, 2021

Essa paisagem que me fascina.

"(...) E continua a viagem

No meio dessa paisagem onde tudo me fascina

E me deixo ser levado

Por um caminho encantado

Que a natureza me ensina(...)"



sexta-feira, novembro 19, 2021

O meu caminho és Tu. Sempre.


"(...)Sei que o tempo passa, voa

Que eu sinto falta

Mas o caminho é voltar

Sempre

Pra te poder abraçar

Sempre

O meu caminho é voltar pra dizer"

quinta-feira, novembro 18, 2021

Como se vive com na memória?

Como recordo os momentos que teimam em se desvanecer?

Como Te vivo outra vez, aqui dentro, num peito escangalhado?

Como guardo os traços do Teu corpo enquanto as rugas do pensamento não de esmorecem?

Como Te sinto o calor do ventre e a respiração compassada enquanto unimos as mãos antes do sono?

Delírio.


 

quarta-feira, outubro 27, 2021

Será por ele parar.

 Meu coração a bater

Parece estar a lembrar

Que, se um dia te esquecer,

Será por ele parar.

quarta-feira, julho 28, 2021

Ele não sabia ler.

ELA ERA POESIA.

Ela guardava as palavras debaixo da almofada.

Na segunda gaveta da cómoda de cerejeira.

Não as deixava fugir das páginas dos livros.

Saboreava- as ao pequeno almoço com o pão com manteiga.

Roubava-as às pessoas que passavam por ela e não sentia remorsos.

Escondia-as no frigorífico para que se mantivessem frescas. Como alfaces.

Semeava-as em vasos de barro e esperava, pacientemente, que florescessem.

Colhia-as quando deambulava pela cidade grande.

Nas catedrais. Nos becos dos bairros de ruelas estreitas. Nas frestas das fachadas dos prédios pombalinos. Até nos elevadores que a levavam aos miradouros para descansar o olhar. Nos museus e nos monumentos de pedra bordados.

Dela saíam palavras pelo decote. Dos sacos das compras. Do cabelo pintado da cor das papoilas. Das gargalhadas.

Ele apareceu na vida dela e foi amor à terceira vista.

Ele prometeu-lhe um mundo. O seu.

Fez-lhe uma serenata.

Mas ela só lhe disse, tristemente, aquele amor era impossível.

Ela era poesia. Ele não sabia ler.


terça-feira, junho 01, 2021

Agora que te leio...

"Tento empurrar-te de cima do poema

para não o estragar na emoção de ti:

olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,

a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir…

E o meu alarme nasce: e se morreste aí,

no meio de chão sem texto que é ausente de ti?


E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?

E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?

E se tu não estiveres onde o poema está?


Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,

depois um verso todo em emoção e juras.

E termino contigo em cima do poema,

presente indicativo, artigos às escuras."

segunda-feira, maio 03, 2021

segunda-feira, abril 05, 2021

segunda-feira, março 01, 2021

Bastava.


Pensei que bastava ler-te.

Pensei que bastava escrever-te.

Saber de ti anonimamente pelas ruas virtuais digitais.

Espreitar-te nas janelas das redes sociais.

De tudo isso (quase) abdiquei.

Pensei que isso bastava.

Quase.

Porque os dias são traiçoeiros e a memória foge de quando em vez.

Porque às vezes bastam recordações para colorir os momentos cinzentos dos dias.

Pensei que bastava desligar.

O teu dia de aniversário bastava como desculpa para te interpelar.

Bastava não me ignorares.

Bastava não doer tanto.

Não sei como te amei.


"Amei-te sem saberes
No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão".



sexta-feira, fevereiro 26, 2021