A SEPARAÇÃO
Continuo a pensar em ti — o que é ridículo.
Estes anos entre nós como um mar.
Qualquer dignidade que tenha vindo com a idade
faria o meu lápis estacar no papel.
O leitor estava aberto; tu pediste os Stones;
Ouvimo-los, tomámos café a escaldar, conversámos,
As pesadas cortinas guardavam-nos de uma noite feroz.
Continuei a pensar nos teus olhos, nas tuas mãos.
Não há qualquer razão para isso, absolutamente nenhuma.
Tu dirias que eu não posso ser o que eu não sou,
no entanto, eu não posso ser o que sou.
Onde é que isso nos deixa? O que podemos fazer?
O silêncio depois de Jagger era como um manto
com que te teria coberto — só o vento
restou, e o som dos ponteiros enquanto sorvias,
segurando a caneca verde com as duas mãos.
Não olhes assim para cima tão de repente!
Como é difícil não te observar.
Tínhamos chegado à fase de não falar
e de não nos preocuparmos, e isso
era quase a felicidade. Então, mais tarde
quando te deitaste sobre o cotovelo na carpete
eu não consegui sentir nada além daquela faca
de dor dizendo-me o que era
e eu não consigo falar-te disso, nem uma palavra.
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