Impetuoso, o teu corpo é como um rio onde o meu se perde. Se escuto, só oiço o teu rumor. De mim, nem o sinal mais breve. Imagem dos gestos que tracei, irrompe puro e completo. Por isso, rio foi o nome que lhe dei. E nele o céu fica mais perto. E.A.
sexta-feira, janeiro 19, 2024
terça-feira, janeiro 16, 2024
Que curso ao nosso descer o rio?
Tudo o que dizemos e fazemos
passa por esses momentos violentos do corpo,
onde os desejos vêm beber como os animais cansados
chegam aos grandes rios originários das nossas fundações.
Que memória consentir então aos corpos,
que lugar deserto às paixões, que curso
ao nosso descer o rio?
Tu não me respondes. Entramos no mais fundo
da pedra, no túmulo preterido, espólio
de um deus acossado, eu estrangeiro, eu esquecido.
Tu ocultas o coração, voltas-te de perfil
para as dunas, a pedra, pedra.
Não me respondes.
Como o coração, dizes.
quinta-feira, janeiro 11, 2024
Não soube ver este fim.
https://www.youtube.com/watch?v=8eqBkiuHDN0&list=RDEM-JOplmwgLdJIO1BBZuy8wQ&index=27
Antes que digas adeus,
Vou-te dizer isto assim
P'ra o caso de te não ver.
Os meus olhos são os teus,
Não soube ver este fim
E o que for, há de doer.
Antes que partas de vez,
Meu amor ouve com calma,
Meu chão, meu porto de abrigo.
Fugires de mim é talvez,
Mais do que doer-me a alma,
Levares metade contigo.
Eu nunca fui de ceder
E o meu orgulho chegou
Sempre primeiro do que eu.
Deu todo o amor a perder
E o que do amor me sobrou
Guardei aqui e é só meu.
Mas se for este o caminho,
Foi por falta de cuidado
Não há leis na despedida.
Sei que vais seguir sozinho,
E eu vou sonhar-te a meu lado
P’ro resto da minha vida.