terça-feira, janeiro 16, 2024

Que curso ao nosso descer o rio?

 

Tudo o que dizemos e fazemos

passa por esses momentos violentos do corpo,

onde os desejos vêm beber como os animais cansados

chegam aos grandes rios originários das nossas fundações.

Que memória consentir então aos corpos,

que lugar deserto às paixões, que curso

ao nosso descer o rio?

Tu não me respondes. Entramos no mais fundo

da pedra, no túmulo preterido, espólio

de um deus acossado, eu estrangeiro, eu esquecido.

Tu ocultas o coração, voltas-te de perfil

para as dunas, a pedra, pedra.

Não me respondes.

Como o coração, dizes.

quinta-feira, janeiro 11, 2024

Não soube ver este fim.

https://www.youtube.com/watch?v=8eqBkiuHDN0&list=RDEM-JOplmwgLdJIO1BBZuy8wQ&index=27 


Antes que digas adeus, 

Vou-te dizer isto assim

P'ra o caso de te não ver.

Os meus olhos são os teus,

Não soube ver este fim

E o que for, há de doer.

Antes que partas de vez, 

Meu amor ouve com calma, 

Meu chão, meu porto de abrigo. 

Fugires de mim é talvez, 

Mais do que doer-me a alma, 

Levares metade contigo. 

Eu nunca fui de ceder

E o meu orgulho chegou

Sempre primeiro do que eu. 

Deu todo o amor a perder

E o que do amor me sobrou

Guardei aqui e é só meu. 

Mas se for este o caminho, 

Foi por falta de cuidado

Não há leis na despedida. 

Sei que vais seguir sozinho,

E eu vou sonhar-te a meu lado

P’ro resto da minha vida.