terça-feira, janeiro 16, 2024

Que curso ao nosso descer o rio?

 

Tudo o que dizemos e fazemos

passa por esses momentos violentos do corpo,

onde os desejos vêm beber como os animais cansados

chegam aos grandes rios originários das nossas fundações.

Que memória consentir então aos corpos,

que lugar deserto às paixões, que curso

ao nosso descer o rio?

Tu não me respondes. Entramos no mais fundo

da pedra, no túmulo preterido, espólio

de um deus acossado, eu estrangeiro, eu esquecido.

Tu ocultas o coração, voltas-te de perfil

para as dunas, a pedra, pedra.

Não me respondes.

Como o coração, dizes.

Sem comentários: