segunda-feira, fevereiro 24, 2025

oceano náufrago

O teu corpo,  

deixou sem sal o mar.

Em mim restou  

um respirar de marés,   

oceano náufrago,   

afogadas sombras de água. 

Eis a praia  

em que estiveste deitada:  

não há areia  

que não desenhe o teu passo.

Descalço sobre o Sol  

sigo no encalço do que nunca será antigo. 

De quem fui onda,  

sou agora espuma,  

búzio seco,  

lembrança de viagem nenhuma.

A lágrima e o suor  

do mesmo sal  

agora se entretecem:  

- na falsa fundura dos lagos,  

peixes de água   

banham-se sem nenhuma verdade.

E dançam   

como se houvesse eternidade. 


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