Levanto a mesa, dobro a toalha de algodão bordada a ponto-cruz,
deixo as migalhas de pão na fronha, o doce de amora no armário.
Verto para a pia um resto de café e limpo os minutos que esqueceste no
fundo do prato, húmidos ainda como sementes de melancia. Depois
deito umas gotas de detergente na água, e a água cresce como uma
esponja quente sob as mãos ainda trémulas. E então esfrego os pratos,
e os minutos, e o vestido oloroso das violetas, como quem recita de cor
palavras de antigos sortilégios. Até que desapareces dos detalhes e é
possível respirar de novo sem me ferir inadvertidamente no ar.
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