sexta-feira, julho 27, 2012

Companheira

Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

terça-feira, julho 24, 2012

Ninho

Como quase todas as histórias, os episódios de loucura de amor da nossa vida têm sempre momentos caricatos. Na maior parte deles, rimo-nos juntos do melhor e do pior.

Hoje também não me resta outra coisa, tenho mesmo que rir de memória deste brinquedo, apesar da saudade não imprimir os melhores sentimentos nesta altura, por força da minha perda.

Não, não significa só as loucuras a dois, enquanto as colegas de quarto saíam para as compras, o ninho do amor quando o sofá não era suficiente para a desinibição dos corpos, nem tão pouco a ironia de ter sido um presente de uma anterior relação, que felizmente não vingou para que eu pudesse usufruir da melhor maneira da prenda, mas principalmente de ti, do teu amor, do teu abraço.
Hoje, apenas os teus olhos chegavam para que esta ansiedade se diluísse nas ondas da minha saudade.
Hoje. Amanhã. Sempre. Te amo.

sexta-feira, julho 20, 2012

Soneto do amor difícil



A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa...

Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.

E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.

         

sms

Espero que essa viagem esteja a correr bem. Foi compensador saber a tua perspectiva sobre nós! Ainda que me deixasses confusa relativamente ao futuro. bjo molhadinho!

quinta-feira, julho 19, 2012

Se ao menos houvesse um dia

Se ao menos houvesse um dia
Luas de prata gentia
Nas asas de uma gazela
E depois, do seu cansaço,
Procurasse o teu regaço
No vão da tua janela

Se ao menos houvesse um dia
Versos de flor tão macia
Nos ramos com as cerejas
E depois, do seu outono,
Se dessem ao abandono
Nos lábios, quando me beijas


Se ao menos o mar trouxesse
O que dizer e me esquece
Nas crinas da tempestade
As palavras litorais
As razões iniciais
Tudo o que não tem idade


Se ao menos o teu olhar
Desse por mim ao passar
Como um barco sem amarra
Deste fado onde me deito
Subia até ao teu peito
Nas veias de uma guitarra

quarta-feira, julho 18, 2012

Com o tempo...

Com o tempo aprendemos a esquecer coisas.
A deixar para trás os pormenores mais penosos ou as preocupações quotidianas que antes, faziam questão de nos massacrar, roer a paciência ou tirar horas de sono.
Hoje ignoro aquela dor que me consome porque preferes o lado direito da cama e eu tenho que dormir abraçado a ti. Mas não esqueço o prazer de dormir a teu lado.

Hoje encaro uns dias de gripe com tanta naturalidade até que a febre me faço delirar, mas não esqueço os dias de cama e mimos e o prazer de transpirar no teu corpo quando o amor era cura para tudo. 
Hoje descuro o culto do corpo, do espelho que tanto adoras e os pormenores estéticos que não me deixam caber na roupa que me ofereceste, mas não esqueço os momentos que me permitiam partilhar o teu espaço, passear ao teu lado, brilhar na tua presença porque só precisava dos teus olhos para me sentir feliz.

Hoje já não gosto de sair à noite, porque só o fazia para te sentir poderosa, numa pista de dança. no riso, sob o poder do álcool ou da loucura natural que emanas do corpo e da alma. Mas não esqueço de defender a minha dama com unhas e dentes,  proteger o meu tesouro, porque me roía sempre que um ou outra (sim...outra),  se insinuava perante essa presença que ninguém consegui ignorar.

Com o tempo aprendemos a esquecer muita coisa.
Mas não quero deixar-te sair do meu coração.  

terça-feira, julho 17, 2012

sms

Lindo, é só para te dizer que ganhei a aposta e vou cobrá-la!
Não imaginas a vontade que tinha de ficar contigo hoje de manhã.
Já estou repleta de saudades. Kiss doce

Objectos da memória

Recordo sempre os objectos que deixaste à minha guarda quando o amor era palavra de ordem e vida quotidiana sabia a flores e a mar.
Alguns desses objectos transportam-me numa nostalgia quase crónica, de alegria, mas também de uma dor que não consigo abafar nem nas palavras nem nas lágrimas que hoje sangro por te perder.
Viajo na tua roupa íntima, recordo o talismã que ficava pendurado na manete de velocidades do carro, do porta-chaves que me ofereceste para usar na mala do computador, do girassol que iluminava a nossa sala de amor, dos livros que rabiscaste e que preencheste com a tua alma nua ao libertares a tua alma, despida de preconceitos, quando respiravas o Amor e reclamavas legítima atenção... ou do porta retratos com a fotografia em que escondes o cigarro, mas revelas o sorriso e a felicidade para o fotógrafo , porque o amor renascia em cada hora.
Guardo estas e tantas outras memórias nos objectos,porque não consigo manter o corpo são e a alma sóbria na tua ausência.
Guardo-te.
Mas não consigo prender-te.
Amo-te.
E não consegui tantas vezes dizer-to.

segunda-feira, julho 16, 2012

Escrevi teu nome no vento


Escrevi teu nome no vento,
convencido que o escrevia

na folha do esquecimento
que no vento se perdia.


Ao vê-lo seguir envolto
na poeira do caminho,

julguei meu coração solto
dos elos do teu carinho.


Pobre de mim não pensava
que tal e qual como eu,

o vento se apaixonava
por esse nome que é teu.


Mas quando o vento se agita,

agita-se o meu tormento,

quero esquecer-te, acredita,
mas cada vez há mais vento

terça-feira, julho 10, 2012

Tentei fugir da mancha mais escura


Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração. 

                  

segunda-feira, julho 09, 2012

sms

Fofinho hoje vou nanar sem ti, mas tenho sempre o teu doce aroma na minha almofada e a doce memória da noite anterior. Nana bem, kiss gand e gosto muito de ti! miauuuu!!

sexta-feira, julho 06, 2012

sms

Gostava de ouvir a tua voz mais uma vez e poder-me envolver pela doçura das tuas palavras e sonhar que me envolves num doce e longo beijo. Cuidado contigo, kiss gand!!

Praia do Esquecimento

Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada.
A minha vida nem consente
rumor de gente
na praia desolada.

Apenas decisão de esquecimento:
mas só neste momento eu a descubro
como a um fruto rubro
de que, sem já sabê-lo, me sustento.

E do Sol amarelo que há no céu
somente sei que me queimou a pele.
Juro: nem dei por ele
quando nasceu.

terça-feira, julho 03, 2012

Primavera

Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia

E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver

Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia

             

segunda-feira, julho 02, 2012

sms

Foi tão bom ouvir a tua voz... Sabes o que eu queria agora... o que me apetecia mesmo? Umas belas torradas das tuas! Kiss doce e muitas saudades!

Mas...

(...)
se em cada dia,
cada hora,
sentires que a mim estás destinada com implacável doçura,
se em cada dia levantares uma flor em teus lábios para me buscares,
oh meu amor, oh minha vida,
em mim todo esse fogo se reacenderá,
em mim nada se apaga ou se esquece,
meu amor se nutre do seu, amada,
e enquanto viveres
estará em teus braços
sem deixar os meus.