sexta-feira, maio 17, 2024

Amei demais.

Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais 

todas as coisas que na vida eu emprenhei. 

Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais, 

como as tais coisas nas quais nunca pensei. 


Demais foram as sombras. Mais e mais. 

Cada vez mais ardentes as sombras que tirei 

do imenso mar de sol, sem praia ou cais, 

de onde parti sem saber por que embarquei. 


Amei demais. Sempre demais. E o que dei 

está espalhado pelos sítios onde vais 

e pelos anos longos, longos, que passei 


à procura de ti. De mim. De ninguém mais. 

E os milhares de versos que rasguei 

antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.

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