terça-feira, maio 21, 2024

Tu: a primavera luminosa da minha expectativa.

 Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que

me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a

manhã da minha noite. É verdade que te podia

dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas

não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos

apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me

a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,

até sermos um apenas no amor que nos une,

contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:

ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua

voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo

esse que mal corria quando por ele passámos,

subindo a margem em que descobri o sentido

de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo

que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,

de chegar antes de ti para te ver chegar: com

a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água

fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:

a primavera luminosa da minha expectativa,

a mais certa certeza de que gosto de ti, como

gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

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