Costumo dizer frequentemente que a inveja é um sentimento muito feio.
Aparentemente sim. No meu caso, na maioria das vezes, nem por isso.
Muito pelo facto de que, invejo as boas relações que o Amor conseguiu transformar a vida dos que me são mais próximos.
Ao invejar a relação dos meus amigos, consigo também acreditar que, apesar e por tudo, o Amor consegue sempre vencer, sobreviver, transpirar, transbordar.
Ainda que a inveja me traga sempre associado o sentimento nostálgico da tua ausência, desperta-me para a esperança. Nem que seja no leito da almofada vazia de ti. Apenas nos sonhos. Na memória do que te Amei. Te Amo.
Viver o Amor através dos outros não é mais do que revisitar os lugares da memória em que fui feliz. Cumprir o ritual da veneração a Ti, sem o infindável peso da saudade ou da culpa de te ter perdido. Apenas recordar-te nos sorrisos e expressões que quem hoje é feliz e que queres bem. Também assim se reconhecem os amigos.
Por isso hoje estou mais triste. Porque percebo que outras relações terminam. Aquelas que invejava. Que me faziam bem. E mal. Mas que me levavam até ti. E que não perdia um minuto a relacionar com todos os momentos de prazer que vivi ao teu lado.
E hoje terminaram. E preciso procurar desesperadamente outra âncora. Outro fio condutor do quotidiano das relações amorosas dos companheiros de trabalho, de amizades pessoais, para acreditar no Amor para além da vida paliativa que hoje levo.
Porque também preciso da inveja para te Amar todos os dias e não chorar da tua ausência.
Ao menos que os outros sejam felizes.
E tu também.
Porque te Amo.
Na saúde, doença, dor, alegria e euforia.
E na inveja.
Sem comentários:
Enviar um comentário