domingo, setembro 09, 2012

Privilégios.

Claro.
Ainda a mensagem. O misterioso telefonema. A iminência da resposta. A conversa fiada. Mas tão boa! O teu soninho na voz. 
Hoje comprei revistas. Hoje apetece-me saber de Amores, de intrigas. De paixões e brigas loucas. Quero saber receitas. Ouvir conselhos. Ler o zodíaco. Sentir-te perto. Demência. Urgência. Loucura. Sei lá. 
Porque acordei com aquela música que sempre ouvia ( no carro, na cabeça, nos sonhos, ou quando fazia amor contigo) quando estava feliz! E falo no pretérito, mas afinal, quando agora escrevo, só a alegria da tua voz me  alenta.
Acho que nunca te revelei qual a música. Também não percebo a correlação. Mas é assim que também te sinto. A cantar e dançar. E o Amor não te explica. Só me complica. Depois pergunta-me qual.
É segredo e só to conto a ti.
E como até hoje tento digerir todos os pormenores da conversa de quatro horas, acordo com mais uma epifania quando, em jeito de conclusão, te ouvi suspirar (deixa-me sonhar assim), que deveríamos ter sido amigos sem privilégios.
Pois meu amor, confesso, atesto, declaro, que, se foram os teus olhos que me apaixonaram, foi o teu corpo que me embebedou, foram os teus seios que me saciaram o prazer, os teus lábios que acalmaram o furacão. Um freepass  de emoções que jamais abdicaria no Mundo.
A imortalidade.
A liberdade.
O coração.
Ser teu qualquer coisa, é por isso hoje,   em qualquer parte,  do corpo ou num canto da alma, o melhor privilégio que na vida me concederam, e percebo-o claramente nos momentos em que transpiro só de ouvir a  tua voz.
Por isso te peço que hoje, só me basta ter o privégio na tua memória. No café da manhã. No banho. (Ai o banho da limpeza dos pecados. E das penitências. Da tua pele alva!). Na geografia das ruas apertadas e esguias da cidade, que revelam o mapa sinuoso do teu corpo doce, na aventureira busca ao tesouro. No carro. Na música que (te) toca quando passa e fazes aquele jeitinho com o pescoço, como as gatas no cio, a pedir Amor. Ai o teu canto hipnotizante de sereia. Impossível esquecer.
 
Só precisas de fazer isso.
Hoje.
Amanhã.
Ou qualquer dia.
Num minuto ou segundo que o teu coração te peça.
O resto é fácil.
Estarei aqui.

Tenho que dormir. O corpo atraiçoa e atormenta os dedos que agora escrevem, porque a alma quer dizer mais. Tenho tanto para te dizer.

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