Não é fácil escrever-te sem pensar nas consequências.
E justificar. Argumentar.
Enumerar e apelar ao teu coração depois de o ter ferido tanto.
E pedir desculpa. Às vezes não tenho outra solução senão de me armar em escritor de meia tigela e divagar nas palavras quando o que tenho para te dizer é tão simples e tão factual.
Por isso hoje começo pelo fim. Antes do argumento, a conclusão. A verdade é que sinto todos os dias a tua falta. Até podes já parar de ler por AQUI.
Desde que foste embora que deixaste o teu perfume contigo. E mesmo ranhoso, consigo cheirar-te. Às vezes estou a tomar banho, a usar a luva esfoliadora, esfrego-te até fazer ferida e o coração chora. Mas não sais de mim.
Estás na almofada, no computador, no carro, no café ou no cigarro.
Em todo o lado.
O que fazes tu para estares tão longe e tão perto.
Porque não foste embora de vez?
E porque é que não levaste também o meu cheiro contigo, porque tenho a certeza que na tua almofada, no teu carro ou no computador já reina um novo perfume?
Não sei escrever-te Tinhosa. Não consigo ser hábil o suficiente para te prender às minhas palavras, porque não tenho mais a que te agarres.
Só queria ser capaz de prender-te o suficiente para sentires o meu coração.
Não é nenhum tipo de vassalagem, estes argumentos que hoje tento esgrimir.
Até porque, verdade, a minha pequena alma deixou de fazer sentido na comparação com a grandiosidade da sua.
A questão é esta:
Durante demasiado tempo habituei-te a não receber elogios, a ser discreto, a não me apaixonar com medo dessa turbulência amorosa, a não andar de mão dada, a ser outro, a não ter direito a palavras fofinhas e doces.
Habituei-te assim e fiz-te mal.
E agora, reaparecendo na tua vida, sem que mo tenhas pedido ou exigido, dou-te a mão sem te dar, beijos de livre vontade… sem te tocar, coisas amorosas, mesmo não te sentindo perto de mim.
Adorei sentir novamente o meu coração descompassado ao ouvir a tua voz ou ao encontrar os teus olhos.
Só tu me conheces assim, só tu sabes o que gosto, quanto gosto, a medida certa.
E tudo isto é demasiado bom para constar apenas como recordação. Perdoa a gula, a inveja. Tudo por um bom motivo.
Já não posso aconchegar-te quando sentes frio, cozinhar algo saboroso mas pouco saudável, abraçar-te na alegria e na tristeza e tranquilizar-te quando nervosa.
Mas posso pensar em ti, estar disponível, escrever-te, partilhar experiências, os teus pensamentos, sentimentos ou sonhos…
Já não posso apreciar-te, dar-te o ombro para chorar, estar atento aos teus movimentos ou observar as tuas coisas com atenção e deliciar-me com a tua rotina matinal.
Mas posso digerir as tuas palavras, ajudar na necessidade, conhecer-te, compreender-te, respeitar-te, perceber os teus gostos, ajudar a solucionar os seus problemas, conversar, comunicar, rir, retribuir o prazer que me dás.
Nunca fui além do puro egoísmo, do só eu, só meu, quando quero e me apetece.
Não que isso agora importe. Só na diferença que hoje e sempre depois desta ruptura tento marcar. O segredo está simplesmente na simplicidade que querer tudo e esperar nada.
Mas ao levar-te para dentro do meu segredo, estou simplesmente a dizer-te: Ainda te sinto em mim.
Hoje tento ter a força, a vontade e a persistência necessária para abrir a porta a um novo significado para a tua existência na minha vida.
Ainda te sinto em mim, e como amigos que somos não quero perder isso, mas quero - e precisamos!! – de voltar a crer e que voltes também a acreditar naquilo que te mais magoei: no Amor