segunda-feira, outubro 13, 2025

De outra maneira não te quereria.

Quero ficar contigo por dentro de ti até o tempo se cansar de ser tempo, os corpos desmaiados, a tua mão esquerda devagar a abrir-se e a fechar-se, inteira. Quem te perde, julgando que lhe pertencias, insiste em andar sobre os passeios como se sem ti pudesse encontrar um lugar para dormir e, depois de encontrar, adormecer. Não pretendo que ninguém me vá salvar de todos os evitáveis desastres, por isso amo a tua mais íntima confusão, a tua insondável solidão, a tua inabalável vontade em te tornares para sempre invisível. Amo o teu cheiro mais intenso, a tua ferida aberta, o teu sangue a correr no coração da lua. Sou muitos, a isso me obrigas, cada qual com seu desejo onde não há partida e chegada. Só assim posso ser um, para poder ser outro, e que nunca te canses de mim. Só assim posso percorrer, palmo a palmo, o teu corpo e tocar-lhe, uma vez de cada vez, por entre uma nuvem de beijos. Abre a tua boca e deixa-a ficar aberta. Abre os teus ouvidos e deixa-os colher a minha respiração aflita. Abre os teus cabelos e deixa-os ficar assim, o teu sexo escondido sob a palma da minha mão.
De ti quero tudo. Sobretudo não esqueças o que não te digo. 
O que calo apenas a nós pertence e não pode ser revelado.
Ninguém compreende, de outra maneira não te quereria.





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