terça-feira, julho 11, 2023

A chuva desistiu de apagar o nosso amor embaciado.

 Ainda estranho o lugar quando acordamos

no revés de já ser outro

o dia

porque espelhas o tempo à janela é

à face de teu rosto que decido

o que vestir.

O vento que molda a praia

é de todas as bandeiras:

há um silêncio talhado à substância do quarto

(o chão de madeira matiza o

frio que força uma fresta)

podia apostar comigo: hoje

de madrugada

um cão ladrou na voz do galo.

O meu sobrenome segue-te

pela véspera da casa

(fim de emissão no ecrã

cálices

meio hasteados) a

chuva desistiu de apagar o nosso amor embaciado

pelo lado negativo.

Tornas à cama e abres

aquele romance de sempre

(o descanso existe

noutro cansaço).

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