terça-feira, julho 18, 2023

Tenho trabalho a fazer pela presença eterna do hoje.

Quero viver. Tenho trabalho a fazer nesta geografia vulcânica.

Dos tempos de Ló ao apocalipse de Hiroxima,

a devastação nunca foi outra coisa que não devastação.

Quero viver aqui como se em mim

ardesse sempre a ânsia do desconhecido.

Talvez o «agora» esteja muito mais distante. Talvez o «amanhã»

esteja mais próximo e o «amanhã» se encontre já no passado.

Todavia agarro a mão do «agora» para percorrer a margem da História

e não o tempo que descreve círculos como o caos das cabras‑montesas.

Sobreviverei eu à velocidade electrónica do amanhã?

Sobreviverei eu ao atraso da minha caravana do deserto?

Tenho trabalho a fazer pelo além‑mundo, como se amanhã não fosse vivo.

Tenho trabalho a fazer pela presença eterna do hoje.

Por isso ouço, pouco a pouco, a formiga no meu coração:

Ajuda‑me a suportar a minha tenacidade.

Sem comentários: