terça-feira, março 11, 2014

Te venero.


Mal-me-quer… tu dirás; mas nem sei se te quero,
Insinuante visão, que outrora amei na vida,
E que foste por mim no mundo a preferida
Mal-me-quer… mal-me-quer! entanto te venero.

Bem-me-quer… pensarás, talvez, mulher fingida
Mas, se escuto teu nome, às vezes desespero…
E assim quero viver distante, rude e austero.
Sem nunca mais te ver, – embora a alma abatida!

Mal-me-quer… bem-me-quer… E a tua vida encerro
Hoje, neste amargoso e tétrico dilema,
Fazendo-te sofrer num círculo de ferro.

E eu também, como tu, prossigo neste enleio
Pois não sei se te voto adoração extrema,
Nem mesmo sei dizer, Mulher, se inda te odeio!

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